Google+

A geolocalização das twittadas.

By Gabriel Ishida , In

Terminada a série de posts sobre Transmidiático, agora parto para a normalidade. Primeiramente, devo anunciar o próximo livro que irei ler: "Youtube e a Revolução Digital" de Jean Burgess e Joshua Greene. Fiquei um bom tempo sem ter leitura por conta de término de trabalhos de conclusão de curso e mudança de residência, mas agora estou de férias e vou repor o que perdi.

A reportagem-fonte do post é do Vida em Rede do Site da Veja.com e de autoria de Rafael Sbarai.

E o que quero comentar hoje faz parte dessa revolução digital, mas acho que podemos considerar como uma revolução móvel, na verdade. Biz Stone, fundador do Twitter, anunciou a compra da Mixer Labs, empresa responsável pelo desenvolvimento da ferramenta de geolocalização da informação produzida em celular.

Fácil entender o motivo. É perceptível que muita gente twitta via celular, principalmente em eventos ou por turismo. Agora o Twitter vai dar mapear esses locais e com isso abrimos muitas possibilidades de uso. De primeira visão, percebo um uso aplicável no jornalismo, com um registro do jornalista no local da notícia, dando um caráter mais confiável e em tempo real do momento. Imagina receber um twitter de um repórter no momento de um conflito no Iraque e saber que realmente ele está lá, por conta dos dados oferecidos pelo serviço de geolocalização (= isso presumindo que, além da localização, venha o horário do tweet).

Outro uso seria no campo da análise de dados. Sabemos que há uma séria dificuldade em saber a origem da maioria da informação produzida na rede e esses serviços geográficos irão ajudar a entender aonde a informação ganha seus contornos.

Enfim, acho que ainda é meio cedo para fazer algumas especulações sobre o uso, pois toda invenção sempre acaba tomando um uso diferente do que imaginado pelo inventor. Mas é sempre bom refletirmos sobre tudo o que acontece ao nosso redor.

Um ótimo Ano Novo a todos!

Socialnomics, agora dados para empresas.

By Gabriel Ishida , In



O próprio vídeo já diz tudo. São novos tempos.

Olhando para fora do nosso umbigo

By Gabriel Ishida , In



Fui no Intercon 2009 no hotel Renaissance e uma das coisas que mais me chamou a atenção foi esse vídeo, vindo da palestra sobre Acessibilidade como Fator de Inovação, de Horácio Soares.

Essa palestra me fez encarar a comunicação de uma nova forma. Já me tinha passado, certa vez, as dificuldades que portadores de deficiência passavam para se comunicar ou para ser comunicado. Mas nunca tinha tido um contato mais aprofundado com esse problema. E me fez pensar: será que o conceito de comunicação (= uma ação para tornar comum) está sendo realmente aplicado?

Na palestra, Horácio mostrou como os sites-padrões são pensados para o público majoritário-privilegiado: com uso de um software que anuncia, em voz, o conteúdo mostrado, o site demonstrou uma grande imprecisão para a leitura dos links. É praticamente inacessível, para um deficiente visual, acessar o site.

Horácio ainda citou o exemplo de sites de compras, que seriam muito úteis e atraentes para os deficientes visuais, mas que são muito pouco acessíveis para esse público. Seria uma comodidade e facilidade se esse tipo de deficiente pudesse comprar o que eles necessitam sem sair de casa. Mas parece que ninguém pensou nisso. Nesse mesmo ponto, incluo os idosos, cujos sites poluídos de informação são pouco convidativos.

E nesse assunto, relembro uma frase que, cada vez mais, entendo sua extensão: "O mundo é muito maior do que nós pensamos".

"Todos os filmes são estrangeiros"

By Gabriel Ishida , In

Essa afirmação vem do título do artigo de Arlindo Machado para a revista Matrizes, edição 3, produzido pela Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da ECA - USP.

O sentido de estrangeiro tem uma conotação diferente do exótico. Exótico é um estranhamento positivo, quando você se interessa por algo por ele ser diferente do seu habitual. Estrangeiro é derivado direito do estranho e aqui a conotação tem um sentido negativo. Estrangeiro é algo desconhecido, que impõe medo justamente por sua imprevisibilidade.

Tomando esse conceito, Machado defende que a "estrangeirização" dos filmes vêm em duas ocasiões: na legendagem e principalmente, na dublagem.

A legendagem atua na estrangeirização do ato fílmico. O cinema é audiovisual. A experiência de ser envolvido pelas imagens e pelos sons é interrompido por uma concentração em seguir as legendas presentes na tela. Será que a experiência com e sem legendas é a mesma coisa?

A dublagem é a estrangeirização principal. É uma questão de desterritorialização da diegese fílmica. Como um filme, feito sob uma diegese indígena, as falas estão em inglês ou em português, como é nosso caso? Nesse ponto, vejo que Machado segue uma linha bem semelhante à defendida por André Bazin, em que o realismo fílmico deve ser seguido com o máximo rigor. Nesse caso, Machado defende um "cinema de sotaques", ou seja, a plena autenticidade dos fatos lingüísticos e também sociais.

Machado, ao mesmo tempo que defende essa autenticidade bazaniana, também encontra dificuldades em estabelecer uma solução que não comprometa o entendimento fílmico pelo público globalizado. Uma das soluções apontadas por ele é incorporar esses "estrangeirismos" na linguagem fílmica, ou seja, transformar legendas e dublagens em elementos da própria diegese fílmica.

A concorrência entre as redes sociais

By Gabriel Ishida , In

Incrível como as leis de mercado também se aplicam para as redes sociais. Durante algum tempo, acreditava que havia um desdobramento, até mesmo no nível de estrutura, dessas leis de mercado que conhecemos (= oferta, demanda e valor de troca), mas agora vejo que não há um desdobramento, é apenas uma adequação para os novos tempos que vivemos.

Até mês passado, não havia uma concorrência clara entre o Facebook e o Orkut, isso no nosso âmbito nacional (já que o Orkut só é majoritário no Brasil e na Índia). Lá fora, havia uma rivalidade não-direta entre Facebook e MySpace, apesar de ambos serem, na teoria, diferentes enquanto recursos. Mas últimas pesquisas indicam uma queda no MySpace e um crescimento do Facebook.

Ao que percebo, o Facebook possui uma infinidade de possibilidades e esse leque é mais atrativo do que redes especializadas e focadas, como o MySpace. Além disso, o MySpace sofre com o crescimento do Twitter, já que o Twitter anda servindo como um canal/painel dos artistas/celebridades para direcionar o tráfego para seus sites/blogs pessoais, dispensando canais intermediários como MySpace e Youtube.

E no começo do mês, o Facebook lançou uma clara tentativa de migração do Orkut para sua rede social: agora existe a possibilidade de você descobrir se algum contato do Orkut possui Facebook e assim, adicioná-lo. Eu mesmo usei esse recurso e funciona. Quase tripliquei meus amigos no Facebook.

O objetivo disso é claro: utilizar a rede social mais popular no Brasil para conseguir mais hábito de uso no Facebook. É lógico, se uma rede social tem mais amigos, eu vou utiliza-la com mais freqüência. E o troco do Orkut vem logo mais: um novo visual, com recursos muito parecidos com o do Facebook, como aquela barra de compartilhamento, ao estilo de Twitter. E o grande atrativo é a possibilidade de personalização do seu perfil, com cores e templates novos.

E para quê toda esse investimento em abocanhar mais tráfego e uso? Simples, atrair receita publicitária. É naquela velha lei da televisão: audiência = publicidade = dinheiro.

É, certas coisas não mudam.

As três visões da comunicação de Sfez

By Gabriel Ishida , In

Muito interessante a divisão que Lucien Sfez estabelece em seu livro "A comunicação". Basicamente, ele separa a comunicação em três visões: representacional, expressiva e confusional.

Representacional, ou visão das máquinas, é uma vertente utilizada pelas primeiras pesquisas norte-americanas em comunicação de massa (Lasswell, Lazarsfeld, etc.) além dos críticos de Frankfurt. Ela deriva da Teoria da Informação de Shannon e Weaver e consiste no distanciamento observacional do sistema comunicativo. É ver o meio apenas como um canal de transmissão. O meio é neutro, apenas utilizado para a transmissão da mensagem. Quem tem poder aqui é o emissor. Ele que rege as determinações do conteúdo. Atualmente, essa vertente ganha força com os experimentos teóricos da Inteligência Artificial, pois se entende que o emissor (os programadores e cientistas) possuem papel primordial na construção do sistema artificial de inteligência.

Expressiva, ou visão do organismo, é a vertente utilizada pela Escola de Chicago, Palo Alto e Estudos Culturais Britânicos. É entender a comunicação como parte natural de um todo (o Creatura de Bateson). Para Bateson, não há uma distinção entre emissor, mensagem, meio e receptor. Essa distinção é desconsiderar a comunicação como processo natural do ser humano. O meio faz parte do todo, ou seja, seu uso é determinado para expressar algo comunicativo dos seres humanos. É como se a comunicação fosse algo latente nas pessoas e que o meio é a "faísca" (= oportunidade, canal) para que as pessoas se comuniquem. Aqui, quem tem o poder é o receptor. O receptor tem o mesmo nível hierárquico do emissor, pois o entendimento da mensagem depende, exclusivamente, do receptor. E esse também tem o papel fundamental da circularidade da informação, ao se tornar emissor, formando um círculo orgânico da comunicação.

Confusional, ou visão do tautismo, é a vertente utilizada pelos atuais estudos da Cibercultura, principalmente os voltados para a questão do simulacro e realidade virtual. A distinção emissor, meio, mensagem e receptor é multinivelada, ou seja, existem várias camadas dessa distinção, pois, para a visão confusional, vivemos em diferentes realidades comunicativas. Isso é causado pelo efeito que os meios de comunicação fizeram em nossas vidas. Atualmente, o ser humano é indissociável ao meios de comunicação. Sua identidade e suas atitudes são moldadas de acordo com os meios de comunicação e o universo que cada um cria. Para Chomsky, um ser humano sem meios de se comunicar não é um ser humano. A comunicação representacional e a expressiva se misturam, pois tudo depende da visão de realidade que é adotada. Aqui, quem tem o poder é o meio, pois ele é quem molda a realidade do ser humano, tornando-se indispensável e indissociável à nossa condição humana.

A reverberação da convergência

By Gabriel Ishida , In

Incrível que, após o término da leitura do livro "Cultura da Convergência" de Henry Jenkins, a questão da convergência e suas implicações ainda reverberam na minha mente. Percebi que a questão proposta pelo livro abriu horizontalmente minha visão sobre a convergência, tanto em camadas quanto em focos.

