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Da série "Ainda dá para tirar coisas do...", o tema agora é Facebook

By Gabriel Ishida , In ,

Primeiramente, gostaríamos de anunciar nossa nova parceria com o blog Vitamina Publicitária, como vocês podem ver em nossa barra lateral esquerda. Esperamos manter a parceria e estender os laços futuramente.

Agora, voltando à série "Ainda dá para tirar coisas do...", falarei sobre o Facebook e, principalmente, sobre seu sistema de busca interna.

Algumas premissas iniciais:

1 - O conteúdo do Facebook, assim como do Orkut, não é indexado no sistema de busca do Google. Pouco a pouco começa a ser indexado no Bing, através de uma parceria com a Microsoft (será um começo de duelo entre Google vs. Microsoft e Facebook no sistema de busca? É o que dizem alguns especialistas).

2 - A busca do Facebook não é ruim, ao contrário do que leio por aí. O problema é que a busca do Facebook é igualzinho ao do Orkut, sendo que ambos possuem características diferentes.

Enquanto que o Orkut é uma rede social propriamente dita, ou seja, focada no relacionamento, na troca de mensagens e na formação de comunidades, o Facebook tem tudo isso, mas sua base é a produção/disseminação de conteúdo. E, enquanto tendo essa base, não se pode ter um sistema de busca que privilegie os perfis e páginas ao invés do conteúdo produzido pelas pessoas.

E essa busca dificulta até mesmo a indexação por parte das ferramentas de monitoramento em mídias sociais. Poucos sites (por exemplo, o Kurrently) conseguem realizar buscas no conteúdo do Facebook. E, quando conseguem, sofrem uma série de limitações. Por exemplo, é muito difícil separar o conteúdo por línguas, localidades e datas de postagem. Há várias empresas desenvolvendo aplicativos e soluções próprias, mas seria muito melhor se a solução viesse do próprio Facebook, como o Twitter faz com sua API.

Tendo um sistema de busca eficiente e objetivo, o Facebook se tornaria um universo próprio: cada vez integramos os conteúdos produzidos com essa rede e, ao invés de utilizarmos o Google para procurar por conteúdo, que tal procurar conteúdo dentro do Facebook e desfrutar de todo aparato de compartilhamento que esse possui? Todo mundo sai ganhando (menos o Google, eu acho).

Post inspirado na leitura do blog Web Contexto.

4 dicas de SEO que ninguém tem desculpa pra não usar

By Thiago Costa , In , ,

Já faz um tempo que SEO sumiu da nossa conversa. Pra mostrar que não temos preconceito, voltamos com um post sobre algumas dicas de SEO que são suficientes para que qualquer site deixe de passar vergonha nas search engines.

Estas 4 dicas contemplam só o básico, a otimização mais voltada para o conteúdo e alguns aspectos técnicos bem simples. Vamos a elas:

1. Criar title tags espertas e estratégicas

Essa é elementar. Alguém compraria um livro sem titulo? Ou que tivesse um título sem nenhuma relação com o conteúdo? Não. O mesmo vale para o seu site. Title tags são fundamentais para as search engines.
De todas as tags HTML, a title é a mais fácil de identificar.

Mas o que torna uma title tag “esperta e estratégica”? Muitas coisas, dentre elas:
- Ter até 65 letras (máximo que o Google lê em condições normais)
- Conter as principais palavras-chave relacionadas ao objetivo do site.
- Conter a palavra-chave principal da estratégia no início ou próxima do início do texto
- Ter correspondência direta com o conteúdo da página (“texto” do site), se possível com coincidência de palavras-chave.
- Fazer com que cada página contenha uma title tag exclusiva e direcionada para o conteúdo

2. Ter uma estrutura organizada de URLs e links internos no site


Isso torna tudo mais fácil para as search engines. Se você tem um blog, isso não deve ser um problema, já que a maioria dos serviços de blog criam automaticamente urls organizadas, amigáveis e coerentes. No caso, criar muitos links entre seus posts pode aumentar a relevância do conteúdo mais antigo e “esquecido”.

Se seu site não é um blog é um importante prestar atenção ou cobrar quem produziu quanto à existência de urls bem claras e organizadas, com nomes correspondentes ao conteúdo de cada página. Por exemplo:

www.meusite.com.br/eletronicos-usados.asp.

