Resenha do livro “Curso básico para resolver problemas” de Ken Watanabe


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O livro é um best seller internacional e foi criado para educar crianças, por isso que há diversas ilustrações e situações mais lúdicas durante todo o livro. O livro possui uma estrutura de quatro capítulos: o primeiro definindo o que são os solucionadores de problemas e os outros três são casos e exemplos de problemas e como resolve-los.

O que é um solucionador de problemas?

O autor começa listando as formas de lidar com problemas, citando quatro personas: Dona Suspiro, Sr. Cri-Cri, Senhorita Sonhadora e Dr. Apressadinho. E como eles se diferem dos verdadeiros solucionadores de problemas.

Dona Suspiro é o tipo de pessoa que desiste antes de tentar, que culpabiliza os outros ou qualquer coisa para não resolver um problema ou perseguir um sonho. Sr. Cri-Cri é o que sempre vê defeito ou obstáculos nas ideias dos outros, mas nunca propõe um caminho ou mesmo uma ideia. Senhorita Sonhadora sempre tem ideias, mas raramente tenta coloca-las em prática ou traçar um plano para atingi-las. Dr. Apressadinho é afobado e quer botar logo suas ideias em prática, mas não pensa muito antes de executar, falhando na maioria das vezes e atribuindo suas falhas a falta de esforço e dedicação.

A diferença entre essas personas e os solucionadores de problemas é que esses planejam, executam e não vão atrás de críticas ou lamentações pelas possíveis falhas, virando aprendizados para tentar novamente. Sempre melhoram cada vez que se deparam com novos problemas e essas melhorias, acumuladas durante o tempo, viram resultados gigantes e expressivos.

Um solucionador de problemas geralmente desenha sua resolução em quatro etapas: (1) entender a situação atual, (2) identificar a causa básica do problema, (3) desenvolver um plano de ação eficaz e (4) executa-lo até que o problema seja resolvido, modificando e se adaptando quando necessário. Reconhecer que há um problema e ter planejamento e ação são essenciais para atingir seus objetivos.

Por exemplo: quando um estudante vê que suas notas em Matemática estão caindo, ele pode simplesmente dizer que “precisa aumentar a nota” e não criar nenhum plano de ação. Ou ele pode atribuir ao futebol com amigos, sendo que o problema pode ser o mau aproveitamento do tempo e não seu tempo de lazer. Um bom solucionador de problemas identificaria quais temas da Matemática especificamente estão ruins e montaria um plano de aprendizagem baseado na melhor forma de absorver o conteúdo.

Estudo de caso #1: a banda de rock

Basicamente há dois passos para se iniciar a resolução de um problema: (1) identificar a causa e (2) desenvolver a solução. Identificar a causa envolve levantar possíveis causas, criar uma hipótese, conseguir informações para confirmar ou não essa hipótese e, por fim, chegar a causa real do problema. Tendo isso definido, é possível levantar as possíveis soluções e desenvolver um plano de ação e implementação.

Vejamos a aplicação na banda Cogumelos Mágicos. O grupo foi idealizado pela Srta Cogumelo há três anos e chamou dois amigos (Berinjela e Tofu) para compor a banda. Após um perído de ensaio, começaram a fazer shows na escola onde estudavam e viram que havia um baixo comparecimento dos alunos.

Levantar possíveis causas e traçar hipóteses é o primeiro passo. Berinjela e Tofu acreditam que a principal causa é a falta de conhecimento dos alunos sobre os shows, mas que, a partir do momento que souberem, irão comparecer e se manterem fiéis. O segundo passo é levantar informações que comprovem as hipóteses. Ambos aplicaram uma pesquisa e tiveram uma surpresa: bastante gente sabia dos shows (mais do que eles tinham previsto), porém, poucas pessoas realmente se interessaram a ponto de comparecerem.

Aqui reside a importância de se provar suas hipóteses ao invés de toma-las como verdadeiras e já traçar o plano de ação. Se Berinjela e Tofu não tivessem levantado essas informações, teriam gastado esforço e dinheiro à toa na divulgação dos shows, ou seja, não atacariam a causa verdadeira do baixo comparecimento.

Para traçar um plano de ação, eles buscam agora entender os motivos de quem sabia dos shows e não compareceu. Fizeram algumas entrevistas e chegaram a três grupos de pessoas: (1) os que não sabiam o que iria tocar e se a banda era boa, (2) os que não podiam ir no horário do show e (3) os que não gostam do tipo de música. E entrevistaram o público fiel para descobrir pontos bons e ruins dos shows. A principal crítica foi que a banda tocou as mesmas músicas em todos os shows, o que fez com que algumas pessoas parassem de ir.

