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A convergência de Jenkins

By Gabriel Ishida , In

Bom, agora a minha atual leitura é "Cultura da Convergência" de Henry Jenkins, considerado o sucessor de Marshall McLuhan no estudo da comunicação.

Na introdução do livro, Jenkins passou um resumo de todas as idéias que o norteiam em sua análise de casos (Matrix, Harry Potter, American Idol, entre outros). E a principal reflexão é em relação a idéia de convergência midiática.

Para Jenkins, a idéia de convergência dos meios não pode ser encarada apenas pelo seu lado tecnológico. A convergência é também marcada pelo estabelecimento de protocolos. Protocolos são traços econômicos, sociais, culturais, comportamentais e políticos que a convergência trouxe para a comunicação. E se entende: são maleáveis, ao contrário do suporte tecnológico. Sendo assim, Jenkins entende que a convergência é algo mais complexa por conta desses protocolos, pois ela se faz na relação e na mente dos que são atingidos por ela.

Um exemplo mais aparente é a questão da caixa preta. Para Jenkins, atualmente os aparelhos convergem várias funcionalidades em torno do hardware, mas ainda não há uma total convergência. Um exemplo: em nossa sala de estar, identificamos várias "caixas-pretas": o home theater, a televisão, o videogame, etc. Todos possuem variadas funções além da sua original. Outro exemplo é o celular: os celulares fazem tudo, além de telefonar movelmente.

Essa convergência tecnológica acarretou diversos protocolos. Nossos hábitos e relações que temos com as mídias mudou drasticamente. Não ficamos mais passivos a informação: relacionamo-nos com diversos suportes para se obter a informação ou para puro entretenimento.

O principal protocolo, para Jenkins, é o choque entre comunicação corporativa e comunicação alternativa. Jenkins nota que existe uma crescente centralização dos grandes conglomerados em torno dos meios de comunicação. Atualmente, não existe empresa de comunicação que não lide com vários meios. Mas, ao mesmo tempo, existe um crescimento exponencial na participação dos consumidores em produção de conteúdo. Esse choque, ao ver de Jenkins, será crucial para definir um dos rumos da convergência: se haverá um total frenesi anárquico ou um controle totalitário e rígido da comunicação.

É clara a idéia de que estamos numa era de transição. Para Jenkins, não está claro como vai ser ou como são as coisas. Os protocolos se reciclam a cada momento e novos paradigmas são construídos. O que vemos, no momento, são protocolos sendo jogados fora, sendo criados, sendo usados ou simplesmente sendo ignorados. E define três pontos de vista dos protocolos: tecnológico, cultura participativa e inteligência coletiva.

E por isso que Jenkins alerta: ou você aceita e encara as mudanças ou você se perde em seu rumo.

Socialnomics

By Gabriel Ishida , In



Interessante esse vídeo informativo feito por Eric Qualman do Socialnomics, um blog bem legal sobre redes sociais e sua transformação na sociedade.

Ao mesmo tempo, lembro de uma propaganda veiculada em determinados sites e blogs que diz: "Você acha que a internet não é uma mídia de massa?" e passa vários dados com números expressivos sobre a internet. Aí cai naquela velha história que já frisei aqui no blog uma vez: pensar que a Web é como uma praça de audiência, nos moldes da televisão, ou seja, uma visão de comunicação de massa.

Apóio totalmente valorizar a internet enquanto palco de inovações na comunicação. Mas levar essa idéia em prol de uma visão massificada, de busca pelos dados quantificativos, é regressão.

Acho que estamos vivendo um momento de construção de um novo "paradigma da audiência", cuja interatividade e a segmentação são os pilares. Holografia, Realidade Aumentada, etc, tudo faz parte. E convenhamos, são formas bem diferentes de recepção em comparação ao rádio e a TV.

E para finalizar: não sei o motivo do boom em propagandas no cinema. Óbvio que o espectador está mais focado, sem dispersões como a TV possui, mas é o modelo conservador. Eu vi coisas bem interessantes que buscavam diferenciar do simples comercial cinematográfico que talvez sejam a saída, mas mesmo assim, cinema é lugar para ver filme né?

