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Drimio, a rede social das marcas.

By Gabriel Ishida , In

Ainda irei falar muito sobre o "Reconhecimento de Padrões" de William Gibson e sobre o novo livro que estou lendo: "Posicionamento, uma batalha por sua mente" dos brilhantes gênios do marketing, Al Ries e Jack Trout, mas esse post é para falar sobre minha nova "aquisição": Drimio.

Drimio é uma rede social feita para as marcas. Sim, o grande lance é estabelecer um canal, convergente, das marcas com seu público internauta. Criei minha conta lá e já estabeleci as marcas que me agradam ou não. E vou passar as primeiras impressões que tive sobre essa rede.

Faz uma semana que criei o perfil. Por essa experiência, acredito que o Drimio consiga um bom espaço na Web. O porquê vem do simples: como defende no livro de Gibson, tudo isso é um padrão. Já deixou de ser tendência as marcas entrarem na Web para defenderem seus valores (= posicionamento) para seu público. Já deixou de ser preocupação a Web dar retorno empírico nos resultados: as marcas sacaram que a Web não é funcional para incrementar as vendas. É tudo questão de posicionamento.

Vejo que o Drimio junta dois padrões: inserção das marcas em redes sociais e a questão da convergência. Convergência não no sentido midialógico que conhecemos (= convergência dos meios) e sim convergência de informações. Com a Web cada vez mais insana e bagunçada em termos de informação, uma rede social que agrega todas as principais marcas é uma grande convergência para nós, clientes em potencial, podermos explorar e comparar essas marcas em um lugar só, com todos em pé de igualdade (= como se fossem perfis de orkut). Pela minha rápida olhada nessa uma semana de uso, pude já imaginar formas diversificadas dessas marcas atuarem nessa rede. E quem tem tudo a ganhar, como espectadores, serão nós.

Para quem curte campanhas de atuação na Web pelas grandes marcas (= como eu), o Drimio é uma ótima pedida e aposto que ainda ganhará sucesso dentro da Web. E aposto ainda que o Drimio será um grande canal de relacionamento entre clientes e marcas, algo buscado em todas as campanhas envolvendo Web.

Reconhecimento de Padrões: o que é isso?

By Gabriel Ishida , In , ,

Finalmente, depois de um mês de leitura, termino o livro de William Gibson, "Reconhecimento de Padroões" e devo dizer que é uma satisfação enorme ter lido o livro e, principalmente, ter tomado contato um pouco do universo cyberpunk da literatura (= não é o cyberpunk ao pé da letra, mas o livro tem raízes bem visíveis desse movimento). Além disso, o livro me fez ler um pouco mais sobre coolhunters, o momento atual da ciberespaço* e sobre algumas variantes do punk.

Irei falar ainda um monte de coisas sobre o livro, mas nesse post vou comentar um pouco sobre o título do livro e o que isso representa, ao meu ver, na comunicação, principalmente na Web.

Uma rápida buscada no Google com as tags "Reconhecimento de padrões" e vejo um monte de artigos científicos, de alto teor empírico e descritivo, sobre o processo de reconhecimento da inteligência artificial dos computadores. Na Wikipedia, o artigo indica justamente a esse campo da ciência da computação.

Mas o interessante é que o livro não faz essa referência, mesmo com a mesma terminologia. No livro, acredito que o título esteja mais ligado ao objeto principal da história e como ele se relaciona com nossa cultura. É complicado eu não dizer alguma coisa da história (= para quem for ler), mas basicamente, o livro trata de questões que nos permeiam cotidianamente, e creio que isso seja parte do processo de reconhecimento de padrão em nossa cultura. Tentarei explicar:

O livro é extremamente atual com nossa vida. Escrito em 2003, o livro retrata muito bem nossa cultura marcada pela Web. Em todo momento há referências de e-mails, o objeto principal do livro vem de um fórum-comunidade da Web e todo um aparato tecnológico que estamos acostumados: iBook, laptops, celulares, etc. E todos essas ferramentas servirão para a protagonista Cayce Pollard, coolhunter (= caçadora freelancer de tendências), para encontrar o autor de um filme que é solto em fragmentos pela Web e anda causando um mistério em torno da narrativa e do próprio criador dessa obra, considerada inovadora e, ao mesmo tempo, uma poderosa ferramenta de comunicação.