Ao invés de uma série de números e códigos indecifráveis.

Atenção também para os links internos. O ideal, em um site menor, é que todas as páginas tenham links a partir da home do site. Isso aumenta a relevância de todo o site.

3. Escolher bem as palavras (chave).

Pare.
Pense.
Anote.
Pesquise.
Escreva.

Pare uns minutos e pense em como você poderia ser encontrado. Faça uma lista concisa das palavras que acredita serem interessantes. Você tem um site de games? Pense no seu conteúdo, nos jogos e análises que possui e em como pode ser encontrado.

Anote. Aí você sabe como: Guardanapo, Moleskine, Evernote...

Pesquise. Use as seguintes ferramentas (links para todas elas):

- Ferramenta de palavras-chave do Google Adwords
- Google Insights for Search

- Google (sim, Google.com: pesquise sobre sua área, veja como estão os concorrentes, veja as sugestões de pesquisa do Google, veja o Google Instant)

Use os dados desta pesquisa com sabedoria e realismo. Anote, copie, transfira para um Excel básico... enfim, o importante é saber que não adianta focar em palavras-chave de grande volume e concorrência.

Mas de nada adianta viver só de Long Tail. Use as informações para entender quais palavras ficam no meio termo: trazem volume, mas com menor concorrência.

Escreva e componha seu conteúdo com base nas conclusões deste breve estudo. Você tem menos chances de errar feio.

4. Usar o Google Webmaster Tools (e, porque não, o Google Analytics)

Crie uma conta no Google Webmaster Tools. Vai exigir uma simples tag no seu código e um cadastro simples (e grátis). No Google Webmaster Tools:

1. Antes de mais nada: submeta seu sitemap.xml. Use uma ferramenta de Sitemap Generator, crie seu sitemap e aloque dentro de uma página do seu site (meusite.com.br/sitemap.xml). Submeta no Webmaster Tools.
2. Veja as principais consultas de pesquisa para o seu site
3. Veja se há problemas de HTML, erros de rastreamento e descubra o por quê.

Dados e informações disponíveis no Webmaster Tools e no Google Analytics podem te ajudar, e muito, a descobrir como seu site é encontrado, quais palavras-chave trazem melhor resultado... enfim: demonstram se sua estratégia está dando certo e podem ajudar a refiná-la e aprimorá-la sempre.


Estas 4 dicas são a ponta o iceberg. SEO vai muito, mas muito, mais longe do que isso. Mas com estas 4 iniciativas simples e acessíveis você pode garantir um melhor desempenho e, dependendo da concorrência do seu segmento e do tamanho do seu site, melhor visibilidade nos mecanismos de pesquisa.

E elas não te custarão muito tempo e nenhum dinheiro. Garanto!

iMasters Intercon 2010 - Meus highlights #intercon2010

By Gabriel Ishida , In

Na sexta (dia 19 de novembro) e sábado (dia 20), rolou o Intercon 2010, no teatro World Trade Center, em São Paulo. Ano passado eu tinha ido e, pela ótima experiência que tive, resolvi ir novamente. Devo dizer que achei pior do que o ano passado, em termos gerais. A estrutura do ano passado estava muito melhor e o lugar era mais acessível (foi no hotel Renaissance, perto da Avenida Paulista). Destaque para as incessantes falhas técnicas em todas as palestras e também para o teatro WTC. As poltronas são muito confortáveis e grandes, mas o espaço para transitar entre elas é muito pequeno. Incômodo total quando alguém precisa passar por você para sentar no meio da fileira. Outro ponto negativo foi a falta de um espaço dedicado aos desenvolvedores. A mistureba entre inovação, criação, planejamento e desenvolvimento para Web prejudicou tanto os desenvolvedores, já que as palestras sobre o assunto devem ter ficado bem superficiais, quanto os não-desenvolvedores (como eu) que não entendiam nada do que estava sendo falado. Não sei porque não fizeram igual ao ano passado, quando havia dois palcos separados para cada público.