Por exemplo, ontem li um texto que discutia as privatizações na comunicação na década de 90, tanto no Brasil quanto no mundo. E vi um exemplo da convergência no nível econômico-industrial.

De acordo com o texto, até 2013, existirão apenas dez grandes conglomerados midiáticos em todo o mundo. E em um segundo patamar, no máximo vinte conglomerados, porém todos ligados aos dez maiores. A convergência tecnológica e de linguagens possibilitou uma série de fusões, aquisições e parcerias entre, até então, diferentes mundos da comunicação.

Se até o fim dos anos 80 havia uma separação clara entre telecomunicações, informática e mídias, hoje essas fronteiras são diluídas. Não conseguimos distinguir quem é o quê. As organizações Globo são o quê? São tudo: provedor de internet, canal aberto e pago de televisão, jornal impresso, produtora de cinema, portal de informação, entre tantos outros meios. Ela e todos os grandes conglomerados.

Existe uma espécie de "transmidiatismo" como tendência no mundo da comunicação. Já não basta ser apenas jornal; tem que ser informação. E se entende isso como objeto de consumo, independente de como for consumido. E as formas de consumo, atualmente, não são únicas e independentes. Ninguém se informa apenas por um meio, e muito menos se contenta com apenas um.

O futuro da tecnologia da informação?

By Gabriel Ishida , In



Dando uma pausa no livro "Cultura da Convergência" de Henry Jenkins, eu achei revolucionário esse vídeo chamado Sixth Senses, produzido pelo MIT, anunciando o futuro da tecnologia da informação.

Um dispositivo capaz de agregar informação à elementos da vida real, como se fosse uma Web semântica móvel. Essa tecnologia coloca os conceitos de mobilidade e acesso a informação no seus patamares mais extremos do aspecto social.

Incrível como uma tecnologia, capaz de permitir o manuseio dos dados em qualquer superfície e local e de fornecer informações detalhadas instantâneas, pode nos fazer refletir sobre quão as tecnologias móveis atuais ainda podem evoluir.

Penso o que seria necessário para essa tecnologia entrasse no nosso cotidiano e qual o impacto disso na sociedade. Uma conexão com a internet, um dispositivo sem fio (Bluetooth, talvez) para o manuseio dos dados e um projetor parecem os essenciais. E talvez alguma marca que seja identificável por essa tecnologias nos produtos e elementos, para a exibição da informação.

O impacto disso, numa análise bem superficial, é a mudança do cenário para os celulares. Uma tecnologia que realiza todas as funções do celular e ainda proporciona um acesso mais complexo da informação, com certeza deixaria o celular numa posição difícil de ser sustentada. O que pode ocorrer é uma adaptação da linguagem do celular, como ocorreu com os outros meios de comunicação (rádio e mídia impressa) com a chegada da televisão.

Também penso num reforço da tendência do "cloud computing" para os computadores móveis. Com uma tecnologia que possibilita o acesso móvel a informação proporcionada pela Web, além de uma plataforma para uso multímidia, os laptops passarão a serem apenas netbooks, ou seja, pequenos computadores portáteis com acesso a Web e nada mais. E a Web seria o local com toda gama de recursos necessários para a vida profissional e pessoal. Talvez aí surgiria uma adaptação do uso do computador de mesa, ficando apenas focado aos trabalhos pesados, como edição de vídeos, etc.

Narrativa transmídia ou Transmedia Storytelling

By Gabriel Ishida , In , ,

Interessante o conceito de narrativa transmídia (=transmedia storytelling), definido por Henry Jenkins no seu livro "Cultura da Convergência".

O capítulo 3 do livro utiliza, como grande exemplo, o aparato narrativo da trilogia Matrix dos irmãos Wachowski.

Jenkins cita que a narrativa de Matrix não está concentrada apenas nos filmes. Está presente em mais outras mídias (animação, quadrinhos e games) da série. E todos contribuem para o entendimento geral do universo do filme.

Jenkins afirma que o conceito de narrativa transmidiática é a narrativa fragmentada (ou distribuída) em diversas mídias, porém, não sendo interdependentes entre si. Um exemplo: você irá entender o universo da trilogia dos filmes de Matrix sem precisar jogar o game. Mas se você jogar o game, você irá entender melhores detalhes desse universo. Descobrir detalhes e motivações extras, que aprofundam a narrativa e a psicologia dos personagens.

No transmídia, todos os suportes contribuem para a construção do universo, não se concentrando apenas em um. Brinquedos e vendas de acessórios dos filmes, para Jenkins, não é transmidiático. Apenas um reforço da marca (franchising).

Jenkins aponta que a atual indústria do entretenimento está aprendendo a utilizar o transmídia em suas obras. Mas ainda vê com certo receio, pois ele exige uma grande aproximação e participação do público com a obra, além de um bom montante de investimento.

Ao meu ver, o transmídia pode ser melhor aprofundado. Matrix, querendo ou não, concentra a maioria do seu universo nos filmes. Ou seja, se vermos a animação Animatrix, jogarmos o game e lermos os quadrinhos, teremos entendido o núcleo do universo, mas faltará aquele toque mais revelador, presente nos filmes. Parece-me que o cinema não está no mesmo nível que as outras mídias. Entretanto, é fundamental que a história presente nos filmes estimule o espectador a explorar o conteúdo das outras mídias.

Mas é extremamente interessante esse conceito, pois é a convergência tecnológica afetando a forma criativa, num exemplo claro da teoria de McLuhan ("o meio é a mensagem"), em que as características de cada mídia atuam, cada uma de forma única.

UPDATES: Para um conteúdo mais aprofundado sobre Narrativa Transmídia, explore o tumblr Oficina Transmídia. Também se pode pesquisar pelos posts do blog.

O nível mais puro do transmídia, de acordo com Nuno Bernardo, seria o Transmídia Orgânico. Clique aqui e leia nosso post sobre esse conceito.

Eu e o Fernando Collaço criamos uma metodologia para analisar e entender um projeto transmídia. Leia mais sobre nossa pesquisa aqui.

Creative Commons

By Gabriel Ishida , In

Devido a uma infecção estomacal que contraí na segunda-feira passada, estou em total repouso e por isso, vou ficar devendo para vocês mais uma resenha do livro "Cultura da Convergência" de Henry Jenkins, na qual estou lendo atualmente.

Porém, deixo nesse post esse vídeo, feito há 8 anos, sobre Creative Commons. Mesmo sendo bem ultrapassado, em termos de Web, eu considerei bem atualizado.



Fonte: Brainstorm.

A convergência de Jenkins

By Gabriel Ishida , In

Bom, agora a minha atual leitura é "Cultura da Convergência" de Henry Jenkins, considerado o sucessor de Marshall McLuhan no estudo da comunicação.

Na introdução do livro, Jenkins passou um resumo de todas as idéias que o norteiam em sua análise de casos (Matrix, Harry Potter, American Idol, entre outros). E a principal reflexão é em relação a idéia de convergência midiática.

Para Jenkins, a idéia de convergência dos meios não pode ser encarada apenas pelo seu lado tecnológico. A convergência é também marcada pelo estabelecimento de protocolos. Protocolos são traços econômicos, sociais, culturais, comportamentais e políticos que a convergência trouxe para a comunicação. E se entende: são maleáveis, ao contrário do suporte tecnológico. Sendo assim, Jenkins entende que a convergência é algo mais complexa por conta desses protocolos, pois ela se faz na relação e na mente dos que são atingidos por ela.

Um exemplo mais aparente é a questão da caixa preta. Para Jenkins, atualmente os aparelhos convergem várias funcionalidades em torno do hardware, mas ainda não há uma total convergência. Um exemplo: em nossa sala de estar, identificamos várias "caixas-pretas": o home theater, a televisão, o videogame, etc. Todos possuem variadas funções além da sua original. Outro exemplo é o celular: os celulares fazem tudo, além de telefonar movelmente.

Essa convergência tecnológica acarretou diversos protocolos. Nossos hábitos e relações que temos com as mídias mudou drasticamente. Não ficamos mais passivos a informação: relacionamo-nos com diversos suportes para se obter a informação ou para puro entretenimento.

O principal protocolo, para Jenkins, é o choque entre comunicação corporativa e comunicação alternativa. Jenkins nota que existe uma crescente centralização dos grandes conglomerados em torno dos meios de comunicação. Atualmente, não existe empresa de comunicação que não lide com vários meios. Mas, ao mesmo tempo, existe um crescimento exponencial na participação dos consumidores em produção de conteúdo. Esse choque, ao ver de Jenkins, será crucial para definir um dos rumos da convergência: se haverá um total frenesi anárquico ou um controle totalitário e rígido da comunicação.

É clara a idéia de que estamos numa era de transição. Para Jenkins, não está claro como vai ser ou como são as coisas. Os protocolos se reciclam a cada momento e novos paradigmas são construídos. O que vemos, no momento, são protocolos sendo jogados fora, sendo criados, sendo usados ou simplesmente sendo ignorados. E define três pontos de vista dos protocolos: tecnológico, cultura participativa e inteligência coletiva.

E por isso que Jenkins alerta: ou você aceita e encara as mudanças ou você se perde em seu rumo.

Socialnomics

By Gabriel Ishida , In



Interessante esse vídeo informativo feito por Eric Qualman do Socialnomics, um blog bem legal sobre redes sociais e sua transformação na sociedade.

Ao mesmo tempo, lembro de uma propaganda veiculada em determinados sites e blogs que diz: "Você acha que a internet não é uma mídia de massa?" e passa vários dados com números expressivos sobre a internet. Aí cai naquela velha história que já frisei aqui no blog uma vez: pensar que a Web é como uma praça de audiência, nos moldes da televisão, ou seja, uma visão de comunicação de massa.

Apóio totalmente valorizar a internet enquanto palco de inovações na comunicação. Mas levar essa idéia em prol de uma visão massificada, de busca pelos dados quantificativos, é regressão.

Acho que estamos vivendo um momento de construção de um novo "paradigma da audiência", cuja interatividade e a segmentação são os pilares. Holografia, Realidade Aumentada, etc, tudo faz parte. E convenhamos, são formas bem diferentes de recepção em comparação ao rádio e a TV.

E para finalizar: não sei o motivo do boom em propagandas no cinema. Óbvio que o espectador está mais focado, sem dispersões como a TV possui, mas é o modelo conservador. Eu vi coisas bem interessantes que buscavam diferenciar do simples comercial cinematográfico que talvez sejam a saída, mas mesmo assim, cinema é lugar para ver filme né?

