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Apresentação sobre Inovações em Social Analytics

By Gabriel Ishida , In , ,

Ontem, tive o prazer de participar do Digital Day, organizado pela CI & T em Campinas. Fui convidado para falar de novidades, tendências e inovações dentro de Social Analytics. Falei inclusive sobre o polêmico Facebook Topic Data e dei minha opinião sobre o assunto (se você não sabe, eu a escrevi aqui)

Abaixo, segue minha apresentação.

Projeto Galgo Rex

By Gabriel Ishida , In

Seguindo a atual tendência de compartilhamento, produção e promoção das notícias, chamada por muitos de jornalismo cidadão, foi lançado recentemente o site Galgo Rex, ainda em versão beta (www.galgorex.com.br/prelancamento). O novo veículo de mídia associa a produção independente de leitores, blogueiros e jornalistas à tecnologia da informação, criando assim uma plataforma de informação inteiramente gerida pelos próprios usuários, que publicam e promovem o conteúdo do site.
“Pensamos em um sistema que pudesse dar aos leitores o melhor conteúdo, bem como as informações que mais interessam a cada um”, afirmou Ronaldo Lopes Coelho, um dos fundadores do projeto. O novo jornal parece um híbrido de rede social e os conhecidos agregadores de notícia, porém as coincidências terminam aí. Uma vez realizado o login, o site oferece não apenas uma conta pessoal ao usuário, mas a chance deste poder criar seu próprio caderno de notícias, assinar os conteúdos desejados, classificar os textos, seguir outros “jornalistas”, conversar com os demais usuários, compartilhar o que foi publicado, entre outras ações interessantes.
Criado em 2013 por quatro estudantes da Universidade de São Paulo, o Galgo Rex passou dois anos em desenvolvimento, “Nas horas vagas, aquelas que tínhamos além das aulas e do trabalho normal de cada um, sentávamos e nos reuníamos para trabalhar e decidir como o site vai funcionar”, disse Ricardo Augusto Fernandes, programador e também um dos sócios. “Queríamos dar às pessoas a chance de terem um feed de notícias extremamente relevante, por isso fizemos o Galgo Rex”, completou.
Nesse meio tempo foram lançadas iniciativas como o jornal digital sul-coreano Oh! My News! e o norte-americano Sulia, que possuem estruturas bem diferentes do site de notícias brasileiro: este tem como célula editorial os cadernos e, no futuro, pretende aumentar ainda mais o poder de colaboração entre os usuários. A ideia por traz da empresa é gerar uma rede de notícias que conte com milhares de colaboradores, espalhados por todo o país e, de celular nas mãos, sempre prontos para escrever e dar o “furo”. “Estamos buscando algo além do jornalismo de opinião”, disse Ronaldo, “queremos também ser o primeiro a relatar os acontecimentos”. O símbolo do jornal é o peculiar cachorro de corrida da raça Galgo: magro, elegante e veloz, bem no estilo do jornalismo (e de toda a comunicação) desse século que se inicia.
FONTE: release do Galgo Rex

Sobre a API do Facebook e o seu Topic Data

By Gabriel Ishida , In , ,

A maioria dos profissionais de monitoramento já deve estar sabendo que o Facebook fechou, no dia 30 de abril de 2015, sua API para a coleta de posts públicos em timelines. Se não sabe, saberá na próxima vez que for fazer relatório de monitoramento ao ver que sua ferramenta não coletou nenhum post em timeline do Facebook no mês de Maio.

Como alternativa a isso, o Facebook fez uma parceria com o Datasift, um dos (talvez o maior) provedores e processadores de dados do mundo para criar o Facebook Topic Data. Em termos didáticos, ao invés de coletarmos os dados RAW (ou puros, ou seja, os posts diretamente), o FTD irá fornecer os dados já agregados. Basicamente, ao fazermos a requisição pelos resultados de uma busca por menções contendo o termo "Coca-Cola", o FTD irá retornar números: volume de menções, demografia, geolocalização, sentimento, etc. ao invés de retornar as menções diretamente.