Em termos de conteúdo, achei melhor que em 2009, por conter mais novidades e mais aplicações práticas. Ou seja, trataram diretamente de mercado em internet. Sendo assim, destaco algumas palestras que achei interessante na programação:

Na sexta, eu achei bem mais fraco que as palestras de sábado. Não sei se foi uma jogada estratégica para que favorecessem os participantes que só poderiam vir no sábado, mas ok. Destaco as palestras de Fabiano Coura, Benny Spiewak e do pessoal do yDreams. 

- A palestra do Fabiano Coura foi sobre a integração Mobile com a Web. Mas o ponto principal foi a relação entre o meio offline com o online. Foi uma palestra recheada de cases envolvendo desde geolocalização a desenvolvimento de ações estratégicas. A idéia interessante que tirei da palestra foi que a publicidade em meios massivos está sendo substituída por plataformas produzidas pelas próprias marcas. A web deixou de ser uma plataforma única para ser o suporte para múltiplas plataformas. Quando uma marca cria um software que integra mobile, web e desktop, a plataforma web é apenas um elemento dentre os três e a verdadeira plataforma está nesse software.

- Na apresentação de Benny Spiewak, saímos do mundo da comunicação e inovação para olharmos as questões jurídicas na Web. Propriedade intelectual foi o assunto. O que podemos ou não fazer. Achei bem interessante para termos consciência e alguma base para podermos realizar as ações. Valeu pelo assunto que, muitas vezes, deixamos de lado.

- O pessoal do yDreams mostrou as novidades do mundo da interatividade. Novos usos de Realidade Aumentada, instalações multimídias mais integradas com o mobile, enfim,  várias novidades e tendências na área. A apresentação valeu mais pelos cases apresentados.

Já no sábado, a história foi outra. A maioria das palestras me deixou bem satisfeito. Todas as palestras da parte da manhã foram interessantes. Na parte da tarde, destaco as palestras de Ruy Reis e o de Manuel Lemos, no encerramento.

- A primeira palestra da parte da manhã foi do professor da USP, Marcus Baldo. Especialista em neurociência, ele explicou como funciona a percepção humana sobre os fenômenos ao seu redor. Na realidade, ele fez uma palestra quase que totalmente sem nexo com a ementa apresentada (=vício de professor de universidade?), mas achei bem interessante vários pontos levantados e também o esclarecimento de que tudo que percebemos depende da forma como entendemos o contexto ao nosso redor.

- A segunda palestra foi do Anselmo Endlich, diretor executivo do site Wine.com.br. A premissa da palestra era mostrar, empiricamente, a teoria de que variedade não garante satisfação do cliente. Será que é preferível, em termos de percepção do consumidor, ter menos opções de compra do que ter milhares? A sensação incessante de ter comprado uma opção pior diante de tantas opções, realmente existe? De acordo com os dados apresentados pelo Anselmo, no caso do mercado de vinhos, isso realmente acontece. As ações tomadas pelo site para que equilibrassem variedade com a percepção do consumidor de que está comprando a melhor opção resultaram em aumento de vendas e fidelização. E hoje realmente percebemos que sites como Amazon e até mesmo pequenos blogs possuem ferramentas de recomendação, de acordo com o perfil que você apresenta. A mensagem que tiro dessa palestra é que hoje, diante de tantas opções, informações e escolhas, ter um "norte" de recomendação, principalmente vindo de opiniões especializadas e credenciadas, é o melhor caminho para o consumidor fazer a compra certa. E nada melhor que o próprio mercado faça isso pelo cliente.

- A terceira palestra foi um talk show com o fundador do Peixe Urbano, o primeiro site de compras coletivas do Brasil, Julio Vasconcellos. Interessante as visões de mercado e as opiniões que ele tem sobre as tendências que virão.  Também foi comentado sobre a forte concorrência estabelecida e os grandes conglomerados que estão entrando no mercado de compras coletivas, como o grupo Abril e o Buscapé. Nesse ponto, Julio mostrou confiança e disse: "em qualquer mercado, quem entrou primeiro sempre tem a vantagem de ser o primeiro". Mais resumido, impossível. E realmente comprovamos isso atualmente, mesmo com tantos sites concorrentes como ClickOn, Groupon (=Clube Urbano) e tantos outros.