Encontrando modelos de negócios em Web

By Gabriel Ishida , In

Finalmente alguém desistiu de enfrentar a Web e percebeu que ela é um modelo de negócio, ao invés de vê-la como um obstáculo.

Radiohead não voltam a gravar álbuns

Apesar que, confesso, existe uma certa aura, enquanto fã, de ter o CD do seu grupo favorito, de escutar no aparelho de som ou no carro e até mesmo de ter o encarte do álbum em mãos. Mas precisamos ser realistas: esse é um modelo que não vem rendendo para os grupos musicais. Primeiro veio a pirataria: com a ascensão da tecnologia de gravação e cópia de CDs, surgiram os CDs falsificados, que todos conhecemos e que são vendidos em todas as esquinas. Segundo veio o compartilhamento P2P, download de MP3 e tudo que conhecemos para troca de arquivos.

Ou seja, são duas frentes contra uma indústria que existe há quase cem anos. Estava na hora de reciclagem do modelo. E parece que o Radiohead deu o primeiro passo, o pioneiro.

Algumas outras bandas e cantores já fizeram isso, como o Green Day, mas desistir da gravação de álbuns, pelo que sei, o Radiohead será a primeira grande banda.

Sempre defendi que a Web oferece modelos de negócios para qualquer setor, até mesmo para o tão complicado jornalismo. O Wall Street Journal, por exemplo, vai cobrar por conteúdo segmento e avulso de determinadas áreas, mas manterá gratuito o conteúdo geral. É, ao meu ver, o modelo mais viável, apesar que acho que a ecologia da informação já não circula como era há 30 anos atrás.

O grande problema é que ainda existem comportamentos que vão contra a maré da Web. Como ir contra o meio de comunicação que mais cresce nesse século? Dizem que a Web não oferece muitas alternativas viáveis comercialmente. Mas acho que primeiro deve tirar todo preconceito e preceitos do século passado da cabeça e depois refletir sobre modelos em Web.

Para mim, falta mais atitude de pensamento do que modelos de negócios na Web.

Modelo "Grande Irmão" de Benkler

By Gabriel Ishida , In

A outra teoria para o futuro da internet, presente no livro "Conectado", vem do professor de Direito da Universidade de Yale, Yochai Benkler.

Em seu livro "The Wealth of Networks", Benkler dialoga com Adam Smith, no sentido de que a internet desafia o modelo produtivo industrial surgido com o liberalismo por estimular a formação de uma economia baseada na cooperação e no compartilhamento de informação e conhecimento, onde o dinheiro deixa de ser o único impulsionador de relações produtivas em grande escala.

Ao permitir que cada um se expresse, que busque informações e se articule com maior independência, a rede subverte o poder das corporações que vendem entretenimento e mediam a comunicação pública. As forças do mercado não aceitarão pacificamente esse movimento de descentralização econômica e, para preservar privilégios, estão agindo com o consentimento dos governos contra os interesses da sociedade em relação à defesa da justiça e da liberdade.

Para Benkler, a internet reverteu a transformação da indústria cultural. A informação e o conhecimento, incluindo o entretenimento, eram tratados como mercadorias e parte integrante da economia. Com o advento do computador pessoal e do barateamento do acesso a Web, Benkler afirma que estamos numa nova fase da economia da informação, chamada "economia informacional em rede".

Essa nova economia é totalmente contrária aos propósitos de propriedade e contrato, propostos pelo modelo de produção capitalista-liberal. Sendo assim, as grandes interessadas ( = os conglomerados midiáticos, incluindo gravadoras, produtoras de entretenimento, agências de notícias, etc.) disputam, através de mecanismos de controle, a ecologia do ambiente digital. E isso já se dá em três níveis: hardware, software e legislativo.

1 - Hardware: há uma pressão por parte dos conglomerados para que os fabricantes de computadores e de componentes físicos para a Web incluam mecanismos de controle para material protegido por direitos autorais.

2 - Software: programas e sites que disponibilizam conteúdo de entretenimento estão sofrendo pressões para se pagarem devidos direitos ou uma taxa de uso para os conglomerados. Além disso, conglomerados buscam maneiras de se padronizar um selo digital para produtos culturais, como se fossem produtos empacotados fisicamente.

3 - Legislativo: Diversos mecanismos legais estão podando a liberdade de se expressar e de compartilhar informação, sob ameaça de pena jurídica. Alguns casos chegam a ser censura e proibição da liberdade da expressão.

Para Benkler, o cenário que vemos atualmente irá chegar ao seu nível maior: o "Grande Irmão". Governos e conglomerados controlarão o ambiente web, tendo acesso ao que você lê ou compartilha. Será vigilância total e perda de liberdade de ação. Benkler cita o exemplo do rádio, quando surgiu no começo do século XX, em que surgiu como um meio de comunicação "alternativo e libertário" à mídia impressa. E com o passar do tempo, foi regularizado e sofreu sanções que refletem até hoje, no controle da abertura de emissoras, etc.

Para concluir, Benkler defende que o modelo "Grande Irmão" mudará radicalmente a Web como conhecemos, assemelhando-se a televisão na sua forma de produzir conteúdo. Além disso, modelos censuratórios como na China e Coréia do Norte serão modelos a serem seguidos pelo "Grande Irmão", sendo até piores, pois haverá um dispositivo legal para que se aperfeiçoem os mecanismos de controle.

Acho difícil que um modelo de controle seja imposto na Web. Assim como existem grupos que defendem o controle, há grupos que defendem a liberdade. Creio que chegamos num ponto que a liberdade tem força semelhante aos grandes grupos. Só vermos a reação pública à censura que Sarney impôs a diversos jornais e sites.

O modelo utópico de Kelly

By Gabriel Ishida , In

Os últimos capítulos do livro "Conectado" de Juliano Spyer se dedicam a traçar alguns possíveis rumos para o cenário da Web no futuro. Spyer destaca dois raciocínios, não totalmente excludentes um do outro: o modelo utópico de Kelly e o modelo "Grande Irmão" de Benkler. Apresento no post de hoje o modelo de Kelly.

Kevin Kelly, em seu livro "Out of Control" (um dos inspiradores da trilogia Matrix), afirma que, no futuro, a relação entre homem e máquina será retroalimentada e, assim, não haverá mais distinção entre ambos. As duas entidades formarão a nossa identidade. Basicamente, não serei Gabriel Ishida se não tiver uma identidade na Web, como perfil em Orkut, twitter, etc. Meu RG e CPF não valerão nada se eu não tiver interconectado.

Kelly acrescenta que o sistema de identificação dos cidadãos será totalmente online, num cenário bem parecido com o que vemos no filme Minority Report. Além disso, todas as ações sociais serão também afetadas por essa nova relação. Para Kelly, isso é muito bom, pois, em suas palavras: "Quando a união do nascido e do fabricado estiver concluída, nossas criações vão aprender, se adaptar, se consertar e evoluir. Esse é um poder que nós dificilmente sonhamos até agora".

Esse poder é o "poder da emergência". Steve Johnson afirma que esse poder da emergência é quando o resultado do coletivo é maior do que a soma simples das partes, ou seja, o sistema passa para uma nova fase. Assim, Kelly defende que a junção das duas redes (neural e ciber) com as relações individualizadas formará uma nova rede, um novo modo de vida, um novo acesso ao conhecimento nunca visto antes. E tudo descentralizado, tudo em rede, no seu conceito mais puro.

Para finalizar, Kelly afirma que as pessoas nascem espontaneamente plugadas à rede. Não são escravas, mas não são livres. Sua condição de indivíduo deixa de existir ou pelo menos ser relevante, da mesma maneira como as células do nosso corpo se constituem em seres individuais que abdicam de sua autonomia em nome da sobrevivência coletiva em um novo estágio evolutivo.

Acho extremamente exagerada essa idéia, de retroalimentação contínua. Acredito que, realmente, no futuro dependeremos das máquinas e da Web para realizarmos nossas atividades, até as mais banais e cotidianas, como fazer compras do mês, mas não perderemos nossas identidades enquanto indivíduos. Apesar que acredito realmente que não haverá mais documentos físicos: tudo será pela rede. Mas duvido muito que o trabalho e contato humanos sejam perdidos assim, mesmo com esse domínio das máquinas.

Como você aceita uma nova rede social?

By Gabriel Ishida , In

Recebi um convite para ingressar na rede social Sonido há algum tempo por um amigo. Ele dizia: é um Orkut bem melhorado. Tem mais recursos, a interface é mais legal e os aplicativos são bem mais interessantes.

Aí, na lógica normal das coisas, você pensa: então você está usando o Sonido agora, certo? Errado. Mesmo com tantas coisas que achei melhores, eu acessei duas vezes o Sonido: uma para criar a conta e outra para ver o que tinha nele. Só.

Eu me avaliei, enquanto usuário de internet, e pensei: por que ele não me chamou a atenção? Ele é, ao meu ver, melhor do que o Orkut em termos de usabilidade, mas mesmo assim...

Foi nesse caso que percebi a aplicação prática da principal idéia do livro que li anteriormente chamado "Posicionamento, uma batalha por sua mente" de Jack Trout e Al Ries: Posicionamento.

O Orkut foi a primeira rede social que eu abracei e utilizo com grande frequência até hoje. Já tive duas contas (a primeira foi hackeada) em seis anos de uso. Em minha cabeça, o Orkut foi pioneiro e está posicionado como "a rede social que uso socialmente". Aí veio o Facebook, que logo criei minha conta nele e comecei a explorar. Mas ele não substituiu o Orkut, pelo contrário. Os dois se complementam, no meu caso. O Orkut para relacionamento com meus amigos e o Facebook para utilizar seus aplicativos e sua convergência de dados. Resultado: utilizo os dois com a mesma frequência atualmente. O Facebook está posicionado como "uma rede social que me divirto". Também uso o Drimio e o LinkedIn, só que com menos frequência. Eles estão posicionados como "rede social que me informo sobre as marcas que gosto" e "rede social que faço contatos profissionais", respectivamente.

Assim sendo, o Sonido não tem espaço para se posicionar em minha mente. Como diz o livro, é quase impossível você tirar uma marca bem posicionada na cabeça dos consumidores. É necessário encontrar um novo posicionamento. Era necessário uma nova atratividade para que eu utilizasse o Sonido.

Lógico que tem outras variáveis, como número de pessoas que participam da rede social. Mas acredito que a questão do posicionamento é a predominante.

O valor da comunidade virtual

By Gabriel Ishida , In

Interessantíssimo o capítulo 8 do livro Conectado de Juliano Spyer, o qual estou lendo atualmente. O assunto é comunidades virtuais.