 Facebook Topic Data
Representação gráfica do FTD

Não vou me aprofundar em termos técnicos, pois acabou de ser lançado, houve um webinar do Datasift explicando mais detalhes e também que meu foco aqui é a repercussão disso tudo no nosso mercado. Mas vale fazer uma observação: com o FTD, perdemos em capacidade de análise ao não ter contato com os dados puros, ou seja, não saberemos muito bem como o Facebook está considerando aqueles números agregados. Para quem é analista preocupado em metodologia, isso é péssimo. Não saberemos, por exemplo, se aqueles 1.200 posts negativos são realmente negativos e se não houve um erro na classificação, sendo o atual principal problema nas classificações automáticas de sentimento. Por outro lado, o Facebook nunca entregou direito esses dados puros via sua API, sempre vimos um monte de problemas para a coleta, então, entre uma coisa agregada e mais nebulosa por uma coisa que não funcionava direito e quase não servia para nada, prefiro a primeira opção.

Sobre nosso mercado, primeiramente é bom deixar claro que isso não afeta a competência de nenhum profissional. Como disse meu amigo Pedro Ivo Rogedo: quem é incompetente, continuará incompetente. A diferença agora é que vão jogar a culpa no Zuck por seus fracassos. Até porque o monitoramento em fanpages e grupos continua a mesma coisa, ou seja, qualquer ferramenta ainda coleta posts públicos feitos dentro desses lugares. E já sabemos que esse tipo de informação é bastante valiosa, quando bem planejada e analisada de forma correta. Além disso, as outras redes continuam com suas APIs abertas e pegando os dados puros, ou seja, material de análise ainda tem de monte.

Segundo ponto é que vejo um passo importante na valorização da área de monitoramento. Tardiamente (e de certa forma, hipócritas), alguns nomes importantes dentro da área de publicidade e marketing começaram a criar ações e publicar notas e artigos sobre a importância do trabalho de monitoramento em mídias sociais. E, coincidência ou não, juntamente com o movimento do Facebook em monetizar seus dados, percebo que há uma profissionalização maior na nossa área no sentido de que "fazer monitoramento não é de graça".

Com essa restrição do Facebook, agora fica mais limitado para o cliente/agência querer um monitoramento de graça na rede. O que mais temos, em grupos do Facebook, são pessoas pedindo por ferramentas gratuitas de monitoramento, que coletem posts retroativos, que tragam sentimento automático, etc. Isso tem que parar. O que mais ouço são relatos de pedidos de clientes/agências querendo um relatório de monitoramento, a ser entregue no mês passado, que contenha sentimento do buzz e dados retroativos. Quando se explica como as coisas funcionam e o preço que isso vai sair, acham caro e questionam "como uma coisa fácil assim sai com esse preço?". Me controlo para não responder: bom, eu quero um apartamento na cobertura de um prédio no Jardins, mas achei muito caro. Como uma coisa tão fácil assim, que já está lá pronta, pode sair com esse preço? É bem essa lógica que encaramos dentro de nossa área.

Não duvido nada que, daqui um tempo, algumas pessoas chegarão perguntando: alguém conhece uma ferramenta de graça que pegue esses dados do Facebook? E ainda por cima vão xingar o Facebook por ter limitado os dados desse jeito. Se você quer dados legais, bem agregados, organizados, não só no Facebook, mas em todas as outras redes, você tem que pagar por uma ferramenta. Social media não é de graça, como ainda muita gente pensa. Há um trabalho sério por trás de tudo.

Não adianta reclamar. Se você vendeu um projeto pro cliente e não sabia que não dava para pegar de graça, a incompetência foi sua. Se o cliente reclamar, diga: bom, me dê dinheiro que eu compro esses dados. Se ele recusar, não faça, só isso. Se alguém vendeu errado para o cliente, assumam o prejuízo ou o erro. Para mim, grande parte dos erros do mercado vem dessa péssima venda e gestão dos projetos em social media para os clientes. Prometem o universo, sem saber se é viável ou não. E o cliente, em seu direito, exige esses resultados.

