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Projeto Galgo Rex

By Gabriel Ishida , In

Seguindo a atual tendência de compartilhamento, produção e promoção das notícias, chamada por muitos de jornalismo cidadão, foi lançado recentemente o site Galgo Rex, ainda em versão beta (www.galgorex.com.br/prelancamento). O novo veículo de mídia associa a produção independente de leitores, blogueiros e jornalistas à tecnologia da informação, criando assim uma plataforma de informação inteiramente gerida pelos próprios usuários, que publicam e promovem o conteúdo do site.
“Pensamos em um sistema que pudesse dar aos leitores o melhor conteúdo, bem como as informações que mais interessam a cada um”, afirmou Ronaldo Lopes Coelho, um dos fundadores do projeto. O novo jornal parece um híbrido de rede social e os conhecidos agregadores de notícia, porém as coincidências terminam aí. Uma vez realizado o login, o site oferece não apenas uma conta pessoal ao usuário, mas a chance deste poder criar seu próprio caderno de notícias, assinar os conteúdos desejados, classificar os textos, seguir outros “jornalistas”, conversar com os demais usuários, compartilhar o que foi publicado, entre outras ações interessantes.
Criado em 2013 por quatro estudantes da Universidade de São Paulo, o Galgo Rex passou dois anos em desenvolvimento, “Nas horas vagas, aquelas que tínhamos além das aulas e do trabalho normal de cada um, sentávamos e nos reuníamos para trabalhar e decidir como o site vai funcionar”, disse Ricardo Augusto Fernandes, programador e também um dos sócios. “Queríamos dar às pessoas a chance de terem um feed de notícias extremamente relevante, por isso fizemos o Galgo Rex”, completou.
Nesse meio tempo foram lançadas iniciativas como o jornal digital sul-coreano Oh! My News! e o norte-americano Sulia, que possuem estruturas bem diferentes do site de notícias brasileiro: este tem como célula editorial os cadernos e, no futuro, pretende aumentar ainda mais o poder de colaboração entre os usuários. A ideia por traz da empresa é gerar uma rede de notícias que conte com milhares de colaboradores, espalhados por todo o país e, de celular nas mãos, sempre prontos para escrever e dar o “furo”. “Estamos buscando algo além do jornalismo de opinião”, disse Ronaldo, “queremos também ser o primeiro a relatar os acontecimentos”. O símbolo do jornal é o peculiar cachorro de corrida da raça Galgo: magro, elegante e veloz, bem no estilo do jornalismo (e de toda a comunicação) desse século que se inicia.
FONTE: release do Galgo Rex

Sobre a API do Facebook e o seu Topic Data

By Gabriel Ishida , In , ,

A maioria dos profissionais de monitoramento já deve estar sabendo que o Facebook fechou, no dia 30 de abril de 2015, sua API para a coleta de posts públicos em timelines. Se não sabe, saberá na próxima vez que for fazer relatório de monitoramento ao ver que sua ferramenta não coletou nenhum post em timeline do Facebook no mês de Maio.

Como alternativa a isso, o Facebook fez uma parceria com o Datasift, um dos (talvez o maior) provedores e processadores de dados do mundo para criar o Facebook Topic Data. Em termos didáticos, ao invés de coletarmos os dados RAW (ou puros, ou seja, os posts diretamente), o FTD irá fornecer os dados já agregados. Basicamente, ao fazermos a requisição pelos resultados de uma busca por menções contendo o termo "Coca-Cola", o FTD irá retornar números: volume de menções, demografia, geolocalização, sentimento, etc. ao invés de retornar as menções diretamente.

 Facebook Topic Data
Representação gráfica do FTD

Não vou me aprofundar em termos técnicos, pois acabou de ser lançado, houve um webinar do Datasift explicando mais detalhes e também que meu foco aqui é a repercussão disso tudo no nosso mercado. Mas vale fazer uma observação: com o FTD, perdemos em capacidade de análise ao não ter contato com os dados puros, ou seja, não saberemos muito bem como o Facebook está considerando aqueles números agregados. Para quem é analista preocupado em metodologia, isso é péssimo. Não saberemos, por exemplo, se aqueles 1.200 posts negativos são realmente negativos e se não houve um erro na classificação, sendo o atual principal problema nas classificações automáticas de sentimento. Por outro lado, o Facebook nunca entregou direito esses dados puros via sua API, sempre vimos um monte de problemas para a coleta, então, entre uma coisa agregada e mais nebulosa por uma coisa que não funcionava direito e quase não servia para nada, prefiro a primeira opção.

Sobre nosso mercado, primeiramente é bom deixar claro que isso não afeta a competência de nenhum profissional. Como disse meu amigo Pedro Ivo Rogedo: quem é incompetente, continuará incompetente. A diferença agora é que vão jogar a culpa no Zuck por seus fracassos. Até porque o monitoramento em fanpages e grupos continua a mesma coisa, ou seja, qualquer ferramenta ainda coleta posts públicos feitos dentro desses lugares. E já sabemos que esse tipo de informação é bastante valiosa, quando bem planejada e analisada de forma correta. Além disso, as outras redes continuam com suas APIs abertas e pegando os dados puros, ou seja, material de análise ainda tem de monte.

Segundo ponto é que vejo um passo importante na valorização da área de monitoramento. Tardiamente (e de certa forma, hipócritas), alguns nomes importantes dentro da área de publicidade e marketing começaram a criar ações e publicar notas e artigos sobre a importância do trabalho de monitoramento em mídias sociais. E, coincidência ou não, juntamente com o movimento do Facebook em monetizar seus dados, percebo que há uma profissionalização maior na nossa área no sentido de que "fazer monitoramento não é de graça".

Com essa restrição do Facebook, agora fica mais limitado para o cliente/agência querer um monitoramento de graça na rede. O que mais temos, em grupos do Facebook, são pessoas pedindo por ferramentas gratuitas de monitoramento, que coletem posts retroativos, que tragam sentimento automático, etc. Isso tem que parar. O que mais ouço são relatos de pedidos de clientes/agências querendo um relatório de monitoramento, a ser entregue no mês passado, que contenha sentimento do buzz e dados retroativos. Quando se explica como as coisas funcionam e o preço que isso vai sair, acham caro e questionam "como uma coisa fácil assim sai com esse preço?". Me controlo para não responder: bom, eu quero um apartamento na cobertura de um prédio no Jardins, mas achei muito caro. Como uma coisa tão fácil assim, que já está lá pronta, pode sair com esse preço? É bem essa lógica que encaramos dentro de nossa área.

Não duvido nada que, daqui um tempo, algumas pessoas chegarão perguntando: alguém conhece uma ferramenta de graça que pegue esses dados do Facebook? E ainda por cima vão xingar o Facebook por ter limitado os dados desse jeito. Se você quer dados legais, bem agregados, organizados, não só no Facebook, mas em todas as outras redes, você tem que pagar por uma ferramenta. Social media não é de graça, como ainda muita gente pensa. Há um trabalho sério por trás de tudo.

Não adianta reclamar. Se você vendeu um projeto pro cliente e não sabia que não dava para pegar de graça, a incompetência foi sua. Se o cliente reclamar, diga: bom, me dê dinheiro que eu compro esses dados. Se ele recusar, não faça, só isso. Se alguém vendeu errado para o cliente, assumam o prejuízo ou o erro. Para mim, grande parte dos erros do mercado vem dessa péssima venda e gestão dos projetos em social media para os clientes. Prometem o universo, sem saber se é viável ou não. E o cliente, em seu direito, exige esses resultados.

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