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Post pessoal: um ano como midiálogo no mercado de trabalho.

By Gabriel Ishida , In ,

Vou ter que deixar de lado o assunto que costumo abordar normalmente para deixar registrado aqui minhas impressões depois de um ano formado e, com isso, um ano atuando no mercado de trabalho.

Na real, um ano efetivamente seria em março, quando arranjei meu primeiro emprego em São Paulo, mas estou considerando também o "pós-formatura", ou seja, indo atrás de trampo, agora formado como bacharel em Midialogia na Unicamp.

Para a curiosidade de todos, nunca fiz estágio. Na faculdade, ganhava uma bolsa por participar de um projeto educacional e isso durou um ano e meio, praticamente (na real, fiquei  participando depois de formado também. Era uma renda legal e que ajudava bastante). Após pegar o diploma, era hora de ir atrás de emprego em São Paulo (sim, já havia botado na cabeça que o esquema era vir para cá mesmo). Aliás, antes disso, uma outra curiosidade: quando fui atrás de estágio, mandei currículo para lugares em Campinas e em São Paulo. Por incrível que pareça, só consegui entrevistas em São Paulo, lugar que seria mais improvável por conta da distância de Campinas. O motivo disso talvez esteja mais a frente no post.

Nos dois meses procurando trampo e vendo meus amigos fazerem o mesmo, percebi uma coisa: sites de emprego não são boas alternativas. Digo isso porque os dois trampos que arranjei foram via Twitter e via contato pessoal, respectivamente. O que eu percebi é que a empresa que joga vagas em sites de emprego quer mesmo é fazer um leilão de quem quer ganhar menos. Isso acontece porque as empresas sabem (e nós sabemos, de certa forma) que quem está desesperado por emprego, vai se cadastrar nesses sites. O lance de "salário a combinar" é bem um traço dessa idéia de leilão. Ou seja, para mim, vaga em sites de emprego costumam ser furadas (lógico que não digo 100%, mas só digo para tomar cuidado e não cair em roubadas).

Mas, na realidade, o pior de você ser submetido a um leilão é você trabalhar que nem um escravo. Você já aceitou receber menos e ainda por cima vai trabalhar até seu limite. Ou seja, para mim, outro ponto para se procurar um trampo é ver a rotina de trabalho. Trabalhar muito, não ter vida social e tempo para você mesmo faz mal até para a saúde física. E, ao meu ver, empresa que faz leilão de mão-de-obra quer dizer que não está ligando muito para a qualidade do trabalho e, por conseguinte, provavelmente não esteja também ligando muito para o bem-estar do empregado.

Então, agora as dicas: todas as vagas legais de trampos eu vi por Twitter ou por Blogs. O perfil @trampos é uma ótima pedida para quem quer trabalhar com comunicação e TI. Entrando no perfil, você vai ver que tem outros perfis semelhantes e segmentados, como o @socialtrampos, que é para vagas em Social Media, ou o @estagios, que é exclusivamente para estágios. Dois blogs muito bons de vagas são o Na Labuta e o Publicijobs, ambos com vagas em comunicação. O Na Labuta, inclusive, posta vagas para Campinas. Na área de vídeo, televisão e cinema, recomendo o Tela Brasileira. Mas o lance mais eficiente é conhecer pessoas. Sim, frequentar muitos congressos, festivais, simpósios, etc. para conhecer/pegar contato de novas pessoas. Elas podem ser sua porta de entrada para um emprego (no meu caso, para um segundo emprego).

Outro ponto interessante é que, na minha opinião, o modo CLT de contratação é o que possui melhores benefícios. Você receberá menos que o modo PJ, mas você possui um abrigo do Estado que compensa tudo. Você tem direitos a férias remuneradas após um ano de contrato, seguro desemprego, benefícios como vale alimentação e transporte, etc. O modo PJ (Pessoa Jurídica) você ganha bem mais, só que não tem garantia nenhuma. É como se você fosse uma empresa (já que você teria CNPJ) e estivesse prestando serviço para outra empresa. Se quiserem te demitir, seria como se você cancelasse sua conta de internet. Em compensação, com PJ você fica mais atraente para trabalhos freelancer. Muitas empresas grandes só contratam freelas se eles tiverem CNPJ, para que elas possam descontar Nota Fiscal em suas contabilidades. Então, se você tem em mente fazer freelas, abra um CNPJ.

Bom, passada a fase de procurar emprego e conseguir o meu primeiro graças ao Twitter e via @trampos, comecei a efetivamente perceber como é o ambiente profissional. Nos dois empregos que fui, percebi que a liberdade é algo que prezo muito. Nos dois, o compromisso era com a performance e eficiência, não com o tempo e horário. Sou cobrado pelo que devo fazer. Se faço o trabalho em duas horas, ao invés de oito, ótimo: fico seis horas de folga. Não preciso cumprir rigidamente os horários, mas devo fazer as coisas no tempo combinado. Just it.

Essa política de se cobrar por performance é derivada de uma necessidade, ao meu ver. O que eu percebi é que existe uma falta maciça de profissionais bons na área de comunicação. Profissionais que saiam do lugar comum (ou que tenham potencial para isso). Mas essa falta é sentida apenas por empresas inovadoras, grandes, que fazem diferente. Ou seja, basicamente estou dizendo que existe um abismo muito grande entre empresas de São Paulo e capitais em comparação com outras cidades. E o abismo é maior do que você pensa. Por isso que digo para todos meus amigos virem trabalhar na maior cidade do Brasil.