O processo de reconhecimento de padrão está em toda essa busca de Cayce pelo criador dessa obra e pela forma como essa obra é vista pelos internautas. Cayce procurou todo suas pistas pela Web. E é esse o primeiro padrão estabelecido no livro: hoje, tudo é encontrado na Web. O mundo está no ciberespaço. Cayce não é nenhuma detetive especializada, mas caça informações como uma, graças ao ciberespaço* e sua vastidão. Ela fez poucos contatos pessoais, e todos esses foram conseguidos pela Web. O livro liga sua habilidade em caçar tendências com seu faro de informação via Web, mas vejo que hoje, 6 anos depois da criação do livro, todos somos Cayce. Um usuário mediano de internet consegue encontrar a maioria de suas informações. E se tiver uma forcinha hacker então, você encontra tudo.

Além disso, a referida obra que Cayce busca saber sobre o criador é um exemplo atualíssimo de como as redes sociais se articulam enquanto redes de informação. Avatares, perfis online e trocas de comunicação são constantes no fórum sobre a obra. É coisa que estamos vivendo hoje, nas redes sociais. E isso é um padrão na cibercultura: essa troca comunitária de informações sobre diversos assuntos que tocam nossas vidas.

Sendo assim, acho que o titulo do livro tem mais a ver com a forma como nos relacionamos com os recentes movimentos da Web. E fazemos isso de forma quase natural: interagindo com novas ferramentas, explorando melhor as possibilidades dos velhos recursos, ou seja, nós mesmos somos coolhunters da comunicação: identificamos as novas tendências e as aplicamos no nosso dia-a-dia. O marketing utiliza da mesma forma, assim como as mídias tradicionais convergem-as para seu proveito, e assim vai. Isso vale tanto para a Web quanto para as novas tecnologias que aparecem a cada dia.

Mas é bom lembrar que por trás de tudo isso, a figura humana é essencial para construção desse universo de padrões. Tudo que Cayce descobriu e desvendou foi intermediado pela comunicação, mas foram os humanos que exerceram o papel fundamental no estabelecimento desses padrões. Portanto, somos interagentes principais da comunicação. Nós que levantamos as tendências, nós que expomos o que está rolando no ciberespaço*, nós que utilizamos as novas tecnologias, enfim, nós somos coolhunters do século XXI.

*o termo ciberespaço foi originalmente criado pelo próprio William Gibson no seu livro clássico Neuromancer, livro que originou a trilogia Matrix.

Jornal impresso e a Web: um não funciona com o outro?

By Gabriel Ishida , In

Quero deixar aqui meus comentários sobre essa reportagem, indicada pelo meu amigo midiálogo Mateus Pavan.

A íntegra está aqui. É bem comprida, mas quem tiver tempo, leia tudo porque é muito interessante.

Vou fazer de um jeito bem funcional: copiarei as partes que eu quero comentar e colocarei o respectivo comentário abaixo.

Para começar, a reportagem é uma troca de cartas entre Steven Johnson, um dos grandes téoricos da atualidade sobre cibercultura (cujo um dos seus livros eu comentei por um bom período aqui no blog - Cultura da Interface) e Paul Starr, jornalista ganhador do Pulitzer. Eles discutem o futuro do jornalismo impresso e na Web. Antes de mais nada, quero deixar claro que tenho uma grande afinidade com as idéias de Johnson e isso talvez ofusque algumas análises que faço, por isso julguem tudo isso como minha opinião dos fatos.

"Acho que existem boas razões para pensar que o sistema de notícias que está se desenvolvendo on-line será melhor que o modelo dos jornais com o qual convivemos nos últimos cem anos.