Encontrando modelos de negócios em Web

By Gabriel Ishida , In

Finalmente alguém desistiu de enfrentar a Web e percebeu que ela é um modelo de negócio, ao invés de vê-la como um obstáculo.

Radiohead não voltam a gravar álbuns

Apesar que, confesso, existe uma certa aura, enquanto fã, de ter o CD do seu grupo favorito, de escutar no aparelho de som ou no carro e até mesmo de ter o encarte do álbum em mãos. Mas precisamos ser realistas: esse é um modelo que não vem rendendo para os grupos musicais. Primeiro veio a pirataria: com a ascensão da tecnologia de gravação e cópia de CDs, surgiram os CDs falsificados, que todos conhecemos e que são vendidos em todas as esquinas. Segundo veio o compartilhamento P2P, download de MP3 e tudo que conhecemos para troca de arquivos.

Ou seja, são duas frentes contra uma indústria que existe há quase cem anos. Estava na hora de reciclagem do modelo. E parece que o Radiohead deu o primeiro passo, o pioneiro.

Algumas outras bandas e cantores já fizeram isso, como o Green Day, mas desistir da gravação de álbuns, pelo que sei, o Radiohead será a primeira grande banda.

Sempre defendi que a Web oferece modelos de negócios para qualquer setor, até mesmo para o tão complicado jornalismo. O Wall Street Journal, por exemplo, vai cobrar por conteúdo segmento e avulso de determinadas áreas, mas manterá gratuito o conteúdo geral. É, ao meu ver, o modelo mais viável, apesar que acho que a ecologia da informação já não circula como era há 30 anos atrás.

O grande problema é que ainda existem comportamentos que vão contra a maré da Web. Como ir contra o meio de comunicação que mais cresce nesse século? Dizem que a Web não oferece muitas alternativas viáveis comercialmente. Mas acho que primeiro deve tirar todo preconceito e preceitos do século passado da cabeça e depois refletir sobre modelos em Web.

Para mim, falta mais atitude de pensamento do que modelos de negócios na Web.

Modelo "Grande Irmão" de Benkler

By Gabriel Ishida , In

A outra teoria para o futuro da internet, presente no livro "Conectado", vem do professor de Direito da Universidade de Yale, Yochai Benkler.

Em seu livro "The Wealth of Networks", Benkler dialoga com Adam Smith, no sentido de que a internet desafia o modelo produtivo industrial surgido com o liberalismo por estimular a formação de uma economia baseada na cooperação e no compartilhamento de informação e conhecimento, onde o dinheiro deixa de ser o único impulsionador de relações produtivas em grande escala.

Ao permitir que cada um se expresse, que busque informações e se articule com maior independência, a rede subverte o poder das corporações que vendem entretenimento e mediam a comunicação pública. As forças do mercado não aceitarão pacificamente esse movimento de descentralização econômica e, para preservar privilégios, estão agindo com o consentimento dos governos contra os interesses da sociedade em relação à defesa da justiça e da liberdade.

Para Benkler, a internet reverteu a transformação da indústria cultural. A informação e o conhecimento, incluindo o entretenimento, eram tratados como mercadorias e parte integrante da economia. Com o advento do computador pessoal e do barateamento do acesso a Web, Benkler afirma que estamos numa nova fase da economia da informação, chamada "economia informacional em rede".

Essa nova economia é totalmente contrária aos propósitos de propriedade e contrato, propostos pelo modelo de produção capitalista-liberal. Sendo assim, as grandes interessadas ( = os conglomerados midiáticos, incluindo gravadoras, produtoras de entretenimento, agências de notícias, etc.) disputam, através de mecanismos de controle, a ecologia do ambiente digital. E isso já se dá em três níveis: hardware, software e legislativo.

1 - Hardware: há uma pressão por parte dos conglomerados para que os fabricantes de computadores e de componentes físicos para a Web incluam mecanismos de controle para material protegido por direitos autorais.

2 - Software: programas e sites que disponibilizam conteúdo de entretenimento estão sofrendo pressões para se pagarem devidos direitos ou uma taxa de uso para os conglomerados. Além disso, conglomerados buscam maneiras de se padronizar um selo digital para produtos culturais, como se fossem produtos empacotados fisicamente.