Com todas essas informações, Berinjela e Tofu conseguiram montar uma solução e como implementa-la: buscar novos meios de divulgação dos shows, mas também tocar um trecho das músicas para o público saber o que a banda toca. Além disso, mudaram o horário dos shows e também colocaram como meta ter 20% de músicas inéditas no repertório. Para tudo isso, priorizaram ações que combinavam impacto e facilidade para implantação, pois tinham menos de um mês para o próximo show. Resultado: das 15 pessoas que foram no último show, com as medidas realizadas, pularam para 200 pessoas.

Estudo de caso #2: o sonho de Hollywood

Um bom solucionador de problemas possui as perguntas certas e, principalmente, tem um objetivo muito bem definido basedo nas perguntas o que, quando e como. Nesse capítulo, João Molusco tem o sonho de virar um artista de Hollywood na produção de animações gráficas. Ficou encantado com o nível das animações que viu nos filmes e traçou esse objetivo. Contudo, ele sequer possui um computador para começar a aprender essa habilidade. Foi então que definiu que o problema que precisava resolver era conseguir um computador.

O objetivo não podia ser apenas “Comprar um computador“. É preciso detalhar mais, seguindo as perguntas “o que, quando e como“. Foi aí que ele foi atrás de pesquisar preços de computadores para fazer suas primeiras animações e descobriu que um Macbook roda os principais programas que ele precisa e custa R$ 1.500,00. Para traçar um prazo, viu que o Natal seria perfeito para ele testar suas primeiras artes com sua família e faltavam seis meses para chegar na data. Não queria depender de familiares ou amigos para comprar o computador, então quis se focar em ganhar com seu próprio esforço.

Agora ele tem um objetivo mais concreto: Comprar um computador de R$ 1.500,00 em até seis meses e dependendo apenas de seu próprio esforço. Com isso, João Molusco consegue traçar um planejamento: primeiro ele levantou quanto de grana ele ganha atualmente vs. quanto que falta para atingir sua meta. Reparou que precisará ter um plano para juntar esse dinheiro que falta. Segundo passo foi ele listar o que poderia ser feito para juntar o dinheiro – ganhar mais dinheiro + reduzir despesas. Aí ele levantou todas ideias em cada frente: desde ganhar na loteria até parar de comer doces. Quando ele colocou na árvore de ideias, teve uma visão clara do que era possível fazer e o que podia ser descartado. 

Com esse levantamento, conseguiu traçar um plano de ação: precisava encontrar um emprego que pagasse melhor, vender alguns bens, parar de comprar quadrinhos e suco todo dia. Após executar essas mudanças, em seis meses, juntou a grana que precisava para comprar seu computador. O importante aqui foi ter um objetivo muito específico que respondesse o que, quando e como, tornando muito claro o caminho que ele precisava percorrer.

Estudo de caso #3: A escolinha de futebol

Kiwi quer ser uma jogadora de futebol e está pesquisando por escolinhas na Itália e chegou a duas opções. Para decidir qual das opções era melhor, fez uma lista de pós e contras, atribuindo pesos para cada fator, mas também fez uma lista de critérios, onde atribuiu importância para cada critério e comparou com as escolas. Percebeu que o cerne da dúvida da escolha reside em definir melhor suas perguntas e o seu objetivo.

Por exemplo, ela quer um ambiente de crescimento como jogadora, mas também aprender uma nova língua. Quais os mecanismos para ela crescer em cada escola? Qual é o programa de ensino de uma nova língua em cada escola? Ela precisava ter com mais detalhes essas respostas. E foi atrás de referências, como um técnico que já tinha atuado nas duas escolas italianas e podia responder suas dúvidas.

O ponto aqui é que Kiwi conseguiu as informações que precisava para ter uma clareza da decisão. Ela tinha uma ideia pré-concebida para decidir pela escola A, mas quando se autoquestionou sobre o que realmente procurava, detalhou suas dúvidas e foi atrás das respostas, viu que a melhor opção era a escola B. Ou seja, utilizando métodos como prós-contras e lista de critérios, ela conseguiu identificar as dúvidas de forma mais específica e ir atrás das respostas, tomando uma decisão melhor e, principalmente, um plano de ação que atinja seu objetivo.

Conclusões

Para resolver problemas, não basta ter em mente aonde quer chegar, mas sim ter detalhado muito bem a escolha do caminho (essa é a melhor forma de se resolver?), mapear os passos a serem dados (quais informações eu preciso, quais ferramentas eu necessito) e também ter o objetivo muito claro (o que, quando e como). Tendo tudo bem definido, fica mais fácil resolver problemas difíceis.

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