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"Todos os filmes são estrangeiros"

By Gabriel Ishida , In

Essa afirmação vem do título do artigo de Arlindo Machado para a revista Matrizes, edição 3, produzido pela Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da ECA - USP.

O sentido de estrangeiro tem uma conotação diferente do exótico. Exótico é um estranhamento positivo, quando você se interessa por algo por ele ser diferente do seu habitual. Estrangeiro é derivado direito do estranho e aqui a conotação tem um sentido negativo. Estrangeiro é algo desconhecido, que impõe medo justamente por sua imprevisibilidade.

Tomando esse conceito, Machado defende que a "estrangeirização" dos filmes vêm em duas ocasiões: na legendagem e principalmente, na dublagem.

A legendagem atua na estrangeirização do ato fílmico. O cinema é audiovisual. A experiência de ser envolvido pelas imagens e pelos sons é interrompido por uma concentração em seguir as legendas presentes na tela. Será que a experiência com e sem legendas é a mesma coisa?

A dublagem é a estrangeirização principal. É uma questão de desterritorialização da diegese fílmica. Como um filme, feito sob uma diegese indígena, as falas estão em inglês ou em português, como é nosso caso? Nesse ponto, vejo que Machado segue uma linha bem semelhante à defendida por André Bazin, em que o realismo fílmico deve ser seguido com o máximo rigor. Nesse caso, Machado defende um "cinema de sotaques", ou seja, a plena autenticidade dos fatos lingüísticos e também sociais.

Machado, ao mesmo tempo que defende essa autenticidade bazaniana, também encontra dificuldades em estabelecer uma solução que não comprometa o entendimento fílmico pelo público globalizado. Uma das soluções apontadas por ele é incorporar esses "estrangeirismos" na linguagem fílmica, ou seja, transformar legendas e dublagens em elementos da própria diegese fílmica.

A concorrência entre as redes sociais

By Gabriel Ishida , In

Incrível como as leis de mercado também se aplicam para as redes sociais. Durante algum tempo, acreditava que havia um desdobramento, até mesmo no nível de estrutura, dessas leis de mercado que conhecemos (= oferta, demanda e valor de troca), mas agora vejo que não há um desdobramento, é apenas uma adequação para os novos tempos que vivemos.

Até mês passado, não havia uma concorrência clara entre o Facebook e o Orkut, isso no nosso âmbito nacional (já que o Orkut só é majoritário no Brasil e na Índia). Lá fora, havia uma rivalidade não-direta entre Facebook e MySpace, apesar de ambos serem, na teoria, diferentes enquanto recursos. Mas últimas pesquisas indicam uma queda no MySpace e um crescimento do Facebook.

Ao que percebo, o Facebook possui uma infinidade de possibilidades e esse leque é mais atrativo do que redes especializadas e focadas, como o MySpace. Além disso, o MySpace sofre com o crescimento do Twitter, já que o Twitter anda servindo como um canal/painel dos artistas/celebridades para direcionar o tráfego para seus sites/blogs pessoais, dispensando canais intermediários como MySpace e Youtube.

E no começo do mês, o Facebook lançou uma clara tentativa de migração do Orkut para sua rede social: agora existe a possibilidade de você descobrir se algum contato do Orkut possui Facebook e assim, adicioná-lo. Eu mesmo usei esse recurso e funciona. Quase tripliquei meus amigos no Facebook.

O objetivo disso é claro: utilizar a rede social mais popular no Brasil para conseguir mais hábito de uso no Facebook. É lógico, se uma rede social tem mais amigos, eu vou utiliza-la com mais freqüência. E o troco do Orkut vem logo mais: um novo visual, com recursos muito parecidos com o do Facebook, como aquela barra de compartilhamento, ao estilo de Twitter. E o grande atrativo é a possibilidade de personalização do seu perfil, com cores e templates novos.

E para quê toda esse investimento em abocanhar mais tráfego e uso? Simples, atrair receita publicitária. É naquela velha lei da televisão: audiência = publicidade = dinheiro.

É, certas coisas não mudam.

As três visões da comunicação de Sfez

By Gabriel Ishida , In

Muito interessante a divisão que Lucien Sfez estabelece em seu livro "A comunicação". Basicamente, ele separa a comunicação em três visões: representacional, expressiva e confusional.

Representacional, ou visão das máquinas, é uma vertente utilizada pelas primeiras pesquisas norte-americanas em comunicação de massa (Lasswell, Lazarsfeld, etc.) além dos críticos de Frankfurt. Ela deriva da Teoria da Informação de Shannon e Weaver e consiste no distanciamento observacional do sistema comunicativo. É ver o meio apenas como um canal de transmissão. O meio é neutro, apenas utilizado para a transmissão da mensagem. Quem tem poder aqui é o emissor. Ele que rege as determinações do conteúdo. Atualmente, essa vertente ganha força com os experimentos teóricos da Inteligência Artificial, pois se entende que o emissor (os programadores e cientistas) possuem papel primordial na construção do sistema artificial de inteligência.

Expressiva, ou visão do organismo, é a vertente utilizada pela Escola de Chicago, Palo Alto e Estudos Culturais Britânicos. É entender a comunicação como parte natural de um todo (o Creatura de Bateson). Para Bateson, não há uma distinção entre emissor, mensagem, meio e receptor. Essa distinção é desconsiderar a comunicação como processo natural do ser humano. O meio faz parte do todo, ou seja, seu uso é determinado para expressar algo comunicativo dos seres humanos. É como se a comunicação fosse algo latente nas pessoas e que o meio é a "faísca" (= oportunidade, canal) para que as pessoas se comuniquem. Aqui, quem tem o poder é o receptor. O receptor tem o mesmo nível hierárquico do emissor, pois o entendimento da mensagem depende, exclusivamente, do receptor. E esse também tem o papel fundamental da circularidade da informação, ao se tornar emissor, formando um círculo orgânico da comunicação.

Confusional, ou visão do tautismo, é a vertente utilizada pelos atuais estudos da Cibercultura, principalmente os voltados para a questão do simulacro e realidade virtual. A distinção emissor, meio, mensagem e receptor é multinivelada, ou seja, existem várias camadas dessa distinção, pois, para a visão confusional, vivemos em diferentes realidades comunicativas. Isso é causado pelo efeito que os meios de comunicação fizeram em nossas vidas. Atualmente, o ser humano é indissociável ao meios de comunicação. Sua identidade e suas atitudes são moldadas de acordo com os meios de comunicação e o universo que cada um cria. Para Chomsky, um ser humano sem meios de se comunicar não é um ser humano. A comunicação representacional e a expressiva se misturam, pois tudo depende da visão de realidade que é adotada. Aqui, quem tem o poder é o meio, pois ele é quem molda a realidade do ser humano, tornando-se indispensável e indissociável à nossa condição humana.

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