- A quarta palestra da manhã foi com o professor Leandro Castro. Especialista em Computação Natural, ele mostrou como funciona e quais os princípios básicos dessa área de conhecimento. Basicamente, Computação Natural é a computação baseada em processos e elementos da natureza. Acho que foi a única palestra que desenvolvedores e profissionais de criação conseguiram o meio-termo.

- A quinta palestra com foi o designer Rodrigo Gonzatto. Ele, que trabalha e pesquisa na fundação Faber Ludens, mostrou a idéia e os cases sobre design livre, em que se baseia na idéia da coletividade e open innovation. Foi bem interessante, principalmente pela idéia de que design colaborativo funciona e dá certo.

- Na parte da tarde, a palestra de Ruy Reis foi fora de série. O assunto foi narrativas transmídias (=transmedia storytelling) em histórias bíblicas. Mas extrapolou para a demonstração estrutural das narrativas históricas e como mudanças nessa estrutura podem interferir na percepção da história. Sem cair na idéia já ultrapassada de multiplataformas midiáticas e se focando na estrutura narrativa em si, Ruy Reis, ao meu ver, está entre as melhores palestras do evento, senão a melhor. A idéia transmitida vale para qualquer ação em mídias: a estrutura e a forma com uma mensagem é transmitida é tão importante quanto seu conteúdo. Além disso, ele mostrou algumas simbologias nas histórias bíblicas e as ligações que existem entre a Bíblia e outras mitologias, como hebraica e babilônicas. E o encerramento da palestra foi genial (só vendo a palestra inteira para saber).

- E, por fim, a palestra de encerramento de Manuel Lemos foi bem esclarecedor e resumida de como o assunto "Fim da Web" foi tratado e quais as bases para essa afirmação vinda de Chris Anderson, da Wired. 

Não destaquei o talk show com os profissionais de humor (entre eles, o pessoal do Jovem Nerd) nem a outra palestra de encerramento com o professor Luli Radfahrer porque eu esperava muito mais de ambos. O primeiro, para mim, foi mais um lugar-comum de "como vocês criaram seus sites?" e "como vocês bolam as piadas?". Esperava modelos de negócios, planos futuros, outros assuntos. O único ponto legal foi a questão da censura, que todos responderam e me foi interessante.

Já a apresentação do Luli foi marcada pela pressa. Programado para ser em slides automáticos, era claro que ele estava falando mais rápido do que deveria para seguir os slides transmitidos. Isso foi feito para mostrar a idéia de que "estamos cada vez mais presos na Web". Não curti e acabei entendendo muito pouco por conta dessa manobra. E ele não acabou falando, diretamente, sobre a questão do fim da Web. Para mim, ele só mostrou que tem certas tendências em "prender" a Web, mas que também há movimentos para "libertar". Enfim, esperava bem mais.

Vamos ver se ano que vem fica melhor e que seja em um lugar e equipes técnicas melhores.

Exposição na Web

By Marcos Singulano , In ,

Depois de algum tempo fora, voltei pra falar de um tópico que já cheguei a comentar anteriormente no post sobre a oficina com o Gabriel Ishida durante o FEIA XI que é a importância da exposição dentro da internet, algo que vejo cada vez mais como uma ótima ferramenta de aprendizado e troca de experiências.

Quando falo exposição, quero dizer realmente jogar seu trabalho por ai na web sem medo de ser feliz e pedir críticas sobre suas fotografias, sites, anúncios, postres, textos…enfim, qualquer produto (claro, não vá colocar tudo no site em alta resolução, pronto pra qualquer um se apropriar do seu conteúdo! Tem gente mal intencionada por ai).

Dedique um pouco do seu tempo para buscar algum site ou ferramenta que te agrade, seja ela deviantart, flickr ou behance network e procure áreas que permitem exibição de trabalhos e jogue seus trabalhos na roda. Além disso, comente em outros trabalhos. Como assim?

Oras, gostou de uma fotografia ou um pôster específico. Dê sua opinião sincera ( e construtiva, ok?) sobre o trabalho de outra pessoa. Você pode ajudá-la a perceber algo que ela não tinha visto e assim encorajá-la a melhorar cada vez mais.

Ah, mas eu não posso comentar ou criticar o trabalho de alguém que tem muito mais experiência do que eu!