Sendo assim, se já é difícil encontrar bons profissionais por aí, uma empresa séria tem que manter o que ela possui. E, para isso, existem políticas de incentivo e bem-estar/qualidade de vida (ou, no caso citado acima, na mudança de políticas). Já vi diversos casos que a pessoa podia ganhar muito mais dinheiro em outra empresa, mas preferiu ficar por conta de como ela se sentia no ambiente. Isso realmente é bem compensador para a empresa.

No segundo emprego, também tive oportunidade de vivenciar um processo de emprego, mas eu sendo apenas um espectador. Vi como se pensa a descrição de vaga, o que se delineia para um perfil, como será feito o processo e, finalmente, observar, do lado de fora, como eram as entrevistas. E, o que eu percebi, é que cada pessoa tem um valor. Se você não for escolhido para uma vaga, não é que você seja ruim ou insuficiente: o seu valor não é compatível com o que a empresa procura. Esse valor pode ser em termos de perfil e também financeiro. Já vi pessoas que não eram chamadas para entrevista justamente porque seu currículo/valor era muito elevado. Era a mesma coisa de se chamar um pós-doutorado para uma vaga de analista júnior.

Bom, acho que deu para resumir o meu ano, restringindo-se somente a vivência no mercado de trabalho. Semana que vem volto com a ementa normal.

6 comentários:

Aurélio disse...

Vou tentar comentar de novo (já tinha comentado antes mas não sei o que aconteceu que meu comentário não foi registrado).

Esse post foi tenso! Muito realista, mas para uma pessoa recém-saída da faculdade, como eu, é difícil ler tudo isso e permanecer otimista, haha. Bom, ao menos o primeiro passo eu tô tentando tomar, que é me mudar para SP. Agora, em relação aos trampos, o que me deixou meio chocado disso tudo é que eu praticamente só uso a internet para procurar emprego! Tá certo que eu praticamente só uso o @trampos que você, Ishida, mencionou de maneira positiva, mas...mesmo assim, né...ao menos agora tenho esses 2 blogs como referência.

O que me deixa com mais medo, na verdade, é que de todas as empresas para as quais mandei CV, nenhuma me respondeu! Nada, nem uma palavrinha! Isso me deixa sei lá, perdidaço...porque afinal, eu já mandei para tantas...parece que eu não tô nem perto de conseguir nada ainda, o que é um pouco deprimente.

Mas valeu pelo post, Ishida, muito bom e muito interessante...Sempre bom ouvir o depoimento de quem está no mercado faz pouco tempo também.

24 de janeiro de 2011 11:00
Gabriel Ishida disse...

Aurelião,

Antes de vc procurar por trampo em são paulo, recomendo que, primeiro, você arranje um lugar, até mesmo provisório, para morar. Tendo esse lugar, utilize o endereço do lugar para servir como referência. Não dá para procurar trampo em são paulo sem ter um endereço de moradia na cidade, mesmo provisório. Dei essa dica para o Igor e o Marcola e eles começaram a conseguir entrevistas por aqui.

Se vc não tem nenhum lugar para ficar em São Paulo, tente arranjar algum, com parentes ou amigos. Porque uma coisa é entrevistar alguém com algum lugar para ficar em são paulo, a outra é entrevistar alguém que não tem referência nenhuma. Sem falar que, em sp, o lugar aonde vc vai ficar é também determinante para a vaga. Qnto mais próximo do trampo, mais chances.

Eu meti pau em sites de emprego, mas um que bastante empresa grande e legal costuma postar é no Vagas.com. Esse daí é de graça, mas me parece q eh mais para engenharia. Mas vc pode tentar tb.

24 de janeiro de 2011 13:29
Rafael disse...

Belo post! Aproveito para deixar meu relato também!
Consegui o estágio na Natura através do Cia de Talentos. Foi a quarta ou quinta vaga de estagio para a qual eu me cadastrava. Até aquele momento, eu nunca tinha chegado nem na até a etapa de fazer teste online em nenhuma outra vaga. Sempre recebia que meu perfil não batia com a vaga. Vezes por ser em SP, vezes eu nunca entendi
Mas essa vaga fui passando pelas etapas. Até a dinâmica em grupo, a entrevista com o gestor e a conquista de ser um dos 30 contratados de um processo com 9000 inscritos.

Ou seja. Vale a pena tentar!

Estou deixando o estagio para me arriscar por novos mares. E começa tudo denovo. Nem os jobs de freela, nem de Trampos respondem email. Mas acredito que seja detalhe na maneira de fazer o contato. Ou mesmo como vc disse, ter um CNPJ.

De qualquer forma, o negócio é confiar em si mesmo. O mercado ainda necessita de profissionais!

24 de janeiro de 2011 19:48
Gabriel Ishida disse...

Boua Rafa!

Com um estágio na Natura nas costas, acho que vc tem chances de pegar boas oportunidades por aí. Se tiver interesse, estamos com vagas abertas lá na empresa. Veja se te encaixa e se vc tem interesse em trampar em sp.

Abraços!

24 de janeiro de 2011 20:11
Leonardo Zaneti disse...

Muito bom Post Ishida! É bom aprender com a experiência dos outros.
Como ou Aurélio comentou, eu também geralmente não recebo nenhuma resposta. Seria bom se as empresas ao menos se preocupassem em mandar um e-mail dizendo que receberam o currículo, definir um prazo para seleção ou ao menos dizer que você não se encaixa no perfil da vaga. Isso não é difícil, uma resposta automática já daria conta do recado. É duro você enviar seu currículo, apostar as fichas na vaga e não receber nada.

24 de janeiro de 2011 21:43
Aurélio disse...

Pode crer, concordo com o comentário do Leonardo.

Mas Ishida, valeu pelo toque sim...É uma boa. Vou ver se arranjo algo mesmo.

Grande abraço!

25 de janeiro de 2011 11:26

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