Comunidades virtuais, antes de mais nada, não significa apenas o Orkut (= está inserida). Aliás, esse recurso do Orkut é um dos milhares de exemplos. Mas o grande representante é o fórum.

O que mais chama atenção nesse capítulo é a parte destinada a motivação das pessoas em participar dessas comunidades. E nesse ponto, temos que olhar para nosso umbigo.

O que me motiva a participar de uma comunidade virtual? Primeiro é a ementa. Qual assunto é abordado? Isso é primordial, para qualquer um. Mas o segundo é o mais importante, ao meu ver, que torna o primeiro talvez uma camada secundária: a participação das pessoas da comunidade. E isso naturalmente gera conteúdo.

E isso é fato. Se uma comunidade tem como assunto principal a culinária, eu obviamente não vou ter muito interesse. Mas se o papo e as informações que circulam entre os participantes for interessante, mesmo sendo de um assunto que não gosto, eu vou pelo menos dar uma olhada nessa comunidade.

Spyer defende que o capital social presente nas comunidades é o grande triunfo e o que gera tantas reflexões e debates sobre a Web em nossas vidas. O que motiva as pessoas a participarem de comunidades com tantas pessoas estranhas de todos os cantos do mundo, buscando trocar informações de graça com outros interessados? O que motiva as pessoas a gastarem um tempo de seu dia para visitar e acompanhar essas comunidades? Para Spyer, tudo gira em torno da circulação de informação e seu valor para cada internauta.

O que ganho postando no meu blog ou em comunidades virtuais, informações que aprendi ao longo da minha vida ou experiências que passei? Nada, fisicamente. Mas o reconhecimento e a troca de informações que obtenho com outras pessoas sobre meus posts já valem todo esforço. A possibilidade de conversar com pessoas que nunca vi na vida sobre assuntos de interesses mútuos é o capital social que me estimula a continuar postar. E isso vale também quando leio e comento outros posts de pessoas estranhas.

E como defende o teórico Jean Paul Jacob, o grande valor da cibercultura vem da sabedoria e construção coletivas que o novo paradigma de circulação da informação adquiriu. A comunidade virtual possui um sentido único, um capital social que apenas o coletivo pode proporcionar. Não é uma simples soma de valores de cada participante: tem um novo fator social a ser acrescentado.

Comunidade virtual: 1 + 1 não é igual a 2. É igual a 3.

Resenha do livro "Posicionamento: a batalha por sua mente"

By Gabriel Ishida , In , , ,

Finalmente, irei fazer um pequeno resumo das principais idéias do livro "Posicionamento: a batalha por sua mente" de Al Ries e Jack Trout.

Dizem que é um dos principais livros do mundo do marketing. Realmente, existem inovações naquelas 210 páginas. Mas o mais importante são as idéias que eles passam sobre posicionamento.

Primeiro que posicionamento não é uma batalha com sua concorrente. Não existe "combate frontal". A idéia de posicionamento é justamente evitar confrontos diretos e conquistar novos terrenos. Por exemplo: aparentemente, Mc Donalds e Burguer King são concorrentes diretos. Sim, são na mesma área de fast food. Mas qual imagem que cada um te passa quando Mc Donalds e Burguer King são mencionados? Eles passam a mesma imagem para você? Se não passam, é porque eles são posicionados diferentemente em sua mente.

Nesse conceito, os autores defendem um certo costume do olhar humano: "nós vemos o que queremos ver". Para eles, o ser humano é conservador: espera algo que lhe interesse. Sendo assim, se o Mc Donalds redefine seu posicionamento de uma hora para outra, as pessoas irão rejeitar, pois o seu olhar condicionado e agradavel é o Mc Donalds com seu antigo posicionamento. Por isso que é tão difícil alguma impressão ou idéia ser mudada na mente das pessoas. É meio que uma inércia do pensamento.

Sendo assim, os autores defendem que a melhor saída é obter um posicionamento totalmente novo na cabeça das pessoas. Ganhar a exclusividade. O Mc Donalds conseguiu seu sucesso no Brasil porque foi o primeiro fast-food com um modelo de lanchonete diferente dos convencionais: drive-thru rápido e eficiente, identidade visual forte, um bom apelo ao público infanto-juvenil e o principal: a idéia do molho especial. O que o Mc Donalds tem que as outras lanchonetes não tem? O molho especial. Esse é a rede de elementos que compõem o posicionamento do Mc Donalds.

Sendo assim, não adianta martelar no mesmo posicionamento que o concorrente. O primeiro que adota um posicionamento na cabeça das pessoas sempre vai ganhar. A Xerox é líder de copiadoras, tanto é que nos referimos a fotocópias por xeroxs. Mas ela foi se aventurar no campo das máquinas fotográficas, tentando levar o peso do seu nome contra a Kodak. Perdeu, porque simplesmente não ofereceu um novo posicionamento no campo das máquinas fotográficas. Quis bater de frente com a Kodak, a pioneira.

Para os autores, não adianta: se quer ganhar espaço, tem que ter uma idéia diferente. Achar uma brecha, uma carência no mercado. A Heineken se posiciona como uma cerveja dos futebolistas e ganha uma boa fatia do mercado tão disputado de cervejas. A Adidas também segue o mesmo raciocínio, no campo dos calçados. Por isso que é bom reconhecer as segmentações do público, não considerar o público como uma massa amorfa.

E isso vale para todos os campos da comunicação, não só o marketing. Vejo o livro como um bom alerta de como devemos ver o público com quem nos comunicamos. O conceito de posicionamento não é só válido para o marketing, e sim para tudo que fazemos na comunicação. Reconhecer a diferenciação de públicos, lidar com novas idéias, estudar como somos vistos pelos outros são princípios que regem todas nossas atividades.

Ah, o próximo livro será "Conectado: o que a internet fez com você e o que você pode fazer com ela" de Juliano Spyer.

UPDATES: Para entender um dos pilares do posicionamento, que é o branding, veja esse post sobre logotipo.

Veja esse exemplo de tentativa de reposicionamento da Polaroid.

As tentativas de quantificar a Web

By Gabriel Ishida , In

Eu andei lendo em muitos textos na Web sobre formas de criação de métricas para a Web. Uma das grandes dificuldades encontradas pelos especialistas é determinar o raio de influência que determinado assunto/marca pode alcançar. Contagem de visitantes únicos já não serve para quase nada: todos especialistas em Web sabem que o importante é saber qual grau de viralização que esses visitantes possuem. O que adianta ter um milhão de visitantes únicos se um pouco mais de mil espalham o conteúdo do site? É preferível que tenha cinco mil visitantes, mas dois mil serem “viralizadores”.

Tentativas de medição de pontes de links e busca por fontes de referência são as tentativas mais usadas para ter um controle desse raio de influência. Serviços como Blogspot, WordPress, Analytics e entre outros já possuem um medidor de referências que determinado link possui em outros sites. Mas sabemos bem que não basta eu apenas “copiar e colar” o link e mandar para outra pessoa, via Twitter, blog, Orkut, etc. O que realmente importa é o elemento indexador que vem com esse link, e aqui caímos para o poder do comentário. O que adianta ter um milhão de pessoas rebatendo seu link mas se todas elas falarem mal de seu site?

Essa questão do comentário é o mais primordial, ao meu ver. Mas tem outros pontos ainda obscuros. Como medir se alguém é viralizador ou não? Existem várias formas de viralizar algo. Postar no Twitter não é a mesma coisa do que mandar via scrap para um amigo. São raios de alcance diferentes e com características próprias, assim como postar no blog, comentar por fórum, etc. Além disso, a própria forma de contagem de visitantes tem sérias dúvidas. Tudo por conta do tempo de navegação. O que adianta ter um milhão de visitantes únicos no mês mas se todos ficam 10 segundos em seu site? Como sabemos, o buscador Google é uma das formas mais usadas para buscarmos algo na Web. Se eu entro em um site indicado pelo buscador do Google e vejo que não é o que eu quero, eu simplesmente saio sem ler tudo. Mas mesmo assim eu sou contado como um visitante único, só por ter entrado no site. Atualmente, existem medições de tempo médio de navegação no site para os visitantes, mas mesmo assim, tempo médio, como o próprio nome já indica, é uma média. Um internauta ficar 10 minutos navegando no seu site e outro ficar 10 segundos não é a mesma coisa que os dois tenham navegado um pouco mais de 5 minutos cada. Sabemos bem disso, como usuários médios da internet.

Por isso que defendo que não dá para medir com precisão a maioria das coisas da Web. É tudo muito subjetivo e segmentado. É caso a caso. Então, que tal as pessoas verem a internet como rede de relacionamentos e incentivador de integrações ao invés de um Ibope online?

A minha incompreensão do medo que há das redes sociais

By Gabriel Ishida , In ,

Primeiramente, aconteceu hoje uma grande perda na música. Michael Jackson, você morre como coitado mas entra para história.

Agora vamos ao post. O artigo inspirador é esse, do Tiago Dória.

É de uma intensa incompreensão lógica para mim esse tipo de atitude. A Associated Press ainda está sendo "liberal" em comparação com outros casos que vi anteriormente. Proibir funcionários e membros da empresa de se expressar sobre a empresa, deletar conteúdo relacionado, não utilizar de forma livre as redes sociais, etc. me faz pensar: o que passa na cabeça da administração dessas empresas?

O que uma empresa ganha proibindo a integração de sua equipe com seu público? Será que eles tem tanto medo do que eles possam transmitir? Se é assim, então para quê serve o endomarketing? Só pode ser isso.

Eu me sentiria muito mais próximo e valorizado se algum CEO ou qualquer funcionário de uma empresa que gosto se comunicasse comigo diretamente, como acontece no Twitter. Não é bom saber que alguém está te ouvindo? Parece que essas empresas não entendem o que se passa na cabeça de seu público.

A única razão compreensível, isso no caso das agências de notícias, seria no fato de que se todo quadro de jornalistas colocassem as notícias da agência em seus respectivos blogs em primeira mão e isso vazasse ou fosse usado por uma agência concorrente. Mas, convenhamos, esse lance de "primeira mão" já está ultrapassado. Com as ferramentas móveis da Web, como Twitter, qualquer cidadão pode ser a "primeira mão" de uma notícia. Basta ver os acontecimentos nas eleições do Irã, em que o Twitter foi a principal fonte de notícias, tudo feito por cidadãos iranianos.

Enfim, incompreensível.

Mídias tradicionais nas novas mídias.

By Gabriel Ishida , In ,

Esse post é um complemento do post anterior, pois acabo de receber uma notícia intimamente ligada ao assunto do post anterior.

