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Como você aceita uma nova rede social?

By Gabriel Ishida , In

Recebi um convite para ingressar na rede social Sonido há algum tempo por um amigo. Ele dizia: é um Orkut bem melhorado. Tem mais recursos, a interface é mais legal e os aplicativos são bem mais interessantes.

Aí, na lógica normal das coisas, você pensa: então você está usando o Sonido agora, certo? Errado. Mesmo com tantas coisas que achei melhores, eu acessei duas vezes o Sonido: uma para criar a conta e outra para ver o que tinha nele. Só.

Eu me avaliei, enquanto usuário de internet, e pensei: por que ele não me chamou a atenção? Ele é, ao meu ver, melhor do que o Orkut em termos de usabilidade, mas mesmo assim...

Foi nesse caso que percebi a aplicação prática da principal idéia do livro que li anteriormente chamado "Posicionamento, uma batalha por sua mente" de Jack Trout e Al Ries: Posicionamento.

O Orkut foi a primeira rede social que eu abracei e utilizo com grande frequência até hoje. Já tive duas contas (a primeira foi hackeada) em seis anos de uso. Em minha cabeça, o Orkut foi pioneiro e está posicionado como "a rede social que uso socialmente". Aí veio o Facebook, que logo criei minha conta nele e comecei a explorar. Mas ele não substituiu o Orkut, pelo contrário. Os dois se complementam, no meu caso. O Orkut para relacionamento com meus amigos e o Facebook para utilizar seus aplicativos e sua convergência de dados. Resultado: utilizo os dois com a mesma frequência atualmente. O Facebook está posicionado como "uma rede social que me divirto". Também uso o Drimio e o LinkedIn, só que com menos frequência. Eles estão posicionados como "rede social que me informo sobre as marcas que gosto" e "rede social que faço contatos profissionais", respectivamente.

Assim sendo, o Sonido não tem espaço para se posicionar em minha mente. Como diz o livro, é quase impossível você tirar uma marca bem posicionada na cabeça dos consumidores. É necessário encontrar um novo posicionamento. Era necessário uma nova atratividade para que eu utilizasse o Sonido.

Lógico que tem outras variáveis, como número de pessoas que participam da rede social. Mas acredito que a questão do posicionamento é a predominante.

O valor da comunidade virtual

By Gabriel Ishida , In

Interessantíssimo o capítulo 8 do livro Conectado de Juliano Spyer, o qual estou lendo atualmente. O assunto é comunidades virtuais.

Comunidades virtuais, antes de mais nada, não significa apenas o Orkut (= está inserida). Aliás, esse recurso do Orkut é um dos milhares de exemplos. Mas o grande representante é o fórum.

O que mais chama atenção nesse capítulo é a parte destinada a motivação das pessoas em participar dessas comunidades. E nesse ponto, temos que olhar para nosso umbigo.

O que me motiva a participar de uma comunidade virtual? Primeiro é a ementa. Qual assunto é abordado? Isso é primordial, para qualquer um. Mas o segundo é o mais importante, ao meu ver, que torna o primeiro talvez uma camada secundária: a participação das pessoas da comunidade. E isso naturalmente gera conteúdo.

E isso é fato. Se uma comunidade tem como assunto principal a culinária, eu obviamente não vou ter muito interesse. Mas se o papo e as informações que circulam entre os participantes for interessante, mesmo sendo de um assunto que não gosto, eu vou pelo menos dar uma olhada nessa comunidade.

Spyer defende que o capital social presente nas comunidades é o grande triunfo e o que gera tantas reflexões e debates sobre a Web em nossas vidas. O que motiva as pessoas a participarem de comunidades com tantas pessoas estranhas de todos os cantos do mundo, buscando trocar informações de graça com outros interessados? O que motiva as pessoas a gastarem um tempo de seu dia para visitar e acompanhar essas comunidades? Para Spyer, tudo gira em torno da circulação de informação e seu valor para cada internauta.

O que ganho postando no meu blog ou em comunidades virtuais, informações que aprendi ao longo da minha vida ou experiências que passei? Nada, fisicamente. Mas o reconhecimento e a troca de informações que obtenho com outras pessoas sobre meus posts já valem todo esforço. A possibilidade de conversar com pessoas que nunca vi na vida sobre assuntos de interesses mútuos é o capital social que me estimula a continuar postar. E isso vale também quando leio e comento outros posts de pessoas estranhas.

E como defende o teórico Jean Paul Jacob, o grande valor da cibercultura vem da sabedoria e construção coletivas que o novo paradigma de circulação da informação adquiriu. A comunidade virtual possui um sentido único, um capital social que apenas o coletivo pode proporcionar. Não é uma simples soma de valores de cada participante: tem um novo fator social a ser acrescentado.

Comunidade virtual: 1 + 1 não é igual a 2. É igual a 3.

Resenha do livro "Posicionamento: a batalha por sua mente"

By Gabriel Ishida , In , , ,

Finalmente, irei fazer um pequeno resumo das principais idéias do livro "Posicionamento: a batalha por sua mente" de Al Ries e Jack Trout.

Dizem que é um dos principais livros do mundo do marketing. Realmente, existem inovações naquelas 210 páginas. Mas o mais importante são as idéias que eles passam sobre posicionamento.

Primeiro que posicionamento não é uma batalha com sua concorrente. Não existe "combate frontal". A idéia de posicionamento é justamente evitar confrontos diretos e conquistar novos terrenos. Por exemplo: aparentemente, Mc Donalds e Burguer King são concorrentes diretos. Sim, são na mesma área de fast food. Mas qual imagem que cada um te passa quando Mc Donalds e Burguer King são mencionados? Eles passam a mesma imagem para você? Se não passam, é porque eles são posicionados diferentemente em sua mente.