Uma maneira de enxergar essa transformação é pensar na mídia como um ecossistema.

Na maneira como ela circula a informação, a mídia de hoje é, de fato, muito mais próxima de um ecossistema do que era o velho modelo industrial e centralizado da mídia de massas." Linhas 14-18 - primeira carta - Johnson

Uma visão interessante de Johnson sobre a nova forma da informação. E acho que é assim mesmo: a informação circula entre nós como se fosse ar. E isso tem decorrência tanto na abundância ao nosso redor quanto na forma de produzirmos. Muito mais acessível produzirmos nossa própria informação do que 20 anos atrás. E a forma de as circular é também bem mais facilitada.

"A democracia depende da cobertura noticiosa independente de todos os níveis de governo, especialmente os níveis que respondem diretamente aos eleitores. As pesquisas em ciências sociais mostram que, onde a mídia noticiosa é fraca, a corrupção está muito mais presente. Sem uma imprensa independente capaz de cobrar responsabilidade dos governos locais e estaduais, o projeto básico de uma democracia federal fica comprometido." Linhas 28-32 - segunda carta - Starr

"Embora seja inquestionável que a internet oferece uma diversidade de opinião e acesso a novas fontes, ela não vem conservando o jornalismo profissional generalista em seus níveis anteriores."
Linhas 57-58 - segunda carta - Starr

Na realidade, achei Paul Starr bem conservador em diversos pontos. Conservador, mas com argumentos. Alguns muito válidos, como da primeira afirmação. Realmente, ter uma imprensa forte ajuda no processo democrático e impõe transparência no mundo da informação. E a contribuição do jornalismo impresso ficará marcado para sempre na sociedade, isso sem dúvidas. Mas dizer que a internet não coloca credibilidade na informação, é desprezar trabalho de blogueiros de extrema qualidade, como Hewitt e Sullivan, além de outros portais de notícias. Acho que a questão, para Starr, é mais o canal Web em si do que a fonte. A fonte é confiável como qualquer portal de notícias. Mas pelo simples fato de que "todo mundo pode postar notícia" é que Starr julga a falta de credibilidade das notícias. Acho que o caminho não é bem aí.

"Amadores locais vão vasculhar documentos públicos em busca de detalhes reveladores, e pais presentes às audiências escreverão em blogs sobre o impacto sobre escolas específicas à sombra do projeto. E sites como o Outside.in vão circular as observações deles a leitores que vivem nessa zona escolar, enquanto novas organizações beneficentes como a Spot.us vão financiar artigos investigativos sobre o histórico passado das empresas envolvidas na construção.

Se forem espertos, jornais de Nova York como o "Times" e o "Post" vão aproveitar essa cobertura, compartilhá-la com seus leitores, usá-la para vender anúncios locais e às vezes colocar um de seus repórteres treinados para desenvolver artigos novos.

Estes últimos, por sua vez, acrescentarão valor enorme à cadeia de informação, e o ciclo inteiro recomeçará" Linhas 36-46 - terceira carta - Johnson

Johnson explicou um exemplo de como é o sistema de informação (notícias) na Web. Um blog faz um recorte, outro faz de outro, mas tudo sob um fato específico. Isso que é o grande ecossistema da informação: ter diversas naturezas e visões sobre o mesmo assunto. E a mídia impressa não faz isso, não sozinha, como a Web faz.

"Sites como o seu, que tiram notícias, comentários --e lucros-- da web dependem inteiramente de que outros paguem pelo trabalho original de reportagem. Alguns blogueiros podem dar furos jornalísticos ocasionais, mas fazer de conta que eles possuem as capacidades de um grande jornal metropolitano é enganoso.