A fonte dessa notícia está aqui, no blog De Repente.

Primeiramente, qual a ligação entre a notícia e a cultura do compartilhamento? Compartilhamento faz parte da cultura web. Essa, por sua vez, é o novo paradigma da comunicação atual. O fechamento do FizTV é uma perda conceitual para a estruturação desse novo paradigma, pois é fundada na cultura do compartilhamento e da acessibilidade. E o mais importante: demonstra que a lógica da nova mídia não pode ser acompanhada pela lógica da velha mídia.

"O pior de tudo é que o FizTV tinha tudo pra dar certo, repito: uma plataforma que incentiva a produção independente (e até mesmo amadora - o que tem tudo a ver com o clima de colaboração que reina sobre as comunicações) promovendo uma forte relação entre a interatividade da internet e a tradicional estrutura da Televisão com o compromisso acertado de pagar pelo conteúdo disponibilizado pelo usuário." - trecho da notícia.

Conforme apontado pela notícia, o grande problema é que o FizTV esbarrou em dois problemas: na lógica tradicional entre anunciante/audiência e no lobby político que havia no sistema a cabo de televisão.

"Será que vai ser impossível unir uma plataforma bem estruturada, conteúdo audiovisual de qualidade disponibilizado pelo próprio usuário com uma contrapartida interessante para os envolvidos num modelo de negócios sustentável e lucrativo?

O FizTV poderia ter sido a resposta para essa pergunta: preparado para um usuário-espectador (com o perdão da nova regra gramatical) mais participativo, conectado com o produtor independente que busca portas para seu trabalho e com uma proposta financeira eticamente correta (atribuir um valor monetário ao conteúdo produzido pelo usuário). E ele acabou." - trecho da notícia.

Não sei se há um modelo Web para ser atraente para o produtor audiovisual independente. Mas, para mim, o que é claro é que esse modelo ideal não pode seguir a lógica tradicional da velha mídia: deve seguir a sua lógica própria do meio que está inserido, da cultura que está mergulhado. Já vimos o que isso acarretou para o FizTV. Talvez a cultura YouTube ou as Web TVs sejam portas de saída para a busca desse modelo.

Mas é certo: esse modelo tem que ser colaborativo, com visão compartilhada e primor a acessibilidade.

Os dois lados da moeda do compartilhamento

By Gabriel Ishida , In ,

Estou nos últimos capítulos do livro "Posicionamento, uma batalha por sua mente" de Al Ries e Jack Trout e bem provável que meu próximo post seja uma mini-resenha do livro. Mas o assunto desse post é compartilhamento. A fonte da reflexão vem desses dois artigos: aqui e aqui.

O primeiro artigo mostra o perigo de se confiar nas informações que recebemos, principalmente via web. O segundo, apesar de não ser o foco, defende que um dos grandes méritos do Twitter foi incentivar e facilitar o compartilhamento.

Não tenho dúvidas que o Twitter facilitou e incentivou muito mais o compartilhamento de informações entre os internautas. A Web já fazia isso através das redes sociais e seu funcionamento, mas o Twitter parece que facilitou muito mais, algo que não era previsível aparentemente por seus árduos críticos (que agora defendem o fim próximo do Twitter, tanto por ineficiência crônica quanto por saturação de usuários).

Um artigo não discorda do outro, apenas se complementam. Com esse poder de compartilhamento que a Web nos propõe, era mais que lógico que ele seria usado para fins "malígnos". Uma imagem pública pode facilmente ser manchada de dia para noite com uma simples twitada. Mas tudo cai na questão dos filtros.

Lendo esses dois artigos, agora vejo a importância inimaginável dos hubs (filtros humanos) que nos apoiamos para nos informar. Esses seres são o que julgam a informação se é verdadeira ou falsa, se é confiável ou não, se tem base ou não, se é apenas boato, etc. Acho que cabe a cada um escolher seus hubs e dar seu voto de confiança neles. Mas óbvio, não podemos os seguir religiosamente, afinal, eles também são seres humanos e são dotados de interesses. Tudo pode cair para um lado que não gostaríamos de seguir.

Mas eu me informo em igual proporção com os meus contatos que sigo no Twitter (através de links que me passam ou informações em 140 caracteres) e com as notícias que leio em blogs e portais. Como diz um dos artigos, o Twitter já faz parte da minha web-life*

*Tem gente que leva isso tão a sério que transforma o Twitter em um Big Brother virtual e espontâneo. "Agora estou tomando sorvete", "Nossa, comi um pão de queijo no almoço", etc.

Realmente são novos tempos?

By Gabriel Ishida , In

Para introduzir o post, eis a reportagem.

O grande impacto que senti ao ler foi: quase 3 milhões de lares ainda estão despreparados para receber o sinal digital. É muita coisa, para o fato de ser os EUA (um dos tronos da revolução digital) e, pior ainda, pelo fato de que, em pleno 2009, o digital ainda não conseguir tomar todo espaço em um país super-desenvolvido como os EUA.

Essa notícia me fez pensar se o hardware está acompanhando o software. Ou seja, se o aparato está acompanhando todas as mudanças no nível "semântico" (= não sei se é a expressão correta). Presenciamos tantas inovações nas novas mídias (= Web como maior símbolo, além do mobile), como as novas plataformas de interatividade, as novas disposições de rede digital (e novas revisões do próprio conceito) e as novas possibilidades de uso, além de inovações no mesmo patamar nas mídias tradicionais, como os novos paradigmas de criação de conteúdo e reciclagem dos profissionais. Mas será que a estrutura tecnológica está acompanhando essas mudanças profundas? Não digo isso no sentido de inovação tecnológica (= até mesmo porque essa deve estar além de todas essas mudanças) mas digo isso no sentido mais socializado, mais perto de todos nós.

Todas as mudanças listadas acima permeiam nossas vidas. Dedico essa característica graças a revolução da Web: as inovações atingem a massa de internautas (= acho que é aqui que a nova mídia se assemelha com a mídia de massa, vulgo tradicional). Softwares de interatividade móvel também são próximas a nós (= "só" basta comprar um dispositivo móvel compatível), além de outros tantos recursos da nossa vida cibercultural.

Mas vendo a reportagem, questionei duas coisas de imediato: ou a mídia tradicional também inova na mesma velocidade que demorou para se reciclar no surgimento das novas mídias (= que, para mim, eles ainda não atingiram a linha de chegada) ou que a fusão nova mídia (Web e interatividade) com velha mídia (Televisão) é algo que só aponta para o que alguns aficcionados teóricos cyber defendem: ambos não se combinam e a nova mídia é "nova", no sentido de substituir de vez a velha (= o que discordo).

Pensando mais concentradamente, vejo que são as duas opções juntas. A fusão entre dois símbolos aparentemente distintos (Web e Televisão, símbolos maiores da nova e velha mídia) proporcionada pela criação da TV Digital é algo que realmente vai demorar para acontecer, mesmo em países desenvolvidos. Todo processo de fusão entre duas coisas tão diferentes é demorado (= vulgo Dragon Ball Z, em que Gothen e Trunks demoraram um bom tempo para conseguirem se fundir e formar Gothenks). Demorado no sentido de se tornar ao alcance de todos, atingir o nível social de uso. Isso independe de plataforma tecnológica de estrutura e sim de aplicação prática, algo que o hardware é bem mais complicado.

Acontece também é que a velocidade da velha mídia é bem diferente da nova. É nesse ponto que discordo dos cybercults: não é que a velha mídia não sirva para a nova, mas é que são dois contextos diferentes. Basta uma adaptação de sintonia para ambos caminharem juntos (= com o que a TV Digital irá proporcionar). Assim sendo, utilizo o exemplo da pizza: como em maioria das pizzarias, se eu peço meia pizza do tipo X e meia pizza do tipo Y, eu pagarei a pizza inteira com o preço do tipo de pizza mais caro (X ou Y). E é isso que acontece: a velocidade da nova mídia é bem mais dinâmica (= justamente por sua criação ser marcada assim) do que a velha. Então, a velocidade dominante será da velha. A televisão demorou quase 50 anos para atingir sua popularidade, então esperar mais uns três ou quatro anos para a popularização da TV Digital não vai matar ninguém. Talvez mate a raíz da velha mídia (= o que me agradaria bastante).

Drimio, a rede social das marcas.

By Gabriel Ishida , In

Ainda irei falar muito sobre o "Reconhecimento de Padrões" de William Gibson e sobre o novo livro que estou lendo: "Posicionamento, uma batalha por sua mente" dos brilhantes gênios do marketing, Al Ries e Jack Trout, mas esse post é para falar sobre minha nova "aquisição": Drimio.

Drimio é uma rede social feita para as marcas. Sim, o grande lance é estabelecer um canal, convergente, das marcas com seu público internauta. Criei minha conta lá e já estabeleci as marcas que me agradam ou não. E vou passar as primeiras impressões que tive sobre essa rede.

Faz uma semana que criei o perfil. Por essa experiência, acredito que o Drimio consiga um bom espaço na Web. O porquê vem do simples: como defende no livro de Gibson, tudo isso é um padrão. Já deixou de ser tendência as marcas entrarem na Web para defenderem seus valores (= posicionamento) para seu público. Já deixou de ser preocupação a Web dar retorno empírico nos resultados: as marcas sacaram que a Web não é funcional para incrementar as vendas. É tudo questão de posicionamento.

Vejo que o Drimio junta dois padrões: inserção das marcas em redes sociais e a questão da convergência. Convergência não no sentido midialógico que conhecemos (= convergência dos meios) e sim convergência de informações. Com a Web cada vez mais insana e bagunçada em termos de informação, uma rede social que agrega todas as principais marcas é uma grande convergência para nós, clientes em potencial, podermos explorar e comparar essas marcas em um lugar só, com todos em pé de igualdade (= como se fossem perfis de orkut). Pela minha rápida olhada nessa uma semana de uso, pude já imaginar formas diversificadas dessas marcas atuarem nessa rede. E quem tem tudo a ganhar, como espectadores, serão nós.

Para quem curte campanhas de atuação na Web pelas grandes marcas (= como eu), o Drimio é uma ótima pedida e aposto que ainda ganhará sucesso dentro da Web. E aposto ainda que o Drimio será um grande canal de relacionamento entre clientes e marcas, algo buscado em todas as campanhas envolvendo Web.

Reconhecimento de Padrões: o que é isso?