Lançamento do ebook Mídias Sociais para Jornalistas

By Gabriel Ishida , In , ,

Ebook Mídias Sociais para Jornalistas: um guia para fazer e divulgar jornalismo nas Novas Mídias

 Ebook para download

As mídias sociais já são canais de intenso consumo de informação por parte do público. Todos os principais veículos de comunicação estão presentes nas mais populares redes sociais (Twitter, Facebook, Instagram, Youtube, etc.) e, com o grande crescimento do volume de informações a que somos submetidos, realizar uma produção e curadoria de conteúdo para ser postado nesses canais sociais acaba sendo uma tarefa que exige muito além da simples execução: deve-se planejar, entender o público alvo, compreender as linguagens próprias de cada rede e, principalmente, saber escolher e produzir o conteúdo adequado. 

Além disso, as redes sociais exigem rapidez e instantaneidade, e o profissional que produz conteúdos para esses canais deve saber lidar e entender como pescar tendências e confeccionar um conteúdo que engaje o público durante a cobertura. É a grande tendência do momento, sendo que grandes sites como BuzzFeed estão a procura de profissionais que saibam produzir conteúdo informativo em social media. 

Voltado tanto para jornalistas que precisam compreender melhor como lidar com as mídias sociais quanto para profissionais que estão entrando no mercado de produção de conteúdo informativo, seja para marcas quanto para organizações, o ebook Mídias Sociais para Jornalistas é uma extensão do workshop homônimo ministrado pela Atlas Media Lab, e foca na compreensão do novo jornalismo que o público espera, nas boas práticas atuais, em dicas sobre como fazer curadoria, buscar personagens e informações e divulgar o material final nas redes, atingindo o público certo com seu conteúdo, seja ele institucional, informativo ou jornalístico.
O ebook está disponível para o Kindle.


Conheça os autores:

Gabriel Ishida é formado em Midialogia na Unicamp e trabalha há cinco anos com análise em mídias sociais, sendo especialista em mensusação de resultados e performance. Atualmente é coordenador de Social Intelligence na DP6, atendendo marcas como Coca-Cola Company, Itaú e Mizuno. É um dos fundadores da Atlas Media Lab e criador do blog Midializado.

Jacqueline Lafloufa é jornalista de tecnologia desde 2009, focada em conteúdos para mídias digitais. Integrou o Blue Bus por 4 anos, chegando à editoria executiva. Hoje é editora no B9, colunista na Revista Galileu, blogueira do BrasilPost e consultora digital. É formada em literatura e pós-graduada em jornalismo científico pela Unicamp.


Conheça o ilustrador:

Marcos Singulano é bacharel em Midialogia pela Unicamp, trabalha como diretor de arte na agência Supera Comunicação, onde atende clientes como Locaweb, Monsanto, Hospital Albert Einstein e Catho. Tendo ministrado cursos como Publicação de Trabalhos na Web no Festival de Artes da Unicamp e Design para Iniciantes no Oficinaria, é também ilustrador e colaborador do blog Midializado, onde escreve sobre temas da área.


Sobre a Atlas Media Lab:

A Atlas Media Lab é uma escola que surgiu como um espaço de discussão e aprendizado sobre as últimas tendências e os principais assuntos que se relacionam às áreas de comunicação, já que, em um mundo altamente comunicado, a comunicação se recicla, muda e inova com muita velocidade. Perpassando todas as mídias, desde as mais tradicionais até as conhecidas como ‘novas mídias’, a Atlas Media Lab oferece cursos, workshops e palestras que ajudam na compreensão de diversas frentes do processo de comunicação, com preços mais acessíveis do que o restante do mercado. 

A Atlas Media Lab também acredita que essas discussões e aprendizados devem ultrapassar o ambiente da sala de aula,
encaminhando para discussões sobre referências, estudos de casos e indicações de caminhos para a pesquisa.
A coleção de ebooks Atlas Media Lab segue esses valores e missões da escola, oferecendo mais uma mídia onde os interessados em comunicação podem buscar aprimoramento.