Mentira! Pode e deve! Pergunte como ela chegou naquele resultado ou como aquele efeito foi realizado. Você pode se surpreender com o resultado e garanto que sempre aprenderá alguma coisa nova para sua formação e sua experiência.

Outra dica importante: veja referências sempre! Dê uma passada mesmo que rápida por blogs que você gosta e de outros profissionais que você admira. Veja o que "está na moda" e o que está sendo feito pela internet. Também é uma ótima maneira de aprender.

Lógico, prepare-se para o outro lado da moeda. Da mesma forma que você critica o trabalho dos outros, seu trabalho também será criticado. Por experiência própria, leia atentamente cada crítica ao seu trabalho. Não pense logo de cara "Ah, ela não sabe o que está falando" e realmente veja e entenda o que a pessoa quis dizer. Entre em contato com quem lhe criticou, de repente você pode inclusive fazer algum contato profissional para a troca de experiências

Opiniões que não a da sua mãe e amigos, ou seja, de pessoas que não te conhecem mas que trabalham na mesma área são extremamente importantes para o crescimento profissional e pessoal. A princípio, pode parecer um pouco complicado mas a longo prazo é uma ótima maneira de aprender, conhecer gente diferente e ainda ficar conhecido por aí. Afinal, promover seu trabalho por ai é sempre bom.

Resenha crítica do livro "Fora de Série" de Malcolm Gladwell

By Gabriel Ishida , In ,

Esse post fugirá do assunto que costumo abordar. Mas recomendo fortemente que se leia.

Finalmente acabei de ler o livro "Fora de Série" de Malcolm Gladwell. Devo dizer que foi um dos livros mais impressionantes que já li. Rápido, conciso e sem enrolações, eu considero ele como o típico livro que te ajuda a pensar horizontalmente.

A premissa inicial do livro é mostrar que as pessoas de grande sucesso (ou outliers - fora de série) na história da humanidade tiveram muito mais sorte e uma série de fatores a favor do que apenas uma questão de mérito. Basicamente, elas estavam no lugar certo, no contexto certo e com tudo que precisavam para se dar bem.

O livro começa falando que a nossa sociedade de hoje vê os "fora de série" como pessoas extremamente competentes, às vezes pertencentes a outro mundo. Gladwell deixa claro, durante todo livro, que não está os desmerecendo. Óbvio que se não fossem competentes ou inteligentes, nunca teriam obtido sucesso, mesmo com todas condições a favor. Mas também deixa claro que precisamos analisar o sucesso dessas pessoas não só pela perspectiva de mérito, e sim também pelo contexto em que estavam envoltas. E iremos perceber que a sociedade valoriza exageradamente a meritocracia do que as oportunidades que surgiram para a pessoa.

Vou citar alguns fatores citados no livro que devem ser considerados na história de sucesso de uma pessoa:

- o ano e mês que ela nasceu e, o mais importante, com quantos anos foi seu "turning point" (=a época que começou a ganhar sucesso). E cruzar essa idade com o contexto sócio-econômico-político-tecnológico da época. Um exemplo que Gladwell cita é a situação de um pai e um filho. O primeiro tinha 30 anos quando houve a Grande Depressão nos EUA em 1929. O segundo nasceu em 1925.
Gladwell cita que o pai era muito bem sucedido. Pegou o crescimento da indústria no começo do século, fundou uma empresa, obteve uma grande riqueza, enfim, tinha tudo para se ter um grande sucesso e fazer história. Veio a Grande Depressão e perdeu tudo. Tinha um filho e uma esposa para criar, o que o afundou ainda mais. Teve que trabalhar duro e no limite da pobreza para sustentar a família.
Seu filho, que após a Segunda Guerra Mundial (e ter lutado nela) tinha 25 anos, aproveitou o crescimento dos EUA e traçou a mesma trajetória do pai. A diferença é que ele enfrentou sua primeira crise na década de 80, com quase 60 anos. Já estava consolidado, com bases sólidas, praticamente aposentado. Já havia acumulado riqueza suficiente para não passar aperto. Como o filho disse: "Se meu pai não tivesse nascido naquela época, ele teria tido muito mais sucesso que eu".