By Gabriel Ishida , In , ,

Finalmente, depois de um mês de leitura, termino o livro de William Gibson, "Reconhecimento de Padroões" e devo dizer que é uma satisfação enorme ter lido o livro e, principalmente, ter tomado contato um pouco do universo cyberpunk da literatura (= não é o cyberpunk ao pé da letra, mas o livro tem raízes bem visíveis desse movimento). Além disso, o livro me fez ler um pouco mais sobre coolhunters, o momento atual da ciberespaço* e sobre algumas variantes do punk.

Irei falar ainda um monte de coisas sobre o livro, mas nesse post vou comentar um pouco sobre o título do livro e o que isso representa, ao meu ver, na comunicação, principalmente na Web.

Uma rápida buscada no Google com as tags "Reconhecimento de padrões" e vejo um monte de artigos científicos, de alto teor empírico e descritivo, sobre o processo de reconhecimento da inteligência artificial dos computadores. Na Wikipedia, o artigo indica justamente a esse campo da ciência da computação.

Mas o interessante é que o livro não faz essa referência, mesmo com a mesma terminologia. No livro, acredito que o título esteja mais ligado ao objeto principal da história e como ele se relaciona com nossa cultura. É complicado eu não dizer alguma coisa da história (= para quem for ler), mas basicamente, o livro trata de questões que nos permeiam cotidianamente, e creio que isso seja parte do processo de reconhecimento de padrão em nossa cultura. Tentarei explicar:

O livro é extremamente atual com nossa vida. Escrito em 2003, o livro retrata muito bem nossa cultura marcada pela Web. Em todo momento há referências de e-mails, o objeto principal do livro vem de um fórum-comunidade da Web e todo um aparato tecnológico que estamos acostumados: iBook, laptops, celulares, etc. E todos essas ferramentas servirão para a protagonista Cayce Pollard, coolhunter (= caçadora freelancer de tendências), para encontrar o autor de um filme que é solto em fragmentos pela Web e anda causando um mistério em torno da narrativa e do próprio criador dessa obra, considerada inovadora e, ao mesmo tempo, uma poderosa ferramenta de comunicação.

O processo de reconhecimento de padrão está em toda essa busca de Cayce pelo criador dessa obra e pela forma como essa obra é vista pelos internautas. Cayce procurou todo suas pistas pela Web. E é esse o primeiro padrão estabelecido no livro: hoje, tudo é encontrado na Web. O mundo está no ciberespaço. Cayce não é nenhuma detetive especializada, mas caça informações como uma, graças ao ciberespaço* e sua vastidão. Ela fez poucos contatos pessoais, e todos esses foram conseguidos pela Web. O livro liga sua habilidade em caçar tendências com seu faro de informação via Web, mas vejo que hoje, 6 anos depois da criação do livro, todos somos Cayce. Um usuário mediano de internet consegue encontrar a maioria de suas informações. E se tiver uma forcinha hacker então, você encontra tudo.

Além disso, a referida obra que Cayce busca saber sobre o criador é um exemplo atualíssimo de como as redes sociais se articulam enquanto redes de informação. Avatares, perfis online e trocas de comunicação são constantes no fórum sobre a obra. É coisa que estamos vivendo hoje, nas redes sociais. E isso é um padrão na cibercultura: essa troca comunitária de informações sobre diversos assuntos que tocam nossas vidas.

Sendo assim, acho que o titulo do livro tem mais a ver com a forma como nos relacionamos com os recentes movimentos da Web. E fazemos isso de forma quase natural: interagindo com novas ferramentas, explorando melhor as possibilidades dos velhos recursos, ou seja, nós mesmos somos coolhunters da comunicação: identificamos as novas tendências e as aplicamos no nosso dia-a-dia. O marketing utiliza da mesma forma, assim como as mídias tradicionais convergem-as para seu proveito, e assim vai. Isso vale tanto para a Web quanto para as novas tecnologias que aparecem a cada dia.

Mas é bom lembrar que por trás de tudo isso, a figura humana é essencial para construção desse universo de padrões. Tudo que Cayce descobriu e desvendou foi intermediado pela comunicação, mas foram os humanos que exerceram o papel fundamental no estabelecimento desses padrões. Portanto, somos interagentes principais da comunicação. Nós que levantamos as tendências, nós que expomos o que está rolando no ciberespaço*, nós que utilizamos as novas tecnologias, enfim, nós somos coolhunters do século XXI.

*o termo ciberespaço foi originalmente criado pelo próprio William Gibson no seu livro clássico Neuromancer, livro que originou a trilogia Matrix.

Jornal impresso e a Web: um não funciona com o outro?

By Gabriel Ishida , In

Quero deixar aqui meus comentários sobre essa reportagem, indicada pelo meu amigo midiálogo Mateus Pavan.

A íntegra está aqui. É bem comprida, mas quem tiver tempo, leia tudo porque é muito interessante.

Vou fazer de um jeito bem funcional: copiarei as partes que eu quero comentar e colocarei o respectivo comentário abaixo.

Para começar, a reportagem é uma troca de cartas entre Steven Johnson, um dos grandes téoricos da atualidade sobre cibercultura (cujo um dos seus livros eu comentei por um bom período aqui no blog - Cultura da Interface) e Paul Starr, jornalista ganhador do Pulitzer. Eles discutem o futuro do jornalismo impresso e na Web. Antes de mais nada, quero deixar claro que tenho uma grande afinidade com as idéias de Johnson e isso talvez ofusque algumas análises que faço, por isso julguem tudo isso como minha opinião dos fatos.

"Acho que existem boas razões para pensar que o sistema de notícias que está se desenvolvendo on-line será melhor que o modelo dos jornais com o qual convivemos nos últimos cem anos.

Uma maneira de enxergar essa transformação é pensar na mídia como um ecossistema.

Na maneira como ela circula a informação, a mídia de hoje é, de fato, muito mais próxima de um ecossistema do que era o velho modelo industrial e centralizado da mídia de massas." Linhas 14-18 - primeira carta - Johnson

Uma visão interessante de Johnson sobre a nova forma da informação. E acho que é assim mesmo: a informação circula entre nós como se fosse ar. E isso tem decorrência tanto na abundância ao nosso redor quanto na forma de produzirmos. Muito mais acessível produzirmos nossa própria informação do que 20 anos atrás. E a forma de as circular é também bem mais facilitada.

"A democracia depende da cobertura noticiosa independente de todos os níveis de governo, especialmente os níveis que respondem diretamente aos eleitores. As pesquisas em ciências sociais mostram que, onde a mídia noticiosa é fraca, a corrupção está muito mais presente. Sem uma imprensa independente capaz de cobrar responsabilidade dos governos locais e estaduais, o projeto básico de uma democracia federal fica comprometido." Linhas 28-32 - segunda carta - Starr

"Embora seja inquestionável que a internet oferece uma diversidade de opinião e acesso a novas fontes, ela não vem conservando o jornalismo profissional generalista em seus níveis anteriores."
Linhas 57-58 - segunda carta - Starr

Na realidade, achei Paul Starr bem conservador em diversos pontos. Conservador, mas com argumentos. Alguns muito válidos, como da primeira afirmação. Realmente, ter uma imprensa forte ajuda no processo democrático e impõe transparência no mundo da informação. E a contribuição do jornalismo impresso ficará marcado para sempre na sociedade, isso sem dúvidas. Mas dizer que a internet não coloca credibilidade na informação, é desprezar trabalho de blogueiros de extrema qualidade, como Hewitt e Sullivan, além de outros portais de notícias. Acho que a questão, para Starr, é mais o canal Web em si do que a fonte. A fonte é confiável como qualquer portal de notícias. Mas pelo simples fato de que "todo mundo pode postar notícia" é que Starr julga a falta de credibilidade das notícias. Acho que o caminho não é bem aí.

"Amadores locais vão vasculhar documentos públicos em busca de detalhes reveladores, e pais presentes às audiências escreverão em blogs sobre o impacto sobre escolas específicas à sombra do projeto. E sites como o Outside.in vão circular as observações deles a leitores que vivem nessa zona escolar, enquanto novas organizações beneficentes como a Spot.us vão financiar artigos investigativos sobre o histórico passado das empresas envolvidas na construção.

Se forem espertos, jornais de Nova York como o "Times" e o "Post" vão aproveitar essa cobertura, compartilhá-la com seus leitores, usá-la para vender anúncios locais e às vezes colocar um de seus repórteres treinados para desenvolver artigos novos.

Estes últimos, por sua vez, acrescentarão valor enorme à cadeia de informação, e o ciclo inteiro recomeçará" Linhas 36-46 - terceira carta - Johnson

Johnson explicou um exemplo de como é o sistema de informação (notícias) na Web. Um blog faz um recorte, outro faz de outro, mas tudo sob um fato específico. Isso que é o grande ecossistema da informação: ter diversas naturezas e visões sobre o mesmo assunto. E a mídia impressa não faz isso, não sozinha, como a Web faz.

"Sites como o seu, que tiram notícias, comentários --e lucros-- da web dependem inteiramente de que outros paguem pelo trabalho original de reportagem. Alguns blogueiros podem dar furos jornalísticos ocasionais, mas fazer de conta que eles possuem as capacidades de um grande jornal metropolitano é enganoso.

Um site que tira notícias de outros lugares pode ampliar o público do material que coleta, mas, se existe algum efeito de engajar o público, isso acontece porque outros estão fazendo o trabalho. Engajar o público requer que se identifiquem os acontecimentos e apontem seu sentido, e não apenas que se reproduzam informações (e desinformações) isoladas." Linhas 30-37 - quarta carta - Starr

Lógico que blogueiros não possuem as características de um grande jornal nacional. Mas nem por isso pode desmerece-los como fonte de informação confiável. Toda uma reputação está anexada nessas fontes. E está certíssimo que quem faz o trabalho de engajamento são os outros, porque é assim que a Web atua: todos fazem o conteúdo, é o coletivo. Nada é centralizado, tanto é que modelos como Wikipedia são fontes valiosíssimas enquanto informação. Como diz o teórico considerado o futurólogo da Web, Jean Paul Jacob, a sabedoria do coletivo é muito maior e mais valioso do que o individual.

Recomendo a leitura inteira da reportagem. Esses são apenas alguns pontos que queria ter postado. Tem vários outros, mas esses são os mais importantes.

O potencial da rede social na vida real.

By Gabriel Ishida , In

Como eu disse, meu livro dessa vez é "Reconhecimento de Padrões" de William Gibson, autor do aclamado livro "Neuromancer", considerado um dos marcos da cultura cyberpunk e inspirador da trilogia Matrix.

Bom, estou praticamente na metade dele e creio que o acabo em duas semanas. O livro possui uma história totalmente ligada ao nosso novo contexto social, ou seja, nossa relação com a Web e como essa afeta nosso convívio, moldando (uma) nova(s) cultura(s).