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Ficha Técnica:

Título: Mídias Sociais para Jornalistas
1ª edição / 2015
Autores: Gabriel Ishida / Jacqueline Lafloufa
Revisão: Fernando Collaço
Capa, projeto gráfico e diagramação: Marcos Singulano
Coleção Atlas Media Lab
www.atlasmedialab.com.br


O ebook pode ser baixado em http://www.amazon.com.br/dp/B00UUN23V6

Cultura da Conexão de Henry Jenkins - parte três

By Gabriel Ishida , In , ,


Sendo o último post da série (veja as partes um e dois), focarei nas conclusões e minha opinião sobre o livro como um todo. Nos últimos capítulos, Jenkins cita três grupos que se beneficiam (e utilizam) a cultura do compartilhamento em seus trabalhos: a mídia independente, a mídia católica/evangélica e a mídia ativista. De acordo com Jenkins, as três não buscam restringir seu conteúdo, incentivam a transmissão gratuita e, principalmente, sabem que os custos de replicação do seu material são caros se comparado com a disseminação espontânea dos usuários.

Nas conclusões, Jenkins lembra que é um caminho natural essa cultura do compartilhamento devido aos baixos custos para replicação de conteúdo e, principalmente, para releitura e apropriação. Apesar dos movimentos em torno de paywall nos portais jornalísticos, em que o conteúdo acaba sendo fechado e restrito para mudanças, Jenkins afirma que um material da mídia propagável passa por diversas adaptações e reapropriações, perdendo até o sentido original. Em um dos capítulos, ele cita, como exemplo, as adaptações para diferentes países das novelas mexicanas e brasileiras.

No geral, gostei bastante do livro mais pelo fato de ele estudar os movimentos e os desdobramentos sócio-culturais dessa cultura do compartilhamento. Me fez pensar sobre diversas questões em torno do acesso e arquivamento da informação, em que o Youtube se torna uma espécie de biblioteca para consultarmos referências antigas (e até readaptá-las para se tornarem atuais). Também me fez ter mais argumentos na defesa de um conteúdo aberto, livre, em que não restringimos mais a propriedade e incentivamos a disseminação, rentabilizando através de acessos exclusivos, materiais especiais, etc. Sempre gostei muito da ideia do modelo freemium e creio que será a principal forma utilizada por aplicativos e outros serviços web.

Agora, meu próximo passo será estudar mais as características em torno da ideia de viralidade (ou mídia propagável) para entender mais a fundo a ideia de influenciadores, algo que não está muito aprofundado no livro. E, claro, que meus estudos serão postados aqui.

Cultura da Conexão de Henry Jenkins - parte dois

By Gabriel Ishida , In , ,


Continuando minha resenha sobre esse livro, partimos para os capítulos em que Jenkins fala sobre mensuração de resultados (confesso que é a parte que eu mais gostei). Ele fala menos de técnicas e mais sobre uma reflexão sobre como mensurar e monetizar a audiência dentro dessa cultura de compartilhamento.

Ele diz que nós, analistas de mídia, perpetuamos a ideia de que devemos trazer a audiência para os lugares aonde conseguimos mensurar e monetizar do que buscar formas de mensuração nos lugares onde a audiência já está. Um bom exemplo disso foi a série Jericho. Após a série ser cancelada, os fãs fizeram um grande movimento para que a produtora desse continuidade a série. O que foi percebido era que os fãs consumiam a série de formas que iam além da transmissão televisiva (vulgo download via torrents e outros servidores online). Os produtores da série cederam e resolveram fazer uma nova temporada, contudo, pediram aos fãs que assistissem a série na televisão, pois era lá que eles "ganhavam dinheiro". Ou seja, basicamente pediram para que houvesse uma mudança de consumo. E, como sabemos muito bem, é muito difícil que o público mude seu comportamento de forma forçada. Não deu outra: a série sobreviveu apenas até o mid-season.

