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A reverberação da convergência

By Gabriel Ishida , In

Incrível que, após o término da leitura do livro "Cultura da Convergência" de Henry Jenkins, a questão da convergência e suas implicações ainda reverberam na minha mente. Percebi que a questão proposta pelo livro abriu horizontalmente minha visão sobre a convergência, tanto em camadas quanto em focos.

Por exemplo, ontem li um texto que discutia as privatizações na comunicação na década de 90, tanto no Brasil quanto no mundo. E vi um exemplo da convergência no nível econômico-industrial.

De acordo com o texto, até 2013, existirão apenas dez grandes conglomerados midiáticos em todo o mundo. E em um segundo patamar, no máximo vinte conglomerados, porém todos ligados aos dez maiores. A convergência tecnológica e de linguagens possibilitou uma série de fusões, aquisições e parcerias entre, até então, diferentes mundos da comunicação.

Se até o fim dos anos 80 havia uma separação clara entre telecomunicações, informática e mídias, hoje essas fronteiras são diluídas. Não conseguimos distinguir quem é o quê. As organizações Globo são o quê? São tudo: provedor de internet, canal aberto e pago de televisão, jornal impresso, produtora de cinema, portal de informação, entre tantos outros meios. Ela e todos os grandes conglomerados.

Existe uma espécie de "transmidiatismo" como tendência no mundo da comunicação. Já não basta ser apenas jornal; tem que ser informação. E se entende isso como objeto de consumo, independente de como for consumido. E as formas de consumo, atualmente, não são únicas e independentes. Ninguém se informa apenas por um meio, e muito menos se contenta com apenas um.

O futuro da tecnologia da informação?

By Gabriel Ishida , In



Dando uma pausa no livro "Cultura da Convergência" de Henry Jenkins, eu achei revolucionário esse vídeo chamado Sixth Senses, produzido pelo MIT, anunciando o futuro da tecnologia da informação.

Um dispositivo capaz de agregar informação à elementos da vida real, como se fosse uma Web semântica móvel. Essa tecnologia coloca os conceitos de mobilidade e acesso a informação no seus patamares mais extremos do aspecto social.

Incrível como uma tecnologia, capaz de permitir o manuseio dos dados em qualquer superfície e local e de fornecer informações detalhadas instantâneas, pode nos fazer refletir sobre quão as tecnologias móveis atuais ainda podem evoluir.

Penso o que seria necessário para essa tecnologia entrasse no nosso cotidiano e qual o impacto disso na sociedade. Uma conexão com a internet, um dispositivo sem fio (Bluetooth, talvez) para o manuseio dos dados e um projetor parecem os essenciais. E talvez alguma marca que seja identificável por essa tecnologias nos produtos e elementos, para a exibição da informação.

O impacto disso, numa análise bem superficial, é a mudança do cenário para os celulares. Uma tecnologia que realiza todas as funções do celular e ainda proporciona um acesso mais complexo da informação, com certeza deixaria o celular numa posição difícil de ser sustentada. O que pode ocorrer é uma adaptação da linguagem do celular, como ocorreu com os outros meios de comunicação (rádio e mídia impressa) com a chegada da televisão.

Também penso num reforço da tendência do "cloud computing" para os computadores móveis. Com uma tecnologia que possibilita o acesso móvel a informação proporcionada pela Web, além de uma plataforma para uso multímidia, os laptops passarão a serem apenas netbooks, ou seja, pequenos computadores portáteis com acesso a Web e nada mais. E a Web seria o local com toda gama de recursos necessários para a vida profissional e pessoal. Talvez aí surgiria uma adaptação do uso do computador de mesa, ficando apenas focado aos trabalhos pesados, como edição de vídeos, etc.

Narrativa transmídia ou Transmedia Storytelling

By Gabriel Ishida , In , ,

Interessante o conceito de narrativa transmídia (=transmedia storytelling), definido por Henry Jenkins no seu livro "Cultura da Convergência".

O capítulo 3 do livro utiliza, como grande exemplo, o aparato narrativo da trilogia Matrix dos irmãos Wachowski.

Jenkins cita que a narrativa de Matrix não está concentrada apenas nos filmes. Está presente em mais outras mídias (animação, quadrinhos e games) da série. E todos contribuem para o entendimento geral do universo do filme.

Jenkins afirma que o conceito de narrativa transmidiática é a narrativa fragmentada (ou distribuída) em diversas mídias, porém, não sendo interdependentes entre si. Um exemplo: você irá entender o universo da trilogia dos filmes de Matrix sem precisar jogar o game. Mas se você jogar o game, você irá entender melhores detalhes desse universo. Descobrir detalhes e motivações extras, que aprofundam a narrativa e a psicologia dos personagens.

No transmídia, todos os suportes contribuem para a construção do universo, não se concentrando apenas em um. Brinquedos e vendas de acessórios dos filmes, para Jenkins, não é transmidiático. Apenas um reforço da marca (franchising).

Jenkins aponta que a atual indústria do entretenimento está aprendendo a utilizar o transmídia em suas obras. Mas ainda vê com certo receio, pois ele exige uma grande aproximação e participação do público com a obra, além de um bom montante de investimento.

Ao meu ver, o transmídia pode ser melhor aprofundado. Matrix, querendo ou não, concentra a maioria do seu universo nos filmes. Ou seja, se vermos a animação Animatrix, jogarmos o game e lermos os quadrinhos, teremos entendido o núcleo do universo, mas faltará aquele toque mais revelador, presente nos filmes. Parece-me que o cinema não está no mesmo nível que as outras mídias. Entretanto, é fundamental que a história presente nos filmes estimule o espectador a explorar o conteúdo das outras mídias.

Mas é extremamente interessante esse conceito, pois é a convergência tecnológica afetando a forma criativa, num exemplo claro da teoria de McLuhan ("o meio é a mensagem"), em que as características de cada mídia atuam, cada uma de forma única.

UPDATES: Para um conteúdo mais aprofundado sobre Narrativa Transmídia, explore o tumblr Oficina Transmídia. Também se pode pesquisar pelos posts do blog.

O nível mais puro do transmídia, de acordo com Nuno Bernardo, seria o Transmídia Orgânico. Clique aqui e leia nosso post sobre esse conceito.

Eu e o Fernando Collaço criamos uma metodologia para analisar e entender um projeto transmídia. Leia mais sobre nossa pesquisa aqui.

Creative Commons

By Gabriel Ishida , In

Devido a uma infecção estomacal que contraí na segunda-feira passada, estou em total repouso e por isso, vou ficar devendo para vocês mais uma resenha do livro "Cultura da Convergência" de Henry Jenkins, na qual estou lendo atualmente.

Porém, deixo nesse post esse vídeo, feito há 8 anos, sobre Creative Commons. Mesmo sendo bem ultrapassado, em termos de Web, eu considerei bem atualizado.



Fonte: Brainstorm.

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