Mas o que interessa aqui é uma passagem do capítulo 9 em que a protagonista Cayce Pollard conhece Magda, uma empregada da Trans, uma sub-agência da Blue Ant, uma agência poderosa em publicidade. O contexto como se conheceram não importa aqui (leiam o livro), mas o que importa é a função desempenhada por Magda. Ela é uma espécie de "agente social" em publicidade.

Magda é contratada para divulgar a marca de um produto para as pessoas, mas de uma forma bem "sutil": ela vai em coquetéis, boates e eventos sociais de qualquer natureza, para se "enturmar" em conversas com pessoas estranhas e, ocasionalmente porém propositalmente, falar bem do produto que ela precisa divulgar. O fato é que ela precisa fazer isso de forma natural, como se ninguém suspeitasse que ela é contratada para fazer isso, como se fosse uma conversa entre amigos.

Para exemplificar: imagina que você está numa festa com seus amigos, chega alguém, provavelmente com algum contexto para puxar um papo. Conversa vai, conversa vem, aí começamos a falar de bebidas (um assunto fácil para se conversar em festas e obviamente puxado por essa pessoa). Eu digo: "acho a vodca Smirnoff pior que Orloff". Aí a pessoa retruca: "Que é isso, Orloff é mais barata e a ressaca dela é bem mais suave". E assim vai, criando contextos e moldando o papo de acordo com a forma que convier. No final, mesmo eu ainda preferindo Smirnoff, com certeza alguma coisa mudou, mesmo sutilmente, na forma que vejo a Orloff, principalmente se a pessoa dizer as palavras certas para me tocar.

Não nos parece que isso é uma rede social na vida real? Quantas vezes não vemos em fóruns, uma pessoa elogiando determinado produto/marca, outra retrucando, outra concordando, etc.? Acho que as grandes empresas perceberam o poder que tem um capital social*.

Como tudo que move o capital social, os resultados não são mensuráveis. Apenas há uma impressão. Porém, passamos do tempo em que o mercado era extremamente quantitativo. O que adianta vender um milhão de Big Mac's se a maioria das pessoas fala mal da marca? Com esse baixo capital social, óbvio que esse um milhão vai cair para cem em pouco tempo. Investimento em capital social é mais preservar do que lucrar.

Agora, em off: tenho certeza que temos várias Magdas por aí nas festas que vamos e nas comunidades que postamos. É o marketing social.

*capital social, além de outras implicações do termo, defino como, a grosso modo, o posicionamento que uma marca/produto obtém através de relações sociais (informais, pessoais).

A Web como máquina da economia de serviços

By Gabriel Ishida , In ,

Li uma reportagem muito interessante de Jean Paul Jacob na primeira edição impressa da revista OFFLINE e que gostaria de compartilhar algumas ideias aqui no blog.

Jean Paulo Jacob é considerado um futurólogo da tecnologia. Leciona na Universidade da Califórnia e trabalha no Centro de Pesquisas da IBM, no coração do Vale do Silício. Dizem que ele antecipa o futuro em pelo menos 10 anos. Na década de 80, já precognizava o surgimento dos computadores portáteis, das câmeras digitais e pregava que a comunicação móvel entraria para valer.

Na reportagem, Jacob afirma algo que já sabemos nas lições de Geografia: o mundo está se transformando em uma economia de serviços. Mas, para Jacob, essa transformação se dá por conta da "revolução" que a Web proporcionou: a economia de serviços é baseada em co-produção e co-criação.

Todo serviço exige uma cooperação. O médico só consegue prestar seu serviço porque o paciente o indica os sintomas. Sendo assim, tudo que circula na Web são serviços e, de acordo com Jacob, os produtos são produzidos e planejados por conta da recepção e experiência que os usuários passam às empresas. Para Jacob, para se sair bem nessa "condição de serviços" é confiarmos no poder das multidões ou da coletividade. A sabedoria coletiva é muito mais poderosa do que a individual. E isso se aplica a todos os níveis profissionais e sociais, citando que o professor de hoje não deve centralizar o conhecimento e sim propor experiências que valorizem a construção coletiva do aprendizado, em um conjunto com alunos e mestre.

Interessante pensarmos que a Web segmentou e tornou o indíviduo mais importante na interação com o produto, mas Jacob valoriza a questão coletiva como a máquina da economia de serviços. Mas o mais importante é o caráter colaborativo que marca (e, de acordo com Jacob, vai marcar por muito tempo) nossos tempos e como a Web influencia, de alguma forma, na economia global. Acredito que a tendência é tudo se transformar em serviços, de alguma forma. Serviços no sentido de colaboração e cooperação. Você compra um tênis da Nike não porque a marca passa importância social, mas porque ela oferece manutenção ou algum recurso a mais que os outros tênis não possuem, e assim vai.

Um pequeno mistério...

By Gabriel Ishida , In

qrcode

A terra de ninguém está começando a virar de alguém*...

By Gabriel Ishida , In

Primeiramente, a fonte do post de hoje: o blog de Tiago Dória e o post que me fez refletir. Por favor, deem uma lida para entender o contexto.

Pois bem, não estranho que serviços da Web sejam vendidos a conglomerados como a NewsCorp pois é um caminho até natural: o Orkut, Blogger, entre tantos outros foram criados por um indivíduo ou grupo de amigos e vendidos para empresas. Essas compram esses serviços por visarem lucro e bom negócio. Mas a questão que fica é: elas possuem uma visão do serviço assim como ele está ou já visam transformações para adequar aos seus negócios? Isso que me preocupa.

Acho bem equivocado uma empresa comprar um serviço da Web já pensando em modificá-lo para se adequar a um modelo lucrativo. Para mim, a Web é muito sensível a mudanças, e acho que você mesmo já notou isso. As waves são piores que marés: lembro que desde que me interessei pela internet, já passei por tantas que nem consigo lembrar direito(= ICQ, Second Life, Mirc, AOL e daqui a pouco, Orkut, entre outros). Qualquer mudança, mesmo pequena, pode transformar os ventos e o negócio ir por água abaixo. Por isso que o Google faz mudanças singelas e bem calculadas para suas ferramentas (= Youtube e seu novo modelo de propaganda). O Google sabe do poder das waves.

Sendo assim, acho complicado uma empresa comprar um serviço e deixar escapar seus primeiros criadores. Eles possuem uma visão que talvez ninguém tenha e sabem das mudanças que acarretarão ou não "revoltas" na Web. Então a questão é: como ser atrativo comercialmente mas não deixar de sair da wave? Como transformar algo que foi feito para ser uma rede social em algo que seja social e um modelo de negócio? Isso é uma incógnita.

O título do post é uma premissa bem a grosso modo, porque nem sei (e isso pode render até uma discussão) sobre quem pode(ria) ser considerado o dono da Web* (isso é um grosso modo, obviamente, porque a Web nasceu livre e a manutenção dessa liberdade é de interesse de muita gente). Mas, se continuar da forma que a notícia do Tiago Dória afirmou, daqui a pouco toda ferramenta e serviço da Web pertencerá a um ou dois conglomerados. E isso é preocupante, já que vivemos desses recursos. Não digo que caminhamos para uma internet inteiramente paga, mas que caminhamos para uma espécie de monopólio. E monopólio não é bom para evolução e inovação, palavras essencias da Web.

*Esse alguém pode ser: os conglomerados compradores de serviços, as empresas de telefonia que controlam o acesso a Web, os servidores de páginas WWW, os servidores físicos (deve existir, não tenho certeza, mas ouvi falar) da Web ou, por fim, os órgãos reguladores do governo (na China isso seria bem visível).

Blog Marketing, de Jeremy Wright

By Gabriel Ishida , In

O título vem do último livro que li. Resolvi postar um pequeno comentário sobre ele no blog.

Sob o ponto de vista teórico, o livro não é muito bom, pois as discussões realizadas estão mais focadas em consumidor do que em teoria sobre blogs e redes corporativas. Assim, para quem espera uma abordagem sobre blog e marketing, o livro não é indicado.

Sob o ponto de vista instrumental, o livro já cumpre o seu papel, e muito bem. Ele é um manual de como utilizar o blog no ambiente corporativo de qualquer empresa. Cita exemplos e casos bem sucedidos, além de oferecer toda uma gama de possibilidades de uso. Sem falar que apresenta as principais ferramentas, os principais recursos, além de dicas de como se relacionar, através de blog, com seu consumidor e mercado.

No final do livro, eu pensei: bom, não era o que esperava. Mas isso não significa que seja ruim, pois ofereceu para mim uma visão de blog que eu necessitava conhecer: a visão de quem está interessado em utilizá-lo mercadologicamente. E sim, é uma visão diferente de uma visão que qualquer blogueiro, descompromissado ou não, não possui. E o bom é que o livro me mostrou que os blogs não podem ser encarados como meras vitrines: devem atuar como canais de comunicação, no sentido estrito do termo. Os CEO's, funcionários e a própria empresa devem usar os blogs como canais acessíveis de crítica, sugestões e integração com seu público-consumidor.

Agora começarei "Reconhecimento de padrões" de William Gibson. Dizem que é essencial para entendermos o conceito de cool hunter (= caçador de tendências) além de aperfeiçoarmos nosso feeling para a coisa.

Diga Não ao Bloqueio de Blogs!

By Gabriel Ishida , In

Gostaria de oficializar meu apoio a campanha do Ministério da Cultura. Como censurar, generalizadamente, os blogs? Blogs já deixaram de ser meras agendas virtuais. Muito conhecimento essencial para o crescimento acadêmico e pessoal de um ser humano está nos blogs. Encontrei dificuldades para colocar o banner da campanha, mas coloco o link da postagem aqui. Entrem e apóiem a campanha!

A mídia feita de laptops com wireless

By Gabriel Ishida , In

Eu sei que a discussão do momento é a onda de criação de modelos de lucratividade na Web. O meu amigo Capivara, dono do blog Mera Falácia, recomendou a leitura de um artigo muito interessante sobre a nova forma do Youtube para atender seus patrocinadores e que, realmente, alimentará a discussão. Mas nesse post eu quero deixar registrado uma experiência agradável sobre o uso da Web nas mídias tradicionais (= não gosto muito desse termo, mas utilizo sob forma simplória).