A lição que Jenkins busca mostrar é que não adianta tentarmos forçar um fluxo de consumo do público e sim buscar entender e criar formas de monetizar onde o público consome o produto. E isso se torna extremamente necessário nessa cultura do compartilhamento. O Youtube, por exemplo, paga aos produtores por visualizações dos seus anúncios nos vídeos proprietários dentro do canal. É uma boa forma de monetizar dentro da cultura do compartilhamento.

Algumas séries, ao perceberem que grande audiência está vindo de Netflix, torrents e outras plataformas, estão buscando monetizar via merchandising dentro dos episódios ou mensurar esses downloads e streamings. Há até a questão de se assistir via mobile, o que também não é contado de forma "convencional" nos institutos de mensuração (tipo o Ibope).

Dentro dessa parte de monetização, Jenkins faz uma comparação entre dois modelos de negócio: o esquema pago por acesso/consumo e o esquema gratuito/freemium com monetização via formas indiretas. Ele faz uma distinção interessante: no primeiro, pagamos para desfrutar da experiência, ou seja, não sabemos como é e estamos pagando para ver como será. No segundo, já sabemos como é a experiência e buscamos pagar por uma extensão daquilo, ou seja, queremos nos engajar mais. 

Jenkins aponta que o segundo modelo é o que mais tem sintonia com a cultura do compartilhamento. A pessoa ganha acesso de forma gratuita ao produto e, tendo se interessado, paga por mais conteúdo ou consome produtos via franchising. O grande exemplo bem sucedido hoje é o Angry Birds, em que o jogo é gratuito, mas há um universo grande em torno da franquia. Ele lembra que o usuário compartilha o que ele teve uma boa experiência, ou seja, o que quer que seus amigos também venham a desfrutar. Sendo gratuito, a experiência se torna mais prazerosa.

Muito interessante enxergar desse ponto de vista da experiência para explicar os diferentes modelos de negócio no entretenimento. Contudo, vejo que há um movimento maior justamente na forma oposta, principalmente nas plataformas de games (que é a grande tendência dentro do universo do entretenimento). Cada vez mais é restringido o acesso, porém, o que Jenkins não menciona no livro, é que a variável Preço é muito importante dentro desse processo de consumo. A esmagadora maioria das pessoas que buscam formas não-oficiais para consumir conteúdo é: ou por falta de acesso ou por causa dos preços exorbitantes. As plataformas de games, como o Steam, conseguiram baixar os preços e ofereceram diversos novos recursos, como comunidades, fóruns próprios, sistema de gamificações, bônus e diversão em modo multiplayer/cooperativo.

O próximo post será a última parte dessa minissérie de resenhas. Veja o primeiro post aqui.

Cultura da Conexão de Henry Jenkins - parte um

By Gabriel Ishida , In , ,


Comecei a ler esse interessante livro do famoso estudioso Henry Jenkins, principal referência em transmídia. O livro fala basicamente do que ele chama de Mídia Propagável, ou seja, nosso famoso viral. Nesse ponto, ele já deixa claro o porquê de não gostar do termo viralidade. Ele diz que a ideia de viral pressupõe que algo atua como um vírus, ou seja, a pessoa é infectada e transmite sem saber o motivo. Já mídia propagável pressupõe que o usuário fez um comportamento de propagação, ou seja, há motivações e é algo consciente. E ele diz que justamente entender os motivos de algo se propagar massivamente é o núcleo para uma estratégia eficiente dentro da comunicação.

Outro ponto interessante do livro se encontra no capítulo 2, chamado de "A reavaliação do residual". Residual, no contexto da comunicação, é conceituado no livro como o efeito "eco" de uma obra. Por exemplo, um clipe brega antigo é postado no Youtube e ganha força propagável do nada. Basicamente, é quando não se espera mais que algo irá ganhar repercussão.