Nesse conceito, os autores defendem um certo costume do olhar humano: "nós vemos o que queremos ver". Para eles, o ser humano é conservador: espera algo que lhe interesse. Sendo assim, se o Mc Donalds redefine seu posicionamento de uma hora para outra, as pessoas irão rejeitar, pois o seu olhar condicionado e agradavel é o Mc Donalds com seu antigo posicionamento. Por isso que é tão difícil alguma impressão ou idéia ser mudada na mente das pessoas. É meio que uma inércia do pensamento.

Sendo assim, os autores defendem que a melhor saída é obter um posicionamento totalmente novo na cabeça das pessoas. Ganhar a exclusividade. O Mc Donalds conseguiu seu sucesso no Brasil porque foi o primeiro fast-food com um modelo de lanchonete diferente dos convencionais: drive-thru rápido e eficiente, identidade visual forte, um bom apelo ao público infanto-juvenil e o principal: a idéia do molho especial. O que o Mc Donalds tem que as outras lanchonetes não tem? O molho especial. Esse é a rede de elementos que compõem o posicionamento do Mc Donalds.

Sendo assim, não adianta martelar no mesmo posicionamento que o concorrente. O primeiro que adota um posicionamento na cabeça das pessoas sempre vai ganhar. A Xerox é líder de copiadoras, tanto é que nos referimos a fotocópias por xeroxs. Mas ela foi se aventurar no campo das máquinas fotográficas, tentando levar o peso do seu nome contra a Kodak. Perdeu, porque simplesmente não ofereceu um novo posicionamento no campo das máquinas fotográficas. Quis bater de frente com a Kodak, a pioneira.

Para os autores, não adianta: se quer ganhar espaço, tem que ter uma idéia diferente. Achar uma brecha, uma carência no mercado. A Heineken se posiciona como uma cerveja dos futebolistas e ganha uma boa fatia do mercado tão disputado de cervejas. A Adidas também segue o mesmo raciocínio, no campo dos calçados. Por isso que é bom reconhecer as segmentações do público, não considerar o público como uma massa amorfa.

E isso vale para todos os campos da comunicação, não só o marketing. Vejo o livro como um bom alerta de como devemos ver o público com quem nos comunicamos. O conceito de posicionamento não é só válido para o marketing, e sim para tudo que fazemos na comunicação. Reconhecer a diferenciação de públicos, lidar com novas idéias, estudar como somos vistos pelos outros são princípios que regem todas nossas atividades.

Ah, o próximo livro será "Conectado: o que a internet fez com você e o que você pode fazer com ela" de Juliano Spyer.

UPDATES: Para entender um dos pilares do posicionamento, que é o branding, veja esse post sobre logotipo.

Veja esse exemplo de tentativa de reposicionamento da Polaroid.

As tentativas de quantificar a Web

By Gabriel Ishida , In

Eu andei lendo em muitos textos na Web sobre formas de criação de métricas para a Web. Uma das grandes dificuldades encontradas pelos especialistas é determinar o raio de influência que determinado assunto/marca pode alcançar. Contagem de visitantes únicos já não serve para quase nada: todos especialistas em Web sabem que o importante é saber qual grau de viralização que esses visitantes possuem. O que adianta ter um milhão de visitantes únicos se um pouco mais de mil espalham o conteúdo do site? É preferível que tenha cinco mil visitantes, mas dois mil serem “viralizadores”.

Tentativas de medição de pontes de links e busca por fontes de referência são as tentativas mais usadas para ter um controle desse raio de influência. Serviços como Blogspot, WordPress, Analytics e entre outros já possuem um medidor de referências que determinado link possui em outros sites. Mas sabemos bem que não basta eu apenas “copiar e colar” o link e mandar para outra pessoa, via Twitter, blog, Orkut, etc. O que realmente importa é o elemento indexador que vem com esse link, e aqui caímos para o poder do comentário. O que adianta ter um milhão de pessoas rebatendo seu link mas se todas elas falarem mal de seu site?

Essa questão do comentário é o mais primordial, ao meu ver. Mas tem outros pontos ainda obscuros. Como medir se alguém é viralizador ou não? Existem várias formas de viralizar algo. Postar no Twitter não é a mesma coisa do que mandar via scrap para um amigo. São raios de alcance diferentes e com características próprias, assim como postar no blog, comentar por fórum, etc. Além disso, a própria forma de contagem de visitantes tem sérias dúvidas. Tudo por conta do tempo de navegação. O que adianta ter um milhão de visitantes únicos no mês mas se todos ficam 10 segundos em seu site? Como sabemos, o buscador Google é uma das formas mais usadas para buscarmos algo na Web. Se eu entro em um site indicado pelo buscador do Google e vejo que não é o que eu quero, eu simplesmente saio sem ler tudo. Mas mesmo assim eu sou contado como um visitante único, só por ter entrado no site. Atualmente, existem medições de tempo médio de navegação no site para os visitantes, mas mesmo assim, tempo médio, como o próprio nome já indica, é uma média. Um internauta ficar 10 minutos navegando no seu site e outro ficar 10 segundos não é a mesma coisa que os dois tenham navegado um pouco mais de 5 minutos cada. Sabemos bem disso, como usuários médios da internet.

Por isso que defendo que não dá para medir com precisão a maioria das coisas da Web. É tudo muito subjetivo e segmentado. É caso a caso. Então, que tal as pessoas verem a internet como rede de relacionamentos e incentivador de integrações ao invés de um Ibope online?

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