- quanto tempo a pessoa teve de prática/experiência/estudo/treino antes desse turning point. Aqui temos um ponto interessante e o único paradigma essencial proposto por Gladwell para a pessoa ter sucesso. Toda pessoa de sucesso teve 10 mil horas de prática ou estudo na área que se consagrou. Isso dá, basicamente, três horas de treino durante 10 anos. 
Um exemplo é os Beatles. Gladwell diz que, na história da banda, eles tocaram durante três anos na cidade de Hamburgo, em casas noturnas, antes de se tornaram famosos. Eles tocavam quase todos os dias da semana, durante incríveis 8 horas por dia. Vejam, 8 horas por dia durante três anos, dá quase as 10 mil horas de prática. Mais um pouco de ensaio e já possuem o requisito básico. Por isso que eram tão bons no que faziam.

- o legado cultural a qual a pessoa pertence ou herdou. Suas raízes contam, e muito, para seu sucesso. Gladwell cita o exemplo dos orientais. A fama de que eles trabalham sem parar e que são bons em exatas vêm da cultura de plantio de arroz. 
A rizicultura é um plantio que exige muitos cuidados e esforços para se conseguir boas colheitas. E, ao contrário da cana de açúcar, quanto mais você cuida, mais você consegue resultado. Então, a idéia de "quanto mais trabalhar, mais você consegue" se aplica perfeitamente no cultivo do arroz. Além disso, a rizicultura exige cálculos delicados para a colheita e plantio. Nível de água, área de cultivo, entre tantas outras variáveis lógicas devem ser calculadas para se conseguir os resultados.
Então, o legado dos orientais para o futuro dificilmente mudará, porque é algo inerente e enraizado.

- a criação e a formação dos pais. A formação que os pais tiveram e o contexto de criação contam muito na formação do que Gladwell cita como "inteligência prática". Ele cita o exemplo dos judeus durante a década de 30 nos EUA. Os judeus dessa época eram costureiros, pequenos fabricantes de roupas e calçados. Seus filhos, viraram médicos e advogados. Por que essa mudança drástica? Porque, diz Gladwell, os judeus dessa época faziam um "trabalho significativo". Os judeus amavam o que faziam. Davam sangue e sempre buscavam aperfeiçoar o trabalho, mesmo em condições precárias.
Imagine você, criança, vendo seu pai trabalhar duro, mas com satisfação e gerando um trabalho que o trazia felicidade, sob condições adversas. Isso influencia muito na formação de uma pessoa e refletirá depois, na construção do sucesso. A inteligência prática vem justamente da idéia de "experiência em vivência", em que é um tipo de inteligência que você adquire no dia-a-dia, na improvisação cotidiana, se espelhando nas outras pessoas, principalmente em sua família. E é algo que se obtém vivendo, no contexto ao seu redor.

Enfim, esses são os fatores principais citados no livro. Acredito que a base de argumentos do livro é muito sólida e me fez pensar sobre a trajetória de vida das pessoas e até da minha. E acho que sim, todas as pessoas tiveram sorte ou algum contexto que propiciasse uma oportunidade. E aí o mérito e competência fez o resto.

E para finalizar, um detalhe interessante do livro: não se iluda com o QI das pessoas. Gladwell cita, como exemplo, Einstein e um cara com um QI maior que o dele. Gladwell pergunta: se ele tem um QI maior que o de Einstein, por que ele não fez tanto sucesso quanto ele? A resposta é que o QI só importa até um certo momento. E ele faz um paralelo com os jogadores do basquete. Um jogador com 1,75m obviamente não será capaz de jogar de igual para igual com um de 1,90m. Mas, a partir dessa altura, o tamanho já não importa tanto. Ter 1,90m ou 2,05m já não é tão significativo quanto a diferença entre 1,75m e 1,90m (e olha que estamos falando da mesma diferença de 15cm). A partir de 1,90m, conta mais a técnica, o posicionamento, etc. do que a altura. E isso vale também para o QI. A partir de um certo QI, para qualquer área profissional, ele já não importa muito. Começa a importar outros fatores como, por exemplo, a inteligência prática.

Então fica a dica. E leiam esse livro. Vai mudar a forma como você vê a vida.

