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Reconsiderações conceituais sobre Transmedia Storytelling – Parte I

By Gabriel Ishida , In , , ,

Esse post faz parte de uma série de posts sobre Transmídia, que serão escritos pelo Fernando Collaço. 

Aproveitando a repercussão da discussão conceitual sobre Transmedia Storytelling entre Henry Jenkins e David Bordwell, é pertinente observarmos algumas reconsiderações propostas por Jenkins em seu blog sobre o conceito em questão, cunhado por ele e muitas vezes distorcido em prol de questões meramente comerciais.



Conforme o autor afirma, o conceito, esmiuçado em seu blog em março de 2007 através de um post intitulado Transmedia Storytelling 101, ainda se mantém vivo e define bem o que ele tem em mente como Transmedia Storytelling:

“transmedia storytelling representa um processo onde elementos integrantes de uma ficção se dispersam sistematicamente através de múltiplos canais, com a proposta de criar uma experiência única e coordenada e no qual, de forma ideal, cada meio faz uma contribuição única para a história”

O que Henry Jenkins propõe nesse novo artigo, Transmedia Storytelling 202, de agosto de 2011, são algumas complementações necessárias para o conceito, o qual vem sendo pensado de forma errônea se considerarmos sua proposta original. Para isso, ele fixa a discussão no processo narrativo transmídia e o difere da mera prática de utilização de multiplataformas, focando assim em alguns pontos-chave para eliminar interpretações equivocadas. Abaixo, alguns dos equívocos listados por Jenkins:

a. Transmedia muitas vezes tem sido confundido como uma mera forma de branding, ou gestão de marcas, referindo-se aos atributos verbais e visuais que visam criar uma identidade visual para a empresa e que acabam por representá-la. O que Jenkins ressalta é que o branding pode ser feito de forma transmídia, mas que esse processo na verdade difere muito do Transmedia Storytelling, pois não foca em uma forma emergente de se contar uma história, aonde envolva um trabalho de narrativa em rede e resposta dos usuários/fãs.

b. Algumas pessoas tem afirmado que transmídia é outra denominação para a prática do franchising/licensing. Jenkins afirma que a franquia, enquanto processo que visa estender a marca, personagens e história para diferentes produtos e meios, não necessariamente expande a narrativa e seus significados, focando mais na redundância e reprodução dos elementos narrativos.

c. As adaptações de uma narrativa para outro suporte não transformam a história em transmídia, apenas transpõem a trama de um suporte para outro. Um projeto de adaptação pode ser concebido de forma transmídia, como a microssérie Capitu, que ganhou o Leão de Ouro em Cannes pela iniciativa dos Mil Casmurros, mas que apresentou uma trama que mantinha o formato tradicional televisivo e que, ao contrário de uma narrativa transmídia propriamente dita, não foca em uma extensão da narrativa adicionando elementos/fatos.

Introduzidos e desfeitos esses equívocos conceituais, para não alongar demais o assunto, deixo pro próximo post a continuação das reconsiderações feitas por Jenkins em seu blog e também a apresentação de algumas idéias complementares ao conceito como: affordance, additive comprehension e radical intertextuality.

Sobre o autor: Fernando Martins Collaço (@ferinmotion) é midiálogo, editor de vídeos, pesquisador na área de TV e minisséries, colunista eventual e fotógrafo de moda nas horas vagas.

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