O capítulo trata de falar sobre como o valor do residual está influenciando nas obras atuais. Incrível que Jenkins diz que a principal consequência é o retorno forte do retrô. Com o Youtube e outras plataformas sendo um grande repositório de conteúdo e servindo também de fonte de consulta histórica, o público está sempre sendo atingido (via timeline de amigos ou busca pessoal) de referências antigas, num claro efeito do valor residual. Ou seja, as referências antigas são, na realidade, referências atuais para o público.

Um exemplo que vejo é a retomada de regravações (reboots) de filmes e histórias. Só nesses últimos lançamentos, já podemos notar quantos são continuações de franquias antigas ou reformulação (Tartarujas Ninjas, Godzilla, Jurassic Park são alguns mais recentes). Também há uma retomada de ritmos mais antigos na música, além de uma grande mixagem e reciclagens nas obras audiovisuais para a internet. Outro ponto que Jenkins reforça é a questão de algo antigo não ser chamado mais de "velho" e sim de "clássico", sendo usado comercialmente pelas produtoras e franquias para venderem produtos e merchandising.

Futuramente, posto as considerações sobre audiência e comportamento do público focado em modelos de negócio e mensuração que o Jenkins cita no livro.

E-book "Tendências em Social Media para 2015"

By Gabriel Ishida , In , , ,


Tive o prazer de participar do e-book "Tendências em Social Media para 2015" organizado pelo pessoal do Quero Ser Social Media. Falar de tendências é sempre complicado pois já vimos, historicamente, como várias previsões não dão certo. Sendo assim, na minha parte, me foquei mais em destacar o que já está ocorrendo e, num exercício de futurologia, dizer que esses destaques irão ganhar força em 2015.

Minha opinião no e-book é apenas uma dentre tantas outras de pessoas com gabarito como Tarcizio Silva, Mariana Oliveira, Cinara Moura, Israel Degásperi, Dani Rodrigues, Thiago Leite, Estevão Rizzo, Eric Messa, Rafael Sbarai, Liliane Ferrari, Ana Paula Passarelli, Marcelo Salgado, entre tantas outras.

Sendo assim, entra aqui e baixe já o e-book.

Pesquisa sobre profissionais de monitoramento e métricas em mídias sociais

By Gabriel Ishida , In , ,

Saiu a última pesquisa sobre o perfil dos profissionais de monitoramento e métricas em mídias sociais, feita por Júnior Siri e Tarcízio Silva.

E uma agradável surpresa: estou no top 5 das referências mais citadas pelos pesquisados. Agradeço imensamente pela confiança e só estimula ainda mais que eu contribua com materiais e minha experiência.

Aproveitando: tem curso comigo em monitoramento com turma aberta para Dezembro. Entra aqui e dá uma olhada!




Intercon 2014

By Gabriel Ishida , In ,

Nesse último sábado, dia 15 de novembro de 2014, rolou o Intercon 2014, evento com 11 anos de existência. Foi lá no Hotel Unique, vulgo hotel em formato de navio. Fiquei apenas no palco "principal".

A primeira palestra do dia foi com Sérgio Mugnaini (Loducca) e ele falou um pouco da relação entre ideias e tecnologia. Falou de como ficar parado no tempo (tecnologicamente falando) quebrou marcas como Kodak, Nokia e Blockbuster. Falou também de alguns princípios que segue para seus trabalhos:

  • "Openness simplifies complexity" = meio que: compartilhe, divida e deixe rodar sua ideia, para ela ficar completa.
  • "Tecnology is an idea driven" = tenha a ideia e use a tecnologia para viabilizar e não o contrário.
  • "In simplicity we trust" = diz por si só.
  • "Make a system of many appear fewer" = ele frisou aqui que a comunicação integrada não é estar em várias mídias, mas sim dar a impressão que tudo é uma mídia única.
  • "Embrace every canvas" = seja mente aberta, ou seja, esteja pronto para se adaptar a novas situações.