Agrada-me, e muito, algumas utilizações (= podemos dizer convergências) que as mídias do século XX fazem para aliar a Web às suas audiências. Eu estava escutando a transmissão na CBN do jogo entre São Paulo e Corinthians e uma coisa muito interessante e legal foi a abertura de um chat no site. Pode parecer simples demais, mas esse simples me passou uma sensação muito agradável. Ao contrário do tradicional "mande-nos um email com sua pergunta", o espectador entra numa sala de chat e posta sua pergunta. Os próprios apresentadores, dependendo da pergunta, respondem no chat. Além de perguntas, sugestões e comentários são bem vindos. Lógico que tem todo um risco de entrar pessoas "indesejáveis", mas é uma forma tão interativa e prática de integrar sua audiência com a transmissão que eu fiquei impressionado.

No mesmo caso, eu cito o uso que o canal de televisão aberta Cultura e o Ministério da Cultura fazem do Twitter. O MinC sempre mantém seu perfil ativo, com novidades sobre editais, eventos culturais e todo tipo de notícia para os interessados na parte cultural do governo. Além disso, o perfil está aberto para receber sugestões, críticas e comentários. Sem falar que eles fazem um bom rastreamento de conteúdo sobre o perfil na twittesfera, pois certa vez eu reclamei da postagem exagerada sobre a Lei Rouanet e responderam de imediato para mim, com uma linguagem clara e popular. O mesmo vale para os programas da TV Cultura. Os principais programas possuem um twitter que posta o tema/assunto do programa. Eu acompanho o Roda Viva e nunca me deixou na mão.

Outro interessante caso é a valorização da Rede Globo com a Web. Dentre os canais de televisão aberta, talvez seja o canal que mais utiliza seu portal para divulgação de conteúdo e, ao mesmo tempo, não o deixando dependente da televisão. O portal é completo, com notícias atualizadas a cada minuto, muita variedade de canais de informação e recheado de conteúdo multimídia, como podcasts e vídeos. Lógico que por ser uma fundação (=conglomerado), o portal deva representar, e bem, o poder desse grupo. Mas não tiremos os méritos, em termos de comunicação, que esse portal possui.

E agora, um dos últimos acontecimentos do momento: a abertura de API da principal agência de notícias do mundo, a Reuters. Agora, qualquer agregador de notícias da Web pode linkar e utilizar as notícias vindas dessa agência. Além disso, vários jornais em todo mundo abriram seus API's da mesma forma. Um grande passo para a democratização da informação, porém uma mudança de visão, talvez paradigma, do modelo de negócio para o jornalismo online. Mas é uma interessante integração entre mídia impressa e Web.

Esses exemplos são os que lembrei de imediato. Há muitos outros que não conheço ou não tenha lembrado. O que me deixa muito feliz é a forma como a Web tem influenciado as mídias tradicionais. Como defende McLuhan, a criação de um novo meio não extingue o outro, pois cada um tem especificidades que influenciam na própria mensagem. Assim, eles se readaptam para a nova fase. Assim sendo, as culturas tão presentes na Web, como o "instantâneo" e o "acesso", parecem ter atingido de cheio e modificado paradigmas.

Apocalypse Now!

By Gabriel Ishida , In

Esse post pode ser considerado uma resposta ao post do meu amigo Capivara em seu blog Mera Falácia. Mas a resposta é um gancho para outra questão também pertinente ao assunto a ser tratado.

Primeiramente, apresento o post do blog Coxa Creme de 3 de Abril de 2009 que me inspirou a blogar nesse momento.

O Nosso Caos Particular, de Neto.

Eu e meu colega midiálogo Capivara tratamos, em nossos respectivos blogs, sobre a questão dos serviços pagos na Web. Acredito que tanto eu quanto ele não chegamos a conclusão de um modelo de negócio aceitável e adequado para a Web. Eu defendo, ainda de maneira forçosa, que o modelo de restrição parcial de acesso é a melhor saída. Acredito que o acesso nunca deva ser fechado, mesmo que isso signifique o mínimo de informação. Por isso que critico tanto a forma de agir da Last.fm.

E com o post de Neto, percebo que essa busca pelo modelo de negócio online é uma busca pela Arca Perdida. Os dados que ele passa sobre as outras mídias são alarmantes. E os dados sobre os modelos na Web não são tão agradáveis também.

Dizem que a TV Digital irá salvar todo esse cenário e propor formas sustentáveis de media business. Não creio que seja assim. Conforme o Capivara mencionou em seu blog, atualmente temos o pensamento de lugar público para a Web. Isso, ao meu ver, é um dos paradigmas que sustentam a rede de hoje. Por isso que as dificuldades de ganhar dinheiro sejam, justificativamente, tão exaltadas. "Caiu na Web, é da galera" no jargão da palavra, fazendo menção e paralelo aos casos de fotos íntimas e constrangedoras.

Mas também concordo que a iniciativa privada que sustenta essa nossa atual Web. É complicado, realmente, transformar privado em público. Mas creio que toda empresa, ao se propor a aventurar na Web, precisa ter consciência de que a Web não é uma mídia igual as outras. Na Web, às vezes dar não significa receber.

No caso de empresas que buscam afirmar sua marca na Web, isso é muito evidente. As grandes empresas já perceberam que a Web não serve para fazer negócios. Serve para criar relacionamentos, trocar experiências e acima de tudo, evangelizar clientes. Eu mesmo sou evangélico adotado da Pepsi, pelas campanhas muito inovadoras (ao meu ver) feitas na Web. A recompensa que a Pepsi ganha de mim não é a compra direta de produtos no site deles. É na forma que eu vou falar dessa marca para meus amigos. Às vezes eu nem preciso gostar da bebida (no meu caso eu amo) mas só o fato de eu curtir o que eles fazem, já uma ótima recompensa para a Pepsi.

Mas já no caso de empresas feitas na Web, como as que administram ferramentas como Last.fm, realmente, o modelo de negócio está ainda na sua busca pela estabilidade. Links patrocinados, acesso privilegiado, etc. ainda estão em fase de aceitação. Complicado esse assunto, pois cada caso possui variáveis comerciais e de funcionalidades que dificultam a construção de um paradigma comercial e lucrativo para a Web.

Reforçando meu ponto: acredito que o modelo de acesso pago e privilegiado é a forma mais aceitável no momento. Não é o ideal, ao meu ver, mas é a forma que mantém o que a Web criou e fincou no mundo: a cultura do acesso.

Post rápido de dia da mentira.

By Gabriel Ishida , In

Após ver várias notícias sobre comunicação que fazem jus ao dia de hoje, fiquei pensando: será que muitas mentiras que foram ditas sobre a Web nos primeiros de abril de anos anteriores se tornaram reais? Como por exemplo: 


1 de abril de 2002 - lançada uma ferramenta na Web capaz de obter imagens de qualquer parte do planeta Terra, além de traçar rotas para diversos lugares.

1 de abril de 2001 - é high-tech: agora é possível navegar com conexão banda larga em celulares.

1 de abril de 2000 - IE perde hegemonia no mercado de navegadores.

1 de abril de 2007 - Ferramenta de "microblogging" é o que mais cresce na Web.

entre tantos outros. 

Então, cuidado com o que diz: talvez em menos de um ano, se torne verdadeiro.

Twittezado

By Gabriel Ishida , In

Esse post tem um pré-requisito: você precisa conhecer o Twitter e seu potencial de uso.

Lendo meus preciosos feeds no GReader, eu me deparo com um post que levantou uma certa polêmica em blogueiros por aí. Eis o post, do blog de Cris Dias.

Concordo com todos os pontos abordados e achei uma ótima reflexão feita. O Twitter é uma ferramenta como o blog, com justamente a diferença de você saber quem é seu público. Nunca pensei que, se alguém me segue, eu deveria seguir também. Só sigo quem eu acho que merece ser seguido. A maioria de quem sigo ou são amigos, ou são blogueiros ou são empresas/instituições que admiro ou que gostaria de ficar antenado nas novidades, como os twitters do Ministério da Cultura, Roda Viva e Unicamp.

Assim como em um dos comentários de Edney Souza, o uso do Twitter para empresas deve ser levado em outro parâmetro, assim como toda ferramenta social da internet.

Na verdade, tudo isso foi justamente para discutir como esse tal de Twitter virou a grande onda do momento. Como uma ferramenta que, aparentemente, é para "gente que não tem nada para fazer" (= escutei isso já de uma pessoa fora da área de comunicação, obviamente) conseguiu tanto espaço e já é visto como algo em potencial para as empresas se comunicarem cada vez mais com seu mercado.

Vejamos os fatos: com tantos programas e plugins agregadores, o Twitter ficou muito mais fácil (= muito mais fácil, prático e atraente) para se manter twittando e vendo seus replies e posts do que ficar entrando e dando atualizar no site do Twitter (= o uso comum para o Orkut). Eu mesmo uso duas ferramentas para conectar meu Twitter. Um plugin para o Firefox e o Twhirl, ambos bem práticos. Enquanto navego pela internet, eu uso o plugin. Enquanto faço outras coisas offline, eu ligo o Twhirl.

Com o Twitter, eu fico sabendo de atualizações de blogs, de novidades em diversas áreas, de opiniões sobre fatos que me cercam, de notícias sobre amigos e o que eles estão fazendo ou pensando e até cardápio de restaurantes!

Ao meu ver, o Twitter é bem adequado ao seu termo de "microblogging". Blogging em seu termo mais antigo e clássico, de "diário" virtual. Ficamos sabendo das notícias de determinada marca ou pessoa através do Twitter. E micro por só permitir 140 caracteres. Mas até aí, o micro é extremamente adequado ao cenário da Web de hoje. Um texto para a Web não é o mesmo para a mídia impressa. Mensagens concisas, que prendam a atenção do internauta e, ao mesmo tempo, contenham o máximo de informação. É assim. O Twitter apenas formatou algo que já era paradigma. Talvez isso seja o motivo de seu sucesso: as pessoas andam sem tempo para nada e preferem ler twitters do que portais.

E também qualquer pessoa pode usar o Twitter. O Twitter é igual ao Wii no mundo dos games: feito para todos, para toda família. Extremamente fácil de se mexer. Além disso, ele propõe uma convergência bem simples e funcional com os mobiles phones (= celulares). Muita gente twitta através de mensagens feitas e digitadas no celular. E nessa moda-tendência de Mobiles, isso é bem interessante.

Só precisamos saber o que ele vai deixar de herança para a Web e quanto tempo vai durar sua lua-de-mel com o mundo. Talvez esse post esteja até sendo muito eufórico com o momento, pois dizem que na Web tudo que é euforia já virou obsoleto. Não discordo, mas prefiro seguir a vibe dos marketeiros sobre suas tendências na Web a seguir teóricos da cibercultura. E para finalizar, um videozinho bem engraçado sobre Twitter.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...