3 - Legislativo: Diversos mecanismos legais estão podando a liberdade de se expressar e de compartilhar informação, sob ameaça de pena jurídica. Alguns casos chegam a ser censura e proibição da liberdade da expressão.

Para Benkler, o cenário que vemos atualmente irá chegar ao seu nível maior: o "Grande Irmão". Governos e conglomerados controlarão o ambiente web, tendo acesso ao que você lê ou compartilha. Será vigilância total e perda de liberdade de ação. Benkler cita o exemplo do rádio, quando surgiu no começo do século XX, em que surgiu como um meio de comunicação "alternativo e libertário" à mídia impressa. E com o passar do tempo, foi regularizado e sofreu sanções que refletem até hoje, no controle da abertura de emissoras, etc.

Para concluir, Benkler defende que o modelo "Grande Irmão" mudará radicalmente a Web como conhecemos, assemelhando-se a televisão na sua forma de produzir conteúdo. Além disso, modelos censuratórios como na China e Coréia do Norte serão modelos a serem seguidos pelo "Grande Irmão", sendo até piores, pois haverá um dispositivo legal para que se aperfeiçoem os mecanismos de controle.

Acho difícil que um modelo de controle seja imposto na Web. Assim como existem grupos que defendem o controle, há grupos que defendem a liberdade. Creio que chegamos num ponto que a liberdade tem força semelhante aos grandes grupos. Só vermos a reação pública à censura que Sarney impôs a diversos jornais e sites.

O modelo utópico de Kelly

By Gabriel Ishida , In

Os últimos capítulos do livro "Conectado" de Juliano Spyer se dedicam a traçar alguns possíveis rumos para o cenário da Web no futuro. Spyer destaca dois raciocínios, não totalmente excludentes um do outro: o modelo utópico de Kelly e o modelo "Grande Irmão" de Benkler. Apresento no post de hoje o modelo de Kelly.

Kevin Kelly, em seu livro "Out of Control" (um dos inspiradores da trilogia Matrix), afirma que, no futuro, a relação entre homem e máquina será retroalimentada e, assim, não haverá mais distinção entre ambos. As duas entidades formarão a nossa identidade. Basicamente, não serei Gabriel Ishida se não tiver uma identidade na Web, como perfil em Orkut, twitter, etc. Meu RG e CPF não valerão nada se eu não tiver interconectado.

Kelly acrescenta que o sistema de identificação dos cidadãos será totalmente online, num cenário bem parecido com o que vemos no filme Minority Report. Além disso, todas as ações sociais serão também afetadas por essa nova relação. Para Kelly, isso é muito bom, pois, em suas palavras: "Quando a união do nascido e do fabricado estiver concluída, nossas criações vão aprender, se adaptar, se consertar e evoluir. Esse é um poder que nós dificilmente sonhamos até agora".

Esse poder é o "poder da emergência". Steve Johnson afirma que esse poder da emergência é quando o resultado do coletivo é maior do que a soma simples das partes, ou seja, o sistema passa para uma nova fase. Assim, Kelly defende que a junção das duas redes (neural e ciber) com as relações individualizadas formará uma nova rede, um novo modo de vida, um novo acesso ao conhecimento nunca visto antes. E tudo descentralizado, tudo em rede, no seu conceito mais puro.

Para finalizar, Kelly afirma que as pessoas nascem espontaneamente plugadas à rede. Não são escravas, mas não são livres. Sua condição de indivíduo deixa de existir ou pelo menos ser relevante, da mesma maneira como as células do nosso corpo se constituem em seres individuais que abdicam de sua autonomia em nome da sobrevivência coletiva em um novo estágio evolutivo.

Acho extremamente exagerada essa idéia, de retroalimentação contínua. Acredito que, realmente, no futuro dependeremos das máquinas e da Web para realizarmos nossas atividades, até as mais banais e cotidianas, como fazer compras do mês, mas não perderemos nossas identidades enquanto indivíduos. Apesar que acredito realmente que não haverá mais documentos físicos: tudo será pela rede. Mas duvido muito que o trabalho e contato humanos sejam perdidos assim, mesmo com esse domínio das máquinas.

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