Um site que tira notícias de outros lugares pode ampliar o público do material que coleta, mas, se existe algum efeito de engajar o público, isso acontece porque outros estão fazendo o trabalho. Engajar o público requer que se identifiquem os acontecimentos e apontem seu sentido, e não apenas que se reproduzam informações (e desinformações) isoladas." Linhas 30-37 - quarta carta - Starr

Lógico que blogueiros não possuem as características de um grande jornal nacional. Mas nem por isso pode desmerece-los como fonte de informação confiável. Toda uma reputação está anexada nessas fontes. E está certíssimo que quem faz o trabalho de engajamento são os outros, porque é assim que a Web atua: todos fazem o conteúdo, é o coletivo. Nada é centralizado, tanto é que modelos como Wikipedia são fontes valiosíssimas enquanto informação. Como diz o teórico considerado o futurólogo da Web, Jean Paul Jacob, a sabedoria do coletivo é muito maior e mais valioso do que o individual.

Recomendo a leitura inteira da reportagem. Esses são apenas alguns pontos que queria ter postado. Tem vários outros, mas esses são os mais importantes.

O potencial da rede social na vida real.

By Gabriel Ishida , In

Como eu disse, meu livro dessa vez é "Reconhecimento de Padrões" de William Gibson, autor do aclamado livro "Neuromancer", considerado um dos marcos da cultura cyberpunk e inspirador da trilogia Matrix.

Bom, estou praticamente na metade dele e creio que o acabo em duas semanas. O livro possui uma história totalmente ligada ao nosso novo contexto social, ou seja, nossa relação com a Web e como essa afeta nosso convívio, moldando (uma) nova(s) cultura(s).

Mas o que interessa aqui é uma passagem do capítulo 9 em que a protagonista Cayce Pollard conhece Magda, uma empregada da Trans, uma sub-agência da Blue Ant, uma agência poderosa em publicidade. O contexto como se conheceram não importa aqui (leiam o livro), mas o que importa é a função desempenhada por Magda. Ela é uma espécie de "agente social" em publicidade.

Magda é contratada para divulgar a marca de um produto para as pessoas, mas de uma forma bem "sutil": ela vai em coquetéis, boates e eventos sociais de qualquer natureza, para se "enturmar" em conversas com pessoas estranhas e, ocasionalmente porém propositalmente, falar bem do produto que ela precisa divulgar. O fato é que ela precisa fazer isso de forma natural, como se ninguém suspeitasse que ela é contratada para fazer isso, como se fosse uma conversa entre amigos.

Para exemplificar: imagina que você está numa festa com seus amigos, chega alguém, provavelmente com algum contexto para puxar um papo. Conversa vai, conversa vem, aí começamos a falar de bebidas (um assunto fácil para se conversar em festas e obviamente puxado por essa pessoa). Eu digo: "acho a vodca Smirnoff pior que Orloff". Aí a pessoa retruca: "Que é isso, Orloff é mais barata e a ressaca dela é bem mais suave". E assim vai, criando contextos e moldando o papo de acordo com a forma que convier. No final, mesmo eu ainda preferindo Smirnoff, com certeza alguma coisa mudou, mesmo sutilmente, na forma que vejo a Orloff, principalmente se a pessoa dizer as palavras certas para me tocar.

Não nos parece que isso é uma rede social na vida real? Quantas vezes não vemos em fóruns, uma pessoa elogiando determinado produto/marca, outra retrucando, outra concordando, etc.? Acho que as grandes empresas perceberam o poder que tem um capital social*.

Como tudo que move o capital social, os resultados não são mensuráveis. Apenas há uma impressão. Porém, passamos do tempo em que o mercado era extremamente quantitativo. O que adianta vender um milhão de Big Mac's se a maioria das pessoas fala mal da marca? Com esse baixo capital social, óbvio que esse um milhão vai cair para cem em pouco tempo. Investimento em capital social é mais preservar do que lucrar.

Agora, em off: tenho certeza que temos várias Magdas por aí nas festas que vamos e nas comunidades que postamos. É o marketing social.

*capital social, além de outras implicações do termo, defino como, a grosso modo, o posicionamento que uma marca/produto obtém através de relações sociais (informais, pessoais).

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