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As fases da convergência das mídias

By Gabriel Ishida , In , , ,

Texto retirado da palestra dada para os alunos do segundo ano do curso de Comunicação Social - Midialogia na Unicamp em 27 de abril de 2010.

Atualmente, a discussão sobre convergência midiática tomou novos rumos do que era há dez anos atrás. Com o surgimento da internet e, consequentemente, a implementação de novas tecnologias no consumo da informação, a convergência era questão de tempo para se tornar centro das discussões na comunicação.
Depois do estouro da bolha da internet em 1999, a virada do século foi sinônimo da criação das primeiras idéias mais concretas sobre convergência. Em primeiro momento, com a ampla gama de mídias surgindo (como os celulares), a questão da convergência se focou na análise das novas tecnologias que se apresentaram como "precursoras de novos hábitos de consumo das mídias". Aparelhos que uniam diversas plataformas, como as televisões com video-cassete acoplado, eram vistas como "todas as mídias em uma". Eram chamadas de caixas pretas, em alusão a teoria homônima de Vilém Flusser.
Após a consolidação na aplicação da convergência tecnológica, consequentemente surgiram novas formas de recepção de conteúdo nas mídias. Com a expansão da internet, essas formas eram potencializadas. Assim, surgiram inovações no uso dessas novas possibilidades, como vimos na franquia Matrix. Nesse exemplo específico, temos um uso integrado de diversas mídias para formar o universo da franquia. É a completa imersão narrativa que Janet Murray teoriza e o uso da narrativa transmidiática de Henry Jenkins.  
Assim, Matrix consolida um paradigma que começara com Star Wars há muito tempo através do uso disseminado do conteúdo em diversas plataformas. Com isso, percebemos que a centralização tecnológica apenas fortalecia as características intrínsecas de cada mídia. A televisão não deixaria de ser televisão mesmo sendo acoplada a um rádio ou computador. A convergência tecnológica era apenas consequência dos novos tempos, mas os novos hábitos de consumo de mídias eram resultados diretos dessas novas tecnologias. Percebeu-se que, agora, as pessoas consomem informação de diversas mídias e, principalmente, procuram se envolver com o conteúdo, através das novas possibilidades surgidas com a tecnologia.
Com o surgimento do iPhone em 2007, temos um novo marco para os estudos da convergência. Os dispositivos móveis consolidam a convergência tecnológica, pois são as novas caixas pretas, com a mobilidade como valor agregado. Nesse momento, percebemos que a convergência tecnológica amadureceu de vez junto com a idéia de consumo de informação, e não de mídias. Atualmente, não se encara mais a comunicação como formado por mídias e sim por consumo de informação. Isso não quer dizer que não se deve mais olhar as novas e velhas mídias, muito pelo contrário. São essas que produzem conteúdo e dão valor para a informação. Mas o receptor é quem determina os usos e dita novas tendências. É uma relação de simbiose.
Assim, a idéia de convergência agora passa de transmídia para experiência, ou seja, a convergência se faz presente na experiência de contato e interação que existe entre o indivíduo e a informação. Por conta dos avanços tecnológicos e o consumo social de diversas mídias estarem já consolidados*, agora é a hora de se concentrar no indivíduo. A experiência é algo de nível pessoal, que visa a personalização e segmentação. É envolver o receptor na mensagem ou fornecer uma relação diferenciada. Para fechar, um dos exemplos mais ilustrativos dessa nova fase: a idéia de loja-conceito, aqui exemplificada pela Apple Store.



*Consolidados no sentido de estarem amadurecidos no âmbito social, político e econômico. Atualmente, novas mudanças nesses dois aspectos são mais aceitos e encarados de forma mais aberta pelas empresas e sociedade.

De volta para o futuro

By Gabriel Ishida , In

Inspirado na reportagem da edição número 592 da revista Carta Capital, pg. 58.

O oficial do exército colombiano Pablo Emilio Moncayo foi libertado pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) no dia 30 de março de 2010. Ele ficou preso por 12 anos, desde dezembro de 1997.

Durante seu período de cativeiro, o Windows 98 fora lançado, a Apple criara o seu primeiro iMac, o Google nascera, a bolha da internet estourara, o bug do milênio espantara tantas pessoas...Isso citando apenas o século passado. O resto sabemos bem.

Ao ser solto, a primeira coisa que impressionou Moncayo foi um objeto pequeno que estava nas mãos da senadora colombiana Piedad Córdoba. Era um Blackberry.

Ele perguntou para a senadora para que servia aquele aparelho. Ela respondeu que servia para fazer ligações, tirar fotos e acessar a internet. E mostrou uma foto da irmã de Moncayo, que nascera enquanto ele estava preso.

Enquanto se dirigia para o centro militar, ficou maravilhado com os letreiros eletrônicos no centro de Bogotá, assustou-se com a gripe suína e teve seu primeiro contato com o iPod.

Ele não tem conhecimento sobre o que são redes sociais, twitter, dispositivos móveis e todos momentos tecnológicos que passamos. É como se ele fosse para o futuro. Imaginem se fôssemos para 12 anos no futuro.

A frase que Moncayo falou após ser libertado resume o que sentiríamos: "É assombroso voltar à civilização". Metafórico dos nossos tempos?

Fonte original: El Mundo.

Geração Z

By Gabriel Ishida , In

Se nós somos a geração Y, então as crianças que nascem nos anos 2000 são a geração Z, certo?

Nasceram num mundo de touchscreens, de interatividade coletiva, de interfaces inteligentes e dispositivos móveis. O que esperar dessa geração? Veja esse vídeo e se surpreenda com essa garota de 2 anos e sua experiência com a interface do iPad.




Fonte: Invertido

Internet via rede elétrica

By Gabriel Ishida , In

Desde semana passada já começou a operar a internet via rede elétrica no Brasil. Funcionando em apenas três bairros da cidade de São Paulo e oferecido pela operadora Intelig, começa-se a traçar um novo panorama no cenário do acesso à internet brasileira.

Veja a notícia aqui.

Um novo panorama pois agora prevejo que a nossa banda larga, uma das mais caras no mundo, pode mudar essa característica. O plano básico da Intelig já se posiciona como a opção mais vantajosa no mercado paulista (=Virtua e Speedy). A tendência é, com o aumento da área de alcance, continue nessa faixa de preço ou que, pelo menos, possa bater de frente com as duas companhias de internet via cabo, oferecendo uma concorrência perigosa a ambas.

Ainda por cima, penso que agora o Plano Banda Larga ganha uma nova força de ação, já que, convenhamos, é mais fácil acessar a internet via rede elétrica do que produzir e investir em cabeamento (ou reuso desses). Além disso, penso também que o acesso via mobile acabe se barateando junto com o acesso doméstico.

Por enquanto, uma das grandes desvantagens da internet via rede elétrica é a exigência de fiações mais novas. Uma casa com fiação velha pode não suportar a banda que será necessária. Outro problema é com os celulares. Há a possibilidade de existir interferências da internet nos celulares, podendo deixá-los mudos.

Ah, e claro, nada como se espantar com um ressurgimento da Intelig, agora sendo pioneira nessa tecnologia que, ao meu ver, será uma catalisadora da transformação social que a internet traz (e trará) para nossa sociedade.

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