O novo (e promissor) truque do Facebook: o Facebook Deals

By Gabriel Ishida , In ,

Para quem acompanha as novidades do mundo da social media, nessa semana o Facebook lançou seu novo serviço, o Deals. Para quem não tá sabendo, abaixo o vídeo demonstrativo.



Integrado com o Places, serviço recém lançado de geolocalização, o Deals tem tudo para dar certo, ao meu ver. Para mim, ele é uma extensão do Foursquare/Gowalla. E extensão entenda-se como uma maior integração inside e outside. Inside no sentido de integrar com a rede social mais popular do mundo em uma forma bem característica do Facebook. Outside por promover uma interação maior (em uma palavra mais simples, mais forçada) entre o mundo físico e o virtual. Digo isso porque o Deals, como o nome já menciona, fornece promoções ao usuário do serviço, não apenas check-ins e badges.

Veja o caso do Foursquare. Ok, você ganha badges ao dar check-in nos lugares, vira prefeito dos lugares que mais frequenta, mas qual a interação que existe com o mundo real, efetivamente? Poucas empresas utilizaram o Foursquare para promover ações no mundo físico. De cabeça, só lembro o Starbucks. 

No Facebook Deals, o recurso de Friendly Deals é bem parecido com a idéia de consumo coletivo que vemos por aí, com Peixe Urbano, Groupon e cia. Ser necessário dar um número X de check-ins para conseguir a promoção tem a mesma idéia desses sites.

Algumas empresas grandes como a própria Starbucks e o McDonalds já fecharam acordo com o novo recurso. Vamos ver se engrena essa idéia.

Ainda dá para tirar mais coisas do Twitter

By Gabriel Ishida , In

Após uma semana ausente (época de trabalhos finais da pós), cá estou de novo. Só para atualizar, estou lendo o livro Fora de Série, de Malcolm Gladwell, e confesso que terei que fazer um post fugindo da minha linha de atuação só para comentar sobre as idéias do livro.

Mas, enquanto não termino a leitura, eu resolvi esclarecer alguns pontos sobre a extração de informações no Twitter. Existem várias questões relacionadas sobre o que o Twitter pode nos trazer para a análise em mídias sociais. Muita coisa é viagem pura e outras são informações subestimadas.

O fato é que todas as informações que podemos extrair vem da própria ferramenta e podemos ter acesso a elas no próprio site. Se logarmos nossa conta no Twitter, conseguimos saber desde horário e data do post até o aplicativo utilizado. Além disso, podemos saber também quantos retweets seu post ou algum post de um amigo recebeu. Mas apenas os retweets "puros", ou seja, que foram originários do botão "Retweet"da ferramenta, já que temos a modalidade do Retweet com Comentário, que acaba sendo contado como mention.

Falando em mentions, é aqui que começa as limitações. Primeiro que não conseguimos saber, em termos de volume, nem quanto o seu próprio perfil possui de mentions/reply quanto os dos outros. O volume bruto não conseguimos descobrir, mas alguns aplicativos online conseguem rastrear esse volume e o cruzar com outros dados para se medir a "influência" do perfil. Para mim, é complicado apenas cruzar número de mentions/replys, retweets e o número de posts para se determinar a influência. Acho que o termo "influência" é o problema. O termo mais correto seria "interação", ao meu ver.

Uma métrica que talvez apoiasse a idéia de "influência" seria o número de visualizações que determinado post ou o total de posts que um perfil recebeu. E não digo apenas na página, e sim em aplicativos do API, como Tweetdeck. Mas aí a questão fica mais complicada ainda. Como saber se seus seguidores realmente leram o seu post? Teoricamente, quem te segue, lê tudo que você posta. Mas isso depende TOTALMENTE do número de pessoas que seus seguidores seguem.

Por exemplo, se uma pessoa segue 1 mil pessoas além de você, as chances de seu post ser lido e "impactar"o leitor. Também depende do tempo de atualização da ferramenta para o recebimento de posts novos, enfim, tem uma série de variáveis nessa métrica.

Difícil implementar isso, mas se um dia tivermos em mãos essa informação, as análises em buzz serão mais precisas e eficientes, além de abrir novos horizontes de pensamento.

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