Na segunda palestra, foi a vez de Pedro Porto (Twitter). Ele lembrou que o Twitter é uma rede de interesses: as pessoas escolhem o que querem seguir por algum interesse. E que também o Twitter é uma ponte entre você e seu interesse (ou pode ser hashtag). Lembrou que o Real Time (Live) no Twitter não é um acaso: ações desse tipo devem ser extremamente bem planejadas para serem executadas. Citou alguns cases de marcas que usaram bem o Twitter, como a Tim, Trident, Starbucks, Pepsi e Pantene.

Em seguida, subiu ao palco o Leo Cardoso (Espalhe) para falar do projeto Sururu Valley em Maceió/AL. Ele mostrou alguns cases de inovação e boas histórias e afirmou que o espírito lá do projeto é ser guerrilha, ou seja, impactar diretamente as pessoas e chamar atenção.

A quarta palestra foi com JC Rodrigues (Disney). Ele falou do processo de entendermos emoções e sentimentos. Citou que todas as emoções que sentimos se concentram ou é a fusão de duas ou mais dessas primárias: alegria, tristeza, raiva, medo, surpresa e aversão. Disse que o segredo de chamar atenção é gerar emoção (algo mais geral) para despertar sentimento (algo mais íntimo, pois se liga a lembranças pessoais, experiências).

A última palestra da manhã foi também a mais rápida. Ricardo Sangion (Pinterest) falou do potencial da rede para as marcas, frisando que o grande diferencial do Pinterest é seu propósito: ser uma fonte de descobertas e inspirações visuais. Lembrou que inspiração está bastante ligado a realização e que, nisso, e-commerces tem se dado bem em vender via rede, pois o apelo visual acaba ajudando na decisão de compra. Citou, como principal case na rede, a marca Etsy.

Após o almoço, subiu ao palco Steve EPonto (CuboCC) para falar de co-criação em canais digitais. Apesar de citar bastante cases feitos coletivamente, me pareceu mais uma palestra de usos inovadores em vídeo, em que brincavam com o formato do vídeo digital, principalmente Youtube.

A segunda palestra da tarde foi com Dauton Janota (Pleimo) para falar de modelos de negócio na música. Falou que artista, hoje em dia, não ganha tanto mais dinheiro e que "Like não dá dinheiro" (o que concordo). Contudo, achei que errou/fez um jabá do Pleimo ao dizer que o Spotify não é um modelo que dá certo, vide a saída da Taylor Swift da plataforma. Enfim, discordei.

Em seguida, foi a vez de Gabriel Borges (Ampfy) para falar de Instagram. Disse que a rede deve ser feita de fotos e vídeos originais, não montagens exageradas. Citou o top 5 de marcas com maiores volumes de seguidores: Nike, Starbucks, Adidas Originals, GoPro e Topshop, dizendo que todas elas trabalham muito bem a questão de fotos e vídeos originais, que refletem um estilo de vida. Lembrou também que a rede serve para conectar pessoas e conversas através das hashtags. Não precisa ter um perfil na rede para estimular conversas lá (exemplo: peça para as pessoas postarem fotos com uma hashtag).

Depois do coffee break, Fred Saldanha (Isobar) subiu ao palco para falar do case Live Store da Fiat. Sinceramente, foi mais um jabázão de todo o processo do case do que aprendizados, mas gostei de uma de suas frases: temos que prever quando nossos consumidores irão desaparecer.

No encerramento, como tradicional, Luli Radfahrer (USP) discursou sobre o futuro da inteligência artificial. Citou as atuais tecnologias que temos hoje na área, como a máquina da IBM, Watson, que faz pesquisas paralelas e trabalha com probabilidades para responder perguntas, traçar prós e contras, etc. Disse que, a partir do momento que uma máquina consegue fazer esse tipo de levantamento, ela já pode tomar decisões sozinha. Depois disso, ele fez umas viajadas sobre o futuro das máquinas, etc, mas no geral, gostei da fala dele.

No geral, gostei do Intercon desse ano. A maioria das palestras me fez pensar e aprendi coisas novas e é legal, particularmente para mim, quando vou em palestras que não estão relacionadas diretamente a minha área. A organização está de parabéns pela grade e pela estrutura oferecida. Ano que